Assinatura RSS

Arquivo do mês: março 2015

O que você poderia saber sobre Avignon antes de vir pra cá

Publicado em

Quando cheguei em Avignon, há dois anos e meio, não sabia muita coisa. Achava que sabia! Mas nãaaa… Muita coisa que eu entendia como universal, não funcionava para a vida aqui. Muita coisa que eu não sabia que existia, passou a fazer parte da minha vida. Foi assim que, aos poucos, fui conhecendo e tentando entender melhor não só Avignon, mas também a França e, por mais incrível que pareça, também o Brasil e minha cidade, Belo Horizonte.

O tema Cidades é o meu preferido. Peter Smith do Guidebook da Vida Urbana disse algo do tipo “Quero estudar as cidades para entender a história da gentileza”.

Então, para quem está vindo a turismo ou para morar, deixo aqui algumas lições que aprendi na prática. Espero ajudar!

IMG_2312

  • Avignon é uma cidade em julho e outra nos outros meses.

Por isso, vou falar praticamente da cidade dos outros meses. Porque em julho tem o maior festival de teatro do mundo aqui e tudo vira festa! E é muito muito muito bom!

  • Você não achará táxi com facilidade.

Não é comum pedir táxi aqui. Eu mesma nem sei telefone de tele-táxi e quase não vejo taxi na cidade. Não sei se eles aceitariam fazer corridas por valores muito baixos… Só andei uma vez num táxi que encontrei por sorte na estação de trem mais distante e foi por causa do frio.

  • Programa no shopping é uma ideia que não existe.

Eu não tenho nada contra shopping. Acho até agradável andar em shopping quando não está lotado e desde que não seja a única opção de programa pros dias livres. Mas aqui essa ideia não é nem considerada. Os shoppings e centros comerciais até existem, mas eles nem tem praça de alimentação, nem são feitos para a gente reencontrar amigos. É apenas chegar, comprar e ir embora.

  • É mais fácil andar de bicicleta que de carro.

A cidade tem duas partes. A parte medieval, dentro dos muros e a parte industrial e residencial fora dos muros. Dentro dos muros os carros não cabem mais, mas eles entram. E ficam congestionados, as vezes até entalados mesmo nas ruas muito estreitas. Fora dos muros, ainda é possível fazer muita coisa de bicicleta e transporte público. Os carros fazem falta principalmente para viajar ou para grandes compras e mudanças. Mas se você pode dar preferência para a bicicleta, por que não?!

IMG_9280

  • Nem tudo é acessível para cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê.

Simplesmente não sei como as pessoas que precisam de acessibilidade poderiam fazer para viver aqui. Não estou falando de órgãos administrativos, nem dos grandes teatros. Estou falando de entrar em restaurantes, visitar amigos e as vezes até andar nas ruas fininhas que nem calçada têm. A cidade é medieval e muitas coisas continuam com a mesma estrutura. Elevador é um conceito pouco visto na cidade.

  • Feiras! Muitas feiras!

Se você não gosta de feiras, Avignon é o lugar ideal para começar a gostar. Se já gosta, vai se esbaldar! Feiras de objetos usados, feiras de produtos naturais. Feiras de produtores que não destroem o planeta para ganhar dinheiro. Obrigada, França, por me fazer apaixonar (ainda mais) por essa ideia!

IMG_9661

  • Não é comum comer em restaurante todos os dias.

Comer fora aqui é muito caro. No Brasil, pode ser caro e pode não ser caro. Não adianta me dizer que é sempre caro. Quando eu trabalhava na Savassi, almoçava fora todos os dias, pratos deliciosos e não chegava nem perto dos preços daqui. Aqui, ou você compra um congelado, ou você aprende a cozinhar. Comer em restaurante todos os dias, mesmo para um turista, é uma coisa que pode ficar muito pesada.

  • Todo o comércio fecha depois das 19h. E nada abre domingo.

