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Arquivo do mês: junho 2015

Cama

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Na troca de turno,

O sono é meu rumo.

No leito de vida,

enfim, aqui durmo.

 

 

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Vocês estão com frio ?

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É engraçado como funciona a minha cabeça e não duvido que a de muita gente. Quando eu estou com fome, tenho enorme dificuldade de entender alguém que não esteja. Aí você já viu onde quero chegar, né ?! Pelo título deste texto, quando estou com calor, não consigo imaginar o frio. E vice-versa. Eu posso até imaginar, mas é mais complicado porque imagino de uma forma mais romantizada, mais gostosa.

Agora que estou vivendo um sol escaldante, que deixa minha testa brilhando, meu cabelo espigado e faz das minhas noites um zumzumzum de pernilongos, imagino que todos estejam no Brasil vestindo um suéter de tricot, segurando uma xícara de chocolate quente com as duas mãos e assistindo a algum filme divertido com seu grande amor do lado.

Mas não é assim, né ?! Embora a minha cabeça insista em imaginar diferente eu SEI que o frio pode ser cruel. Eu sei que o frio faz sugar as suas energias para se levantar da cama de manhã e que mesmo assim você tem que se levantar. Eu sei que o frio te faz cogitar não tomar banho, mas que mesmo assim você TEM que tomar banho, nem que seja rapidinho.

Sei também que o frio traz doenças, alergias e falta de vitaminas. O frio de Avignon ainda ressecava a minha pele a ponto de sangrar, matava as minhas plantas e até alguns animais de rua (que tanto tentamos ajudar). O frio era tanto que dentro da minha casa, por diversas vezes, parei de sentir meus pés e o bepantol congelou. Com que coragem eu iria estender as roupas da máquina de lavar ? E lavar os pratos ? E andar de bicicleta contra o vento que ultrapassa 60 Km/h ?

Frio, até hoje, ainda traz enormes contratempos. Por isso deixo aqui a minha solidariedade para quem estiver vivendo esse desafio. E também a pergunta: por que o clima da Terra está tão alterado este ano ?

Mas como eu sou otimista e não quero deixar ninguém mal, decidi listar aqui coisas que dão saudade de viver no frio, agora que estou com calor :

  • dormir de cobertor
  • usar moleton
  • ter uma maquiagem que dure na pele
  • ter um cabelo mais macio
  • não ter que preocupar com insetos
  • poder deixar a comida fora da geladeira por mais tempo
  • aproveitar o tempo para atividades intelectuais sem dó de não sair de casa (aham!)
  • fondue de chocolate e de queijo e as outras variáveis !
  • Sopas
  • Roupas com sobreposições!
  • E essa não é válida para o Brasil, mas… Neve!

Desculpe se não consegui lembrar de mais vantagens do frio! Apesar de estar sentindo muito calor agora. Estou adorando cada minuto de curtir esse solão. Sugiro que se você estiver reclamando do frio, anote agora tudo que não gosta neste clima e tudo que sente falta do calor. Releia quando estiver reclamando do verão. Feliz inverno, Brasil!

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Poema e Poesia

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O texto de hoje é o que inicialmente foi feito para uma postagem de divulgação de uma marca de roupas para a qual eu trabalho e amo, mas decidimos trocar o texto e eu não quero jogar fora isso, até porque realmente fiz pensando na marca e com muito carinho. Então o texto vai pro blog hoje. E é um texto em forma de poema. Aliás, você sabe qual é a diferença entre poema e poesia?

Eu já vi diversos lugares falando que é a mesma coisa, diversos lugares dando uma explicação mais técnica pela forma da escrita, mas a explicação que mais gostei foi de que poema é aquilo que foi escrito para ser bonitinho e poesia é aquilo que os outros acham que é bonitinho. Então, pra você não pagar de arrogante diga sempre que escreveu um poema, e cabe aos seus amigos dizerem se é uma poesia ou não. Haha!

Nesse mundo tão sofrido, quis pintar mais colorido

Desde qu’inventaram a roda, fui brincar de fazer moda,

mas se for só preto e branco, não tem graça, vou ser franco.

Com o meu lápis de cor, crio roupa com amor,

com o meu lápis de cor, nossa vida é indolor!

 

I could wish a less cold paint

for this world I like to invent

no more sorrow, pain will stop

with the rainbow I spread

We must love some color block

That’s the way my art is fed!

We must keep it colorful

to feel happy, to be cool!

Este 26 de junho.

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Este dia. O dia em que vi ataques extremistas absurdos. O dia em que vi decisões judiciais para grandes, grandes causas. 26 de junho. O dia que me inspirou diversas emoções diferentes.

O texto de hoje foi parar no meu outro blog: Neste mundo cheio de cores.

#lovewins

Notívagos, meus amigos!

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São 1h22 da manhã. Eu deveria estar dormindo. Mas não posso. A esperta aqui anuncia que vai fazer 33 textos nos 33 dias antes de completar 33 anos e não deixa nenhum, nenhum texto de reserva. Isso teria sido mesmo bem aproveitado para aqueles dias em que ela precisa dormir logo, precisa de tempo para resolver outras coisas, ou precisa pelo menos parar de falar dela mesma na terceira pessoa.

