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Arquivo do mês: maio 2013

A rosa

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A rosa não é apenas uma flor, mas também um exemplo de beleza e bravura. A rosa é delicada, mas corta a mão de seus agressores. A rosa é bonita, mas pode exalar muito mais que sua beleza estética. Ou pode ser apenas artificial e rir de quem tenta encontrar nela algum cheiro. A rosa selvagem tem apenas quatro pétalas, a rosa de laboratório pode chegar a setenta e duas. E a rosa nossa de cada dia não fala, mas não cala. As rosas dizem muito sobre sentimentos. Sobre gratidão, sobre o perdão, sobre o eterno, a elegância e sobre a vida. Descoladas de suas raízes, elas duram apenas sete dias. Numa vida florida, elas duram uma primavera. Mas as rosas sempre partem, deixando a saudade da flor, a saudade de seu perfume, de seu amor, de seu cuidado e de sua força.

Por mim, as rosas seriam eternas. Tantas flores seriam eternas…

Hoje saí para almoçar na faculdade e quando voltei tinha um rapaz na porta da minha casa querendo arrancar uma rosa da nossa roseira. Quando ele encostou na rosa para arrancá-la gritei de longe “Non, monsieur!”. E ele parou e perguntou se a casa era minha e falei que era (contratualmente não é) e que ele iria quebrar a minha planta. Ele respeitou. Eu tinha acabado de achar uma rosa vermelha no chão (juro!) e ofereci para ele. Ele aceitou. Disse que ia dar para a namorada, que estava de longe olhando passivamente, que sua intenção era apenas ser “charmante”.

Não sei se acredito na boa fé dessas pessoas. Me preocupo de um dia chegar e encontrar a roseira toda cortada. Enquanto eu estiver por perto, defenderei a minha rosa.

“́ é a gentil portadora de um pensamento terno que se uniu ao nosso. Os olhos só veem nela uma imagem. Já não é uma rosa; é um símbolo, uma recordação.”da Logosofia

Sobre o Brasil, o avião, o samba e as rosas

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Desde que fui para o Brasil, fiquei tão ocupada com gente legal em volta, que não tive tempo de parar para escrever. Eu acho que a vida perfeita é assim: estar ocupada com gente de bem!

O Brasil me passou uma sensação muito boa. Meu avô sempre diz quando os netos viajam “Bom mesmo é o Brasil”. E ele tem certa razão. É um país incrível! Com pessoas incríveis. Eu ficava pensando que todo mundo que conheço no Brasil daria um livro sucesso de vendas por suas histórias de vida. Dos meus primos aos meus vizinhos, me senti querida e bem vinda por todos! Gente com sangue correndo nas veias! Meu cachorro com as brincadeiras de sempre e o gosto de farofa na comida. Bom mesmo é o Brasil! Mas, tudo bem, eu tinha que voltar!

E voltei.  No avião de BH para Lisboa, sentei-me do lado de um senhor extremamente gentil. Advogado trabalhista de São Paulo, ele chamava-se Dirceu e ficamos boa parte do vôo rindo das coisas que alguns advogados fazem para fazer parecer mais inteligentes e mais trabalhadores para o cliente, o juiz e o chefe. Lamentamos também as condições atuais dos advogados no Brasil e eu desejei que ele me oferecesse uma parceria de trabalho com os casos que envolvessem a França. Ficamos de encontrar na saída do avião, mas nos perdemos. Tudo que sei é que ele se chama Dirceu, é muito simpático e advogado em São Paulo. Tomara que um dia ele encontre este blog. Eu lhe desejo todo sucesso do mundo! E agradeço pela companhia que fez a viagem ficar mais leve.

E quando eu acho que já tive toda sorte do mundo com esses avião, não é que a TAP me apronta uma?

Estava prestes a ingressar no avião de Lisboa-Marseille, cansada de ouvir uma alemã gritando no aeroporto, quando a funcionária portuguesa, ao verificar meu ticket de bordo, disse que tinha havido uma mudança na minha passagem. Respirei fundo e ela continuou: “Você vai de primeira classe”. “Ah, tudo bem”, aceitei sem esforço!