Isso está para mudar. Mas ainda não mudou. Depois das 19h só tem restaurantes. E mesmo restaurantes não recebem muita gente depois de 21h30. Se quiser chegar mais tarde, reserve antes. Se quiser comprar coisas depois de 19h, alguns mercadinhos árabes ficam abertos. Mas o que era aqui perto da minha casa já fechou…

  • Quando alguém te convida para jantar, não necessariamente será um jantar chique.

Acho legal que as pessoas convidem para jantares normais, sem grande ostentação. Mas geralmente a gente leva ou uma garrafa de vinho ou uma sobremesa (de preferência feita em casa). Eu adoro jantar na casa das pessoas, mas, cá entre nós, falando de brasileiro pra brasileiro : come uma banana antes de ir.

  • Não espere muita gentileza e civilidade urbana. Mas espere um pouco.

Aqui tem de tudo. Não é porque conseguiram se colocar no posto de « país de primeiro mundo » que já nascem educados e fofinhos. Por isso, quando vejo alguém falando mal do Brasil, penso que talvez essa pessoa devesse viajar mais. Aqui tem os mesmos problemas do Brasil, mas com mais dinheiro. Muitos jogam lixo na rua e a rua é suja. Muitos furam fila e acham que é normal. Muitos se recusam a prestar pequenos favores ou a dar informação. Muitas motos passam arrancando nossos tímpanos. A sorte é que não são todos. Muitos ainda são boas pessoas mesmo com estranhos!

IMG_9803

  • Não use salto em Avignon. Simplesmente.

Para andar na cidade o salto é muito desagradável porque há muita pedra e fenda nas ruas. Mesmo em ambientes fechados, não é muito comum ver gente de salto. Nas nossas festas, todo mundo que veio de salto teve que pedir chinelo emprestado. Porque pra dançar no taco daqui, sapato baixo era muito melhor. Mas isso não é uma regra absoluta, claro que para ocasiões especiais, tudo é possível.

  • Não confie nas pessoas da rua. Por enquanto.

Avignon já foi considerada a cidade mais delinquente da França. Descobri isso outro dia e fiquei muito assustada. Mas calma! Hoje ela é apenas a 14a mais pobre da França e diminuiu o nível de delinquência. Mesmo assim, além de ter muita gente na rua que até te segue para pedir dinheiro, com as mulheres ainda acontecem situações mais chatas. Existem, por exemplo, os « convidadores para sair » que costumam ser homens com aparência de educados que passam o dia na rua chamando as mulheres para beber algo com eles. Eles estão sempre na rua e chamam uma a cada cinco mulheres que passam pra sair com eles. Não sei o que acontece depois. Mas não recomendo confiar. Fora isso, os homens mexem com as mulheres tanto ou mais que no Brasil na rua. Outro dia, em uma hora de caminhada no centro de Avignon, contei cinco comentários hostis e um semi-simpático. É tanto abuso masculino que isso desencoraja as mulheres a saírem de casa. Nas ruas acaba havendo um desequilíbrio entre gêneros (e, aff, não só nas ruas).

  • O vento!

O vento aqui tem nome. Ele se chama Mistral. Isso porque ele vai entrar na sua vida e na sua casa e vai se fazer notar. No verão, ele é um bálsamo para o calor de 40 graus que enfrentamos. No inverno, ele testará as suas forças. Entrará dentro do seu casaco e congelará o seu sangue. Não há um ser vivo que resista a esse vento sem proteção. Por isso, no último inverno, acolhemos o máximo de gatos possíveis, que felizmente foram adotados. Luvas, cachecóis e gorros. Você vai precisar. E minha avó aceita encomendas, eu acho!

ventoAvignon

  •  Programas ao ar livre em dia de sol!

As pessoas amam sair para sentar na grama quando o dia está ensolarado. E isso eu amo mais que tudo!!! Amigos e uma cesta de piquenique fazem meu dia mais feliz. Queira isso. Sempre! Na sua cidade também!

IMG_9775

  • Avignon não é uma pequena Paris.

