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Arquivo do mês: setembro 2014

Os problemas do meu país e os meus problemas, sem entrar em detalhes

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Saiu um texto sobre os cinco sinais de que você deve passar um tempo fora do seu país. Um dos sinais que acho mais explícitos de que a pessoa precisa passar um tempo fora é quando ela começa a colocar a culpa de tudo no país ou na cidade dela (ô, já passei por isso). Não tem trabalho: ê Brasil. As pessoas são sem educação: só no Brasil. O tomate está caro: coisa do Brasil. A violência parece crescente: é o Brasil. Ninguém arruma namorado: os brasileiros não querem namorar. O custo de vida é elevado: só podia ser no Brasil. Enfim, as desculpas de sempre.

Tenho muitas críticas ao meu país ainda, mas descobri que muitas delas não eram cabidas apenas ao meu país e que algumas não eram nem mais cabidas ao país, mas a mim mesma como cidadã sem atitude suficiente.

Por que esperar do governo federal, estadual ou municipal tudo? Sei sua resposta. Você diz que é porque trabalha e paga seus impostos. Justo. Muita coisa não está a seu alcance. Você não pode promover a segurança da cidade. Mas pode incentivar a gentileza urbana, os bons modos no trânsito, a educação dos seus filhos, sobrinhos, primos e amigos. Isso é uma forma de contribuir para a diminuição da violência, sabia? Você também não pode construir um hospital, mas pode ir para o trabalho à pé, ou de transporte público ou de bicicleta a fim de desobstruir as vias de acesso a hospitais e centros de atendimento para quando algum amigo, parente ou mesmo desconhecido precisar. Você também pode criar o bom hábito de lavar as mãos antes das refeições, comer direito, praticar esportes e o bom humor, tudo faz bem pra saúde! Além disso, pode evitar acidentes protegendo tomadas, não raspando dois fios ao mesmo tempo, não dirigindo bêbado e deixando o cabo da panela sempre virado para dentro! Você jamais poderia criar parques na sua cidade, mas pode limpar a sua calçada, pode plantar uma árvore no meio de um matagal que você também pode cortar. Você pode adotar animais de rua, ou pelo menos criar alternativas inteligentes de alimentá-los com os restos da sua comida. Você pode chamar seus amigos para piqueniques que dêem valor a pequenas áreas verdes, e pode até revigorar pequenos jardins pela cidade. Isso vai te custar um saco de lixo e um par de luvas (mas você pode usar sacos plásticos como luvas). Essas coisas simples não tem CEP e são tão possíveis na França quanto no Brasil.

Eu sei, no Brasil você não tem tempo. E tempo é um luxo mesmo. Agora que eu moro fora percebo como perdia tempo no Brasil fazendo coisas que não precisava fazer com tanta frequência, como fazer a unha toda semana, passar mais tempo olhando pro telefone que para a vida da sua selva de pedra, passar mais tempo pedalando na bicicleta ergométrica que andando na rua com o cachorro, passar mais tempo lamentando por gente que não te faz bem que celebrando a companhia de gente que te quer bem! Claro, você não deve ter perdido tempo como eu. Você deve ser muito mais esperto e muito mais ativo. Nesse caso, nem se preocupe! Você já é ótimo! E se você é tão ótimo assim e é brasileiro, uau! Então meu país está cheio de gente boa! Mais um motivo de alegria e de honra para o meu país!

Aqui, deixo o link do texto que inspirou esse meu outro texto.

 

E por aqui, deixo um videozinho de ontem! Que gravei com o celular virado de novo… estou muito desacostumada.