Na verdade eu até tenho textos guardados, mas não acho que eles teriam relação com o momento, com o blog. Não quero assim. E eu nem queria dormir. Mas preciso. Sou uma pessoa de eterno sono atrasado. E a culpa é toda minha. Muito embora isso tenha melhorado.

Eu ainda sou notívaga, e qual é o seu superpoder?

Na adolescência era pior. Era o cúmulo do absurdo. Eu não conseguia dormir antes de duas da manhã e tinha que acordar às seis pra ir pra aula. E eu nem tinha computador para ficar mexendo naquela época. Eu ficava acordada desenhando, arrumando armário, ouvindo música, relendo umas coisas, escrevendo outras, observando insetos na cozinha, brincando com meus hamsters (todos os 24 que já tive) e os passarinhos. Em algumas ocasiões fiquei acordada fazendo dever de matemática (pasmem!). Outra fiquei escrevendo meu nome em ponto-cruz! Teve uma vez que escrevi uma teoria inteira sobre porquê Michael Jackson teria ficado branco. Qualquer coisa parecia mais interessante que dormir de noite. E de manhã, qualquer coisa parecia mais interessante do que levantar da cama. Eu até nunca fui muito mal humorada de manhã não, mas tendo a ser mais lerda que Molly, a scargot de um casal amigo meu, nessa hora do dia.

Meus horários de mais sono são, além da hora de acordar de manhã, depois do almoço e no entardecer. Passado isso, estou de pé. E sem hora pra dormir. Por obrigações com a civilização comecei a impor para mim mesma mais disciplina. Como estar na cama entre meia noite e uma hora da manhã. Antes disso, só em circunstâncias especiais. Como nas férias de agora. E como no dia em que me casei. Hehe! Não casei, fiz uma união estável. Bateu um sono! Nossa! Acho que era tanto stress com documentos e administração de outro país que depois que acabou…  no fim da tarde… Apagamos! Muito romântico.

A noite é uma criança. E é mesmo. Geralmente, a hora que tenho mais ideias e vontade de agir é de noite. Dizem que isso é característica de super heróis. Definitivamente é característica de gatos. Azzuca é tão noturna quanto eu! A vezes vou dormir doida para amanhecer para poder fazer tudo que quero fazer e quando amanhece me ocorre de já ter perdido metade do entusiasmo da noite. Mas se anoto e me proponho a fazer mesmo. Acordo e faço! Essa é a técnica. Acordar e saber o que fazer. Se ficar se enrolando e desenrolando das cobertas… é duro. Ainda mais no inverno. Meu quarto tem pouca calefação e o sol só aparece 8h30 da manhã em Avignon no frio. Fico com saudade de vitamina D.

Ah, notívagos, meus amigos! Só vocês poderiam entender. Só vocês sabem o que é ter que fazer tudo na ponta dos pés porque o resto da casa está dormindo. Só vocês sabem o que é sempre dormir pouco, mas ter toda a família falando que você dorme muito porque seus horários não combinam. Só você assistiu todos os Corujões e vários outros filmes para idades muito superiores a sua porque nunca foi cogitado pelos programadores de TV que uma criança ficaria acordada e ligaria a televisão e veria coisas sobre a vida que talvez não estivesse na hora de conhecer. Amigos notívagos, só vocês sabem como era misterioso olhar a cidade pela janela de madrugada e enxergar, lá no horizonte, um apartamento com a luz acesa e cogitar que talvez fosse alguém como você. Só os notívagos conhecem os diferentes sons da noite e suas nuances até surgirem os primeiros sons do amanhecer. Só os notívagos reconhecem que a geladeira também para de fazer barulho. E sabem que os cães uivam em coro, assim como os recém nascidos que choram inseguros nos seus berços cercados de mães de primeira viagem que choram baixinho de sono. Só os notívagos sabem como a internet foi um bálsamo para essa solidão quase ilegal de flertar com uma troca do dia pela noite. E você sabe que no fundo fazer faculdade de noite te fez um grande bem.

A hora de acordar é sempre nosso maior desafio. Mas não precisa ser traumática. Detesto cutucadas para me acordar. Mas amo ser acordada pelo meu cachorro ou pela minha gatinha. Detesto sonhos interrompidos (vale para quando estou acordada também). Preciso do encerramento do sonho. As vezes o sonho está quase finalizando o episódio e o despertador toca, ou alguém vem me acordar. Sempre que posso, peço mais 5 minutos de prolongação. E o sonho continua e acaba nesse tempo. É impressionante! Aí posso acordar tranquila. Quando durmo mais do que deveria, começo a ter pesadelos. E uns pesadelos muito, mas muito escabrosos. Também me dá dor nas costas.

Agora, uma coisa que é sensacional: Se a gente se propõe firmemente acordar em determinado horário, a gente acorda naquele horário!!! É alucinante como isso funciona. Porém, não conte com isso como único método despertador para não perder a hora. Não conte NUNCA mesmo. Aliás, uma sensação horrível é a de perder a hora. Acordar já sabendo que você já está atrasado. Gente, que angústia! Como advogada, eu tinha pavor de audiência de manhã cedo. Nem conseguia dormir direito por medo de perder a hora. Nunca perdi. Felizmente! Mas e os colegas que perderam…

Se eu fosse padeira muito possivelmente inverteria a ordem das coisas. Ficaria acordada até 4h da manhã para