A maioria das pessoas dessa região não é muito fã dos parisienses… Então não adianta fazer o discurso de que ama a França e falar de Paris. Eles podem entender mal. Em troca, Avignon tem lindos jardins e está numa região maravilhosa de produção de azeite, lavandas, mar de girassóis. Esteja preparado para ver coisas muito bonitas completamente diferentes de Paris. Mas é maravilhoso. Van Gogh se apaixonou pela Provence. Dê ouvidos à ele!

IMG_6369

  • Os restaurantes turísticos das praças mais turísticas: Evite.

Eles podem ser os piores possíveis, com a pior comida e o pior atendimento do mundo. Isso gera alguns traumas. Mas os outros são bons! Alguns dos meus preferidos são restaurantes de estrangeiros como caribenhos, vietnamitas, italianos, indianos, árabes, chineses e até ingleses. Os franceses também podem ser muito bons como o Offset (excelente o prato vegetariano), o Ginette e Marcel (para café), o Chapelier Toqué (comandado por um moço de Gana), todos os restaurantes vegetarianos, os dois kebabs da place de Corps Saint (que vendem kebabs vegetarianos e ganharam troféu Didi melhores Kebabs de Avignon), o sucão da rua De la Republique e todas as creperias e muitos mais!

  • Avignon não é uma cidade para fazer compras.

Se você vem a turismo, não escolha Avignon para fazer compras. Além de não ter tanta opção como muitas outras cidades, Avignon não é tão barata assim. Porém, tem lojas o suficiente para você, que vive aqui, poder se bastar sem ter que sair da cidade.

  • Muitos aluguéis em Avignon não contam o mês de julho.

Em média, por 450 euros mensais você consegue um quarto ou um estúdio ok em Avignon. As vezes, até com água, eletricidade e internet inclusos. Mas em julho os preços de aluguéis aumentam muito por causa do festival de teatro. Tente negociar antes de fechar o negócio. Alguns amigos conversaram com os proprietários dizendo que só aceitariam o aluguel se pudessem ficar pelo mesmo preço no estúdio ou quarto em julho. E conseguiram!

  • Quanto menos industrializado, mais apreciado.

Embora possa parecer um exagero algumas vezes, esse é um ponto que reconheço cada vez mais como certo. No mundo de hoje, a cada vez que você compra uma garrafa de leite normal, você está contribuindo para uma indústria nojenta que desrespeita a vida e a natureza ao máximo. Além disso, o que é feito apenas pensando no lucro, nem sempre leva em consideração a saúde do consumidor. Mas os abusos não ficam apenas na indústria alimentícia do discurso francês. Indústrias têxteis, farmacêuticas, cosmética, de entretenimento, da construção e até de eletrodomésticos também jogam (MUITO) sujo. Reflita!

compotesIMG_9207

  • Nem todos os passeios para turistas aqui valem a pena.

Mas, bom, é você que sabe. Eu ia até enumerar alguns, mas pra quê, né ?! Você é que sabe mesmo! Fora que eu tenho amigos que são guias e são uns fofos! Se estiver de bom humor e em boa companhia, tudo vale a pena na verdade. Vou apagar esse tópico. Não, não vou não. Apenas leve em consideração!

  • Se você vem para estudar, a faculdade é linda, tem coisas muito legais, esportes e atividades variadas, mas tem suas peculiaridades também.

Vai com calma. Respire fundo. Se precisar, estou aqui.

IMG_7705

  • Avignon tem uma vida cultural muito legal!

Você pode ter coisas legais para fazer todos os dias! Aulas de dança gratuitas, restaurantes em que você paga o quanto quiser, shows de todo tipo de música, teatros, cinemas não comerciais e maravilhosos, exposições, festivais, encontros de amigos, tardes de tricot, rodas e conversas sobre temas sugeridos, patinação pela cidade, grupos de jogos, e até noites de forró. Basta procurar em sites como Le Bon Plans d’Avignon, eventos de Facebook ou mesmo o meu recém-nascido Découvrons Avignon!  Apesar disso, grande parte da população vive uma vida meio reclusa, só no videogame, seriado e fast food. É uma contradição. Até com o próprio clichê francês! Mas que existe para todo lado.

