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Arquivo do mês: fevereiro 2014

Me escreva!

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Amigos, acabo de criar o e-mail saidaafrancesa@gmail.com

Toda vez que publico algum e-mail em algum blog, meu e-mail lota de anúncios bobos e ofertas fraudulentas. Mesmo assim, prefiro divulgar e viver esse risco para ter a chance de que alguém legal me escreva. Quero poder trocar experiências, pedir e receber conselhos e descobrir agendas, passeios e possíveis trabalhos.

Aguardo seu contato.

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Di

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O manual da minha visita ideal

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Tem muito tempo que estou querendo escrever sobre isso, mas nunca acho que é o momento adequado. Isso porque toda hora ou alguém acabou de chegar aqui, ou acabou de sair, ou vai chegar, ou vai sair… Fica parecendo que é uma indireta para essa pessoa. E não é. Não é indireta para ninguém. É uma direta mesmo!

Eu gosto muito de visitas! Acho que elas alegram o ambiente e trazem formas diferentes de ver a vida. No entanto, também penso que alguns limites sejam saudáveis, por mais que eu queira que as visitas fiquem à vontade, também não quero parar de me sentir bem na minha casa. Então, segue a lista, que acho que funcionaria bem comigo.

1)   A visita ideal tem dia para chegar e dia para partir.

Por uma questão de organização, é importante saber esses detalhes que podem ser reajustados conforme as circunstâncias, mas, por favor, me passe as datas.

2)   A visita ideal pergunta antes de aparecer.

A visita ideal procura vir numa época em que eu não esteja muito atolada de coisas para fazer como trabalho ou provas finais ou algum problemão pra resolver, a menos que ela possa ajudar muito nisso! Parece bobo, mas como os problemas daqui são em outra língua que não meu idioma nativo, eu tenho muito mais dificuldade de resolver tudo, e preciso de muito mais tempo disponível para tal.

3)   A visita ideal sabe ser feliz sozinha.

Claro que  vamos adorar passear  e conversar com as pessoas que venham nos visitar, mas é preciso que a visita entenda que quem está de férias é ela, e que em diversos momentos não é possível dar muita atenção. Fora que depois de um tempo, eu sinto falta de ficar um pouco só comigo mesma. De me escutar. Então, se eu ficar uns 30 minutos fechada no meu quarto, não se espante, estou vivendo o solilóquio! Fique à vontade para pegar o que quiser na geladeira enquanto isso.

Mais detalhes aqui.

4)   A visita ideal faz bagunça, mas também ajuda a arrumar.

Não espero que a visita se sinta como visita de um tribunal. Quero que ela se sinta à vontade para comer quando tiver fome, para cozinhar quando quiser, para lavar suas próprias roupas e até para mudar a posição da cama dela, sacudir o tapete etc. Ela pode ficar à vontade para bagunçar, mas precisa ajudar à limpar. Não muito, mas um pouquinho. Se ela não ajudar em nada, ela vai me cansar mais que o necessário. Abro exceção para visitas grávidas ou doentes ou muito velhinhas. Elas não precisam ajudar por motivos óbvios! Mas essas também fazem menos bagunça! Eu acho.

5)   Na hora de comer, não é a visita que define quando vamos sair da mesa.

Ok, este talvez seja o ponto principal da minha lista. Sempre quis escrever isso. Existe uma coisa que considero muito importante que é o “momento da digestão”. Após comer, eu preciso ficar ainda uns 20 minutos sentada, esperando a digestão inicial. Não consigo levantar a lavar os pratos imediatamente. Mas os pratos serão lavados, não se preocupe. O que me perturba um pouco é a visita terminar de comer e determinar que já é hora de levantar com todos os pratos para lavá-los. Sei que é por boa intenção, mas prefiro de verdade que deixe os pratos quietinhos na pia por um tempo. Volte pra mesa pra gente bater um papo. Só mais meia horinha, depois podemos lavar tudo com música e dancinha. Mas deixa eu escolher esse momento, por favor?! Talvez eu queira lavar os pratos só no dia seguinte. É um direito que peço a licença para praticá-lo.

6)   Nada de práticas ilegais.

Infelizmente, o ponto mais polêmico da lista, mas sou forçada a pedir a todos os convidados que façam o óbvio: respeitem as leis do país. Conheço bem os argumentos e sou também militante pela legalização de muita coisa ainda ilegal. No entanto, enquanto isso não acontece, prefiro que respeitem a lei e a harmonia da casa. E deixa eu te contar uma novidade: é possível se divertir e até trocar idéias sem estar dopado. E não tentem fazer nada escondido também, porque isso é antipático e eu descubro sempre! Fora que o cheiro é enjoativo e as conversas mais ainda.

7)   A visita ideal tenta entender o ritmo da casa e respeitá-lo.

Tudo bem que toda visita tira a gente um pouco da rotina. Não precisa tirar tanto. Se quer fazer algo diferente, converse com a gente. Se não gosta de gatos, feche a porta do seu quarto. Se quer fazer mal pro meu gato, procure outra casa pra dormir. Visitas devem respeitar. E serão respeitadas também.

8)   Comentários sobre a decoração, a comida e a limpeza da casa só serão aceitos de forma construtiva.

Visitas que chegarem falando mal de tudo sem nenhuma solução para propor não receberão muitos sorrisos. Por que a pessoa se acha nesse direito? Que exemplo ela está dando? Para esse tipo de gente a porta estará sempre aberta (espero que tenham entendido o trocadilho!).

Visitas com sugestões construtivas, no entanto, são sempre muito bem vindas. Elas podem sugerir desde mudanças na decoração até  formas de desentupir a pia. Estamos abertos.

9)   A visita ideal se faz querer.

Quantas e quantas visitas já passaram por aqui e me deixaram morrendo de saudade. Todos deixaram um pouco de afeto pra gente aqui, seja em forma de cartinha, seja em forma de fofura. Nunca vou me esquecer da Bruna caindo da escada e dizendo que estava tudo bem, da minha mãe construindo uma escrivaninha com meu avô, da minha avó costurando nossas roupas rasgadas, do meu pai reconfigurando meu computador, da minha tia arrumando as nossas gavetas, do Clement comprando chocolate pro nosso aniversário, dos deliciosos cookies da Ju e da Luísa, da pequena Sofia e sua doçura com minha gatinha, da querida Jojo e seu ouvido sincero. Essas pessoas fazem uma falta danada. E a gente quer elas pra sempre!

10)    Não é preciso presente. É preciso presença!

Talvez o item 9 tenha dado a impressão de que o que a gente quer é ser presenteado. E não é mesmo preciso, até porque eu procuro aplicar o minimalismo na minha vida! A gente quer ser presenteado por pessoas que tornam a casa mais legal do que ela era antes e não o contrário.  A convivência deve enriquecer e a despedida deve ser sempre um anelo de reencontro e não um suspiro aliviado.

“Be our guest! Be our guest! Put our service to the test” do filme “A Bela e a Fera”

” a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial”– Trecho da Constituição Federal do Brasil em seu artigo 5o que trata dos direitos fundamentais do ser humano

“La maison de toute personne habitant le territoire français, est un asile inviolable. – Pendant la nuit, nul n’a le droit d’y entrer que dans le cas d’incendie, d’inondation, ou de réclamation faite de l’intérieur de la maison. – Pendant le jour, on peut y entrer pour un objet spécial déterminé ou par une loi, ou par un ordre émané d’une autorité publique.”– Art. 76 de uma antiga Constituição Francesa que falava mais ou menos a mesma coisa. Na atual, não consegui achar equivalente…