Uma vez a TAM me colocou na primeira classe para o Rio de Janeiro, mas eu só tive direito ao acento confortável e nada mais. Nesta viagem, porém, a TAP, além do acento, me deu um tratamento de estrela. Ofereceram jornais do mundo inteiro para eu ler, mas como estava anotando na hora, descartei! Depois vieram com um menu para eu escolher o almoço. Tinha polvo, pato, arroz, queijos variados etc. Escolhi o arroz mais simples, só que veio uma coisa deliciosa! Não sei explicar, era uma mistura com um purê e queijo, e um alhinho na medida ideal pro meu paladar. De sobremesa, um pudim com creme que, novamente, não sei explicar. Achei excelente a ideia de oferecerem aleatoriamente o serviço de primeira classe para os passageiros conhecerem. Será que foi aleatório mesmo? Será?!

O dia estava lindo e eu tinha um assento solitário. Olhei para a janela e agradeci a Deus, não só por aquilo, mas pelo Brasil, pela França, pelos aviões e pelo mundo que estou tendo a oportunidade de conhecer.

Continuei minhas anotações e imaginei a seguinte possibilidade “Vai que os comissários acham que sou uma escritora rica andando de primeiro classe”, e fantasiei o que seria ser uma pessoa que vive de escrever e consegue! Lembrei das minhas amigas escritoras Sabrina, Liliane e da Paula Pimenta! E lembrei da Luiza Voll, que trabalha na própria empresa que chama Contente! Como eu queria ter um trabalho assim, que me custasse ser incrível!

O que eu deveria fazer para merecer isso? Fiquei pensando… E peguei Julia Child para ler.

Alexis foi me pegar no aeroporto de Marseille com nosso carrinho de 23 anos, doado por uma senhorinha que não podia mais dirigir.

Viemos para casa e eu mal tive tempo de tomar banho, os italianos já começaram a chegar. Depois chegaram os espanhóis. Tínhamos um jantar de comida francesa naquela noite porque meu amor esqueceu que eu chegaria na quarta. Mas tudo bem!  Passei aspirador em tudo e ajudei a arrumar a mesa.

Na sexta tive uma prova que não consegui terminar. Escrevi tudo a lápis e na hora de passar a caneta acabou o tempo. Também, eu entendi que a prova duraria uma hora e ela, na verdade, durou apenas trinta minutos. Mesmo assim, eu passei à caneta correndo, ficou um garrancho. Eu tenho dois cursos superiores e uma pós-graduação e até hoje não aprendi que é absurdo escrever tudo a lápis para depois passar à caneta. Bem feito pra mim.

rosasAmarelas

Depois da prova, voltei para casa e comecei a arrumar a casa para a festa brasileira de sábado. Comprei rosas amarelas (que junto com as folhas dão um toque levemente verde-amarelo na decoração sem ficar parecendo escola de samba com temática brasileira) e tulipas. Comprei as tulipas só porque a Silvinha fala muito delas! E são realmente lindas! Coloquei as flores, uma por uma, em cada garrafa de vinho que tínhamos já vazia e que havíamos nos esquecido de levar para a reciclagem de vidro. Espalhei várias pela casa e gostei do efeito. Coloquei no corredor da escada, sobre a mesa, perto do aquecedor! Até Alexis elogiou!

Ele chegou mais cedo naquela sexta, pois haveria uma apresentação gratuita no grande teatro antigo de Orange (que fica a meia hora de Avignon). Fomos pra lá. Pegamos um congestionamento na entrada da cidade, mas achamos vaga fácil. Porém, estava chovendo e a apresentação fora transferida para o teatro da biblioteca que é bem menor e já estava lotado. O senhor da Legião Estrangeira (era um festival de aniversário da Legião) foi simpático para impedir a nossa entrada! Foi tão simpático que nem ficamos chateados. Decidimos explorar os restaurantes da região.

Alexis sempre lê os menus da porta do restaurante para saber se ele quer conhecer a culinária de lá. Eu costumo olhar mais o ambiente. E também os preços! Mas, claro, procuro ver se tem algo que eu realmente gosto de comer. E vi que o restaurante tinha massas! Ele viu que tinha muitas carnes exóticas. E os preços eram bons. Aceitamos!