  • Os horários para comer são mais estritos.

Se você tiver que comer fora, é bom almoçar entre 12h e 13h20 da tarde. Depois fica arriscado não encontrar mais restaurante (francês) aberto em Avignon. Não é comum comer entre as refeições, por isso não é tão fácil encontrar lugares para lanchinhos na parte da tarde. Não existem pequenos sanduíches. Todos são grandes porque são feitos para substituir uma refeição. Logo, não existe nada pequenininho como uma empadinha, coxinha, juscelino, enrolado, charuto, pão de queijo, bolinho… Que saudade do Brasil!

  • Disputas políticas e tensão no ar.

Há uma grande rivalidade entre direita e esquerda atualmente (nossa, que país diferente!). Nem todos os moradores daqui gostam de estrangeiros. E nem todos os estrangeiros que moram aqui gostam do pessoal de Avignon. Há um clima tenso no ar. E muito delicado. Enquanto algumas pessoas picham palavras de ódio nas paredes, outras  fazem intervenções urbanas para falar com humor da situação crítica. Por isso, se você vier (ou mesmo se não vier), apesar de todos os problemas que encontrar, tente trazer um pouquinho mais de amor, de tolerância e de paciência, ok?!

IMG_7908(amigos do grupo de Couchsurfers, que se reune todas as quartas em Avignon, experimentando pão de queijo)

 

IMG_9455(minha gatinha e as flores do canteiro!)

Anúncios

Numa adolescência sem smartphone

Publicado em

O que a gente fazia na adolescência quando não tinha smartphone e às vezes nem internet?

Alguns anos atrás, os adolescentes tinham um tempo livre inacreditável para fazer tudo menos o dever de química.

Com esse tempo a gente costumava…

 

  1. decorar Faroeste Caboclo
  2. ler enciclopédias (nunca passei da letra A, mas sei tudo sobre ábaco e abacaxi)
  3. decorar Faroeste Caboclo de trás pra frente
  4. abrir o coitado do boneco do Fofão para descobrir que o facão que existia dentro dele era apenas um suporte
  5. fazer coleção de pedras desinteressantes
  6. treinar a escrita com a outra mão em um caderno de caligrafia
  7. Treinar assinaturas novas
  8. Aprender três instrumentos musicais diferentes, mesmo que você não leve jeito pra nenhum deles
  9. Fazer testes “duplo-cego” com toddynhos e marcas talibãs para descobrir que o itambynho era o melhor da época e mesmo assim continuar comprando toddynho porque a embalagem era a mais fofinha.
  10. Andar de qualquer lugar de Belo Horizonte até a Savassi porque você já era grande o suficiente para andar sozinho.
  11. Fazer encontros na Praça da Liberdade e tomar 700 ml de milkshake no Xodó. Uma porção que não deveria ser permitida para um menor de idade.
  12. Passar uma noite na frente do espelho tentando levantar as duas sobrancelhas, uma de cada vez.
  13. Passar uma noite na beirada da cama tentando jogar o baralho pra cima e pegá-lo num golpe. Truque que mais frente vai te fazer virar o rei/rainha do copo sujo!
  14. Conversar com a pessoa do lado no ponto de ônibus
  15. Decorar a coreografia da sua banda preferida (geralmente uma boy band ou uma girl power! V)
  16. Fazer esmalte com a caneta bic e uma base.
  17. Passar o esmalte feito com a caneta bic.
  18. Limpar a mesa que ficou manchada de caneta bic explodida.
  19. Recolher tatus bolinhas em qualquer cantinho com terra. Enrola-los um pouco e devolver pro mato depois. Desconhece-se o paradeiro desses animaizinhos enrolados.
  20. Jogar tetris até passar a ver espaços de encaixes entre os prédios do horizonte.
  21. Assistir sessão da tarde, Chaves e Chapolin tomando uma deliciosa vitamina de banana que na época era o nosso jantar gourmet. Menção honrosa pro vídeo show no dia que tinha Falha Nossa.
  22. Pintar o cabelo com papel crepon e se achar muito punk por conta disso!
  23. Organizar os imãs da geladeira por temas
  24. Atender e conversar no telefone. Fixo!
  25. Gravar Cds para os amigos. Em alguns casos, até fitas K7! E ainda, em outros casos, passar a limpo alguma letra de música que você mesmo se deu ao trabalho de ouvir e anotar.
  26. Treinar abertura (de pernas. Como no ballet). O que mais tarde vai te fazer a rainha de qualquer aula que você quiser dar e os alunos não quiserem prestar atenção.
  27. Ler o Mundo de Sofia antes de fazer 15 anos! E se achar o espertalhão da filosofia.
  28. Ver « Confissões de Adolescentes » e se achar a adultazinha!
  29. Fazer banho de creme no cabelo com a vitamina de abacate que deu errado porque o abacate ainda não estava maduro o suficiente. (Advogado e abacate, em francês, são a mesma palavra – avocat – e isso gera um tanto de trocadilho engraçadinho).
  30. Ligar pra serviço de atendimento ao consumidor, pra perguntar alguma coisa nada a ver, só pra ter alguém pra trocar uma ideia.
  31. Recortar revistas. Muitas revistas! E bater metas particulares sobre isso.
  32. Fazer curso de datilografia e escrever uma história sobre a origem de alguma mitologia.
  33. Falar na língua do P ou pelo menos tentar.
  34. Fazer bainha de calça jeans usando o grampeador ou fita crepe. E ficar horrível.
  35. Descobrir que qualquer pessoa pode fazer brigadeiro a qualquer momento e perder os limites com isso.
  36. Criar o seu próprio personagem de história em quadrinhos e descobrir que ele não tem o menor futuro. Pobre querida Polinésia…
  37. Ir em locadora de vídeos e ficar de papo com o pessoal que trabalha lá.
  38. Fazer a deprimente rádio Interfone, cujo único ouvinte era o síndico do prédio te pedindo pra parar.
  39. Preparar misto quente de 4 queijos.
  40. Escrever tudo ao contrário achando que isso era falar russo.
  41. Escovar os dentes 40x num mesmo dia porque você entendeu errado a instrução do dentista. Ficar sem falar por um dia logo após.
  42. Redecorar a casa usando garrafas pets, recortes de revista e penas de pássaros recolhidas do chão até um dia alguém achar que é lixo e jogar tudo fora.
  43. Assistir Primo Cruzado, Pequenas Empresas/ Grandes Negócios e Globo Rural porque você está meio sem horário pra dormir no domingo.
  44. Fazer códigos indecifráveis e ficar com preguiça de escrever mais de uma vez com aquela lista de códigos, que logo depois será perdida.
  45. Escrever cartas para os amigos com a mesma frase repetida 200x a la Bart Simpson.
  46. Treinar batidas de violão no espiral do caderno.
  47. Jogar adedanha! Nome, carro, cor, fruta, cep, animal, esporte, marca, objeto!
  48. Dobrar cartas daquele jeito sanfona que depois descobrimos que serve para dobrar sacos plásticos. E dobrar sacos plásticos.
  49. Ligar pro Dudu e Rodrigo Coxinha do programa Graffite pra pedir pra ler uma poesia. Aliás, Rodrigo foi a única pessoa que chamei de coxinha a minha vida inteira. Nem minha galinha recebeu essa alcunha.
  50. E, por fim, ter uma galinha de estimação. Mas isso é normal.

insonia

 

 

Entre essa lista, você irá encontrar três opções que não são baseadas na minha vida, são da minha amiga Luísa que esteve aqui semana passada e me fez lembrar de coisas muito boas dessa e de tantas outras épocas!