A entrada do restaurante parecia simples, mas na verdade, era dentro de uma caverna! Tudo tudo tudo de pedra! Um ambiente delicioso! Fiquei tão feliz… Alexis me convenceu a dividir um vinho com ele (vinho aqui é mais barato que cerveja) e pediu uma carne crua (crua mesmo, nada nada esquentada, ela é exótica assim) com batatas. E eu pedi um tagliatelle à carbonara (mas a minha carbonara é muito melhor!).

Comemos razoavelmente bem, e o vinho era realmente bom. Achei que tinha gosto de danoninho, que me desculpem os henólogos!

No sábado seguinte tínhamos uma porção de coisas a cumprir. Na nossa casa teríamos festa! Seria uma festa brasileira e também um aniversário de uma amiga francesa (Claire), que estava meio sem tempo de organizar a própria festa.

Tínhamos que comprar as coisas pra festa, arrumar a casa, terminar de desfazer as malas, comprar um som que funcionasse (o outro parou de funcionar antes de eu ir pro Brasil) etc.

Fizemos tudo, mas foi uma correria. E, ainda por cima, ficamos perdidos no estacionamento do centro comercial gigante de Le Pontet. A gente saiu pro lado errado e Alexis insistia que era lá que estava o carro. O pior de fazer errado é ter certeza que está fazendo certo. Isso nos roubou preciosos quarenta minutos.

Cheguei, terminei de arrumar tudo e fui tomar banho, faltando cinco minutos pras 20h, uma vez que a festa começaria entre 20h30 e 21h. Na verdade, a gente queria que fosse 21h, mas a aniversariante francesa marcou 20h30 com a turma dela. Então teríamos que estar preparados já 20h30.

Eu estava no banho quando ouvi alguém batendo a porta. Alexis foi receber e era um casal de franceses que tinha entendido que a festa começaria 20h. Suspiramos e colocamos eles para nos ajudarem na arrumação. Na verdade, Alexis fez isso, eu ainda estava no banho! Eles montaram dois bancos novos que compramos!

Meu cabelo teve que terminar de secar naturalmente, o que significou uma festa brasileira com direito a cabelos de Gal Costa!

As pessoas foram chegando aos poucos até 21h15, quando de repente, uma enxurrada de gente decidiu chegar junta e eu perdi totalmente o controle de quem já tinha cumprimentado, quem já tinha oferecido as deliciosas coxinhas feitas pela amiga bahiana, Fernanda, e quem já tinha experimentado o gostoso pão de queijo do amigo Guilherme do Rio!

Também tinha que cumprir minha função de DJ, que não foi fácil, porque eu não achei nenhum CD especificamente só com músicas brasileiras ultra dançantes (que agora eu já achei, estavam atrás da caixa de som, mas enfim). Os CDs que tenho são muito variados, então toca um samba e depois toca um blues que faz todo mundo pensar que estou expulsando da festa. Mas não é isso. Aliás, eu nem entendo porque tem que ser uma euforia contínua… prefiro a alternância de modalidades de música, mas tudo bem. Coloquei Daniela Mercure, Chico Buarque, Zeca Baleiro, forró, sertanejo e até “Ai, se eu te pego”que foi pedido especial de um convidado europeu (claro). Achei melhor não incluir Los Hermanos, uma vez que é preciso tempo e ouvido crítico para amá-los.

Quando Zeca Baleiro começou o “samba do approach”  com Zeca Pagodinho todo mundo foi ao delírio! É uma música muito gostosa, com uma batida boa, e após algumas caipirinhas, todos já estavam prontos para aprender a sambar. As brasileiras cumpriram a missão de ensinar bem! O mais interessante é que eu, Fernanda e Vanessa, cada uma de uma região do Brasil, cada uma com um samba diferente. Mas o meu samba chama “samba-enganação”, porque não tenho a técnica não! Mas me divirto! Segundo a Vanessa é samba de bailarina. E eu adorei esse eufemismo!

A nossa amiga canadense foi uma das mais inspiradas para aprender e ela progrediu bem! O orientador do Alexis e sua esposa (uma das francesas mais simpáticas que já conheci) adoraram a exposição, eles estavam no Brasil na semana passada e voltaram cheios de boas impressões da minha terra.

Fiquei feliz de finalmente conhecer o namorado da Vanessa, também brasileiro. E de contar com a ajuda do marido da Fernanda, alemão, que se encarregou, junto com seu amigo Mihail (romeno) de fazer todas as caipirinhas e quebrar os gelos (nos dois sentidos).

SambaVan

Após um tempo, cada um dos 36 convidados já se sentia à vontade para preparar seu próprio drink. Inclusive, Vanessa pegou meu liquidificador e bateu leite condensado com tudo. O que, advirto, é um perigo!

Também tivemos sanduichinhos para comer e algumas salsichas estranhas… Fora o bolo de aniversário da Claire, que foi Antoine (seu namorado) que fez e estava uma delícia.

Uma bandeira do Brasil derramava do alto do mesanino. As palavras “ordem e progresso” intrigavam os convidados! Mas essas palavras, na verdade, foram inspiradas de um poema francês, que dizia uma trilogia “Amor, ordem e progresso”. Uma pena que o amor tenha sido tirado da bandeira, comentei. Amor é o que mais existe no Brasil!

Uma alemã apareceu aqui por volta de umas duas hora da manhã! Ela estava um pouco atrasada pro aniversário da Claire (ah, esses alemães pouco pontuais…). Deixamos ela entrar e rapidamente ela caiu na dança! Nosso amigo nigeriano mostrava os passos do hip hop que é uma aula que a gente faz junto, mas nunca junto. Sempre que falto ele vai, sempre que vou, ele falta e nunca nos encontramos na sala!

Uma inglesa veio despedir de mim e como a gente tinha ido procurar emprego juntas, perguntei se ela tinha recebido alguma coisa e ela disse que só negativas. Como eu. Ela disse estar preocupada e sentir muita falta dos amigos no país dela e de gente menos fria. Imagino que para uma inglesa os franceses não sejam tão amáveis. Falei para ela não desanimar por isso e que ela podia olhar que na nossa festa tínhamos diversas qualidades de franceses simpáticos, entre outras nacionalidades. Além disso, também falei que podemos ficar mais amigas, tomar um chá da tarde juntas (chá, Inglaterra, tudo a ver!). Foi quando ela me deu um abraço de despedida e comentamos “os franceses não abraçam… isso não é estranho?!”. De fato.

Por volta de duas e meia da manhã, várias pessoas foram embora. Algumas receberam as rosas amarelas na despedida! Flores amarelas significam amizade/afeto! Vi isso uma vez numa reportagem e nunca esqueci. Há alguns anos, enviei uma rosa amarela pra Babica quando a gente se formou em Direito, agradecendo pelos anos de companheirismo. Depois, ela me enviou rosas no meu aniversário. E com isso, viramos duas fofas enviando flores uma pra outra! Quando estive no Brasil agora, meu amigo Rafa também levou uma rosa da amizade pro nosso almoço. As velhinhas que estavam do lado, acharam a gente a coisa mais linda do mundo!

bandeiracima

Com o fim da festa, às 4 da matina, nossas cachaças se acabaram e precisamos encomendar mais! De modo geral, gostei muito da festa! Nenhum copo quebrado, só o Mister Batata todo bagunçado de novo. Foi melhor do que eu esperava! Gostei principalmente do tanto que a gente dançou, pois isso não é comum por aqui.

Na manhã seguinte, ao acordar, vi que tinha uma bolsa no meu quarto, que não era minha.

Aí Alexis olhou no celular e viu que tinha uma mensagem do orientador dele falando que era da esposa que tinha esquecido. Hehe! Como que alguém esquece a bolsa? Enfim, alguns minutos depois ele bateu à nossa porta todo molhado de chuva. Tinha vindo de bicicleta pegar a esquecida. A primeira coisa que ele perguntou quando abrimos a porta foi “e aí, dançaram muito samba depois que fui embora?”. Com nosso jeito hospitaleiro, além de devolvermos a bolsa, ainda doamos uma rosa amarela, que ele colocou entre os dentes de gozação e partiu pedalando. Que bom, parece que deixamos uma boa impressão!
fimdefesta
foto de fim de festa! Música “Kiss”. Canta comigo “Just want your extra time and your ***** kiss!”