Hoje em dia as pessoas alegam não ter tempo nem para passar fio dental nos dentes, sendo que estão no nível 180 do Candy Crush. É uma questão de prioridade (e a prova jures et de jure de que balas sempre serão os maiores inimigos dos dentes).

 

Luísa era para ser uma concorrente no trabalho. Foi assim que nos apresentaram. Eles tinham apenas uma vaga e a gente teria que disputar. Mas não funcionou muito bem porque ficamos amigas!

pulinhocomLuisa

 

Querida, obrigada por esses dias e memórias! Obrigada pelo ouvido e pelas risadas. Por saber conversar mesmo quando a gente pensa diferente. Existe um ser dentro da gente que sempre diz “pra que ser inimigas se vocês podem ser amigas?!”.

E sabe o que mais?

“Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz… sofrer”

 

mais:

A invasão das marcas talibãs (texto estudado no curso de Publicidade)

Technophobe (vídeo curta-metragem do maior youtuber francês sobre a vida sem tecnologia!)

Jures et de Jure e Jures Tantum (texto sobre presunções no direito)

 

Beijos também para as amigas Duda, Bela e Popó que criaram o Dia do Nada no dia 14 de novembro pra gente dar presentes pras amigas por nada! Esse dia é lembrado até hoje.

Beijo especial pra mesma Isabela já citada que escreveu o texto “Um dia maneiro +QD+” quando a gente tinha 14 anos sobre a nossa vida na escola, e a professora gostou tanto do texto que aplicou ele na prova de interpretação e ninguém tirou total!

 

Meias palavras

Publicado em

Estou me preparando para sair agora e ao colocar o sapato, lembro de algo que aconteceu em dezembro do ano passado.

Estava voltando de Berlin e tive que passar pelo detector de metais antes do embarque no aeroporto e minha bota apitou. Os terroristas realmente conseguiram arruinar o glamour da vida dos viajantes. Já basta a gente não poder mais levar shampoo ou pasta de dente na cabine, agora ainda temos que andar descalços no aeroporto. Tirei a bota e todos os seguranças se assustaram.  Eu usava uma meia de cada cor e todas duas rasgadas. Na verdade, uma das duas era uma polaina que eu fazia de meia. Minha mãe não gosta que eu divulgue esse meu lado, mas sinceramente, acho normal. A vida é muito curta pra ficar juntando as meias certinhas com todas as dificuldades que tenho pra lavar roupa. Ainda mais se elas serão completamente escondidas pela bota. “What the hell is that”, questionou um dos guardas antes de cair na gargalhada. Naquele dia, fui liberada, mas todo mundo continuou me olhando.

Semana passada, depois de uma festa de despedida do roommate, tirei as botas para relaxar e estava usando as meias que são brinde oferecidas pela TAP. Elas não são bonitas, mas são confortáveis. Todo mundo começou a falar de novo. Que desnecessário!

Eu tenho meias! Tenho até meias que combinam entre si. Tenho meias quentinhas. Tenho meinhas de dormir que minha avó fez. E tenho meias pretas, brancas, com florzinhas e com tirinhas. Alexis tem uma do Bart Simpson. Essa eu sempre sei que é dele. Mas não consigo manter as duplas por longos períodos, salvo as que minha avó faz. Toda vez, depois de lavar roupa e cumprir todo o processo de secar e estender, subo com o montão de roupas e as meias vão caindo pela casa. E eu morrendo de frio com aquelas roupas geladas no colo. Azzuca, minha gata, começa a jogá-las pra cima. E eu não acompanho muito pra onde ela leva as meias. Depois de colocar as roupas no quarto, volto ao caminho feito e cato todas que encontro.Coloco umas pra mim, umas pro Alexis. Mais ou menos em números pares. E no fim das contas, elas param de se coincidir. Entendeu, guardinha?!

image (10)

Foto do memorial de meias orfãs de Avignon. Geralmente disponível durante o festival de Teatro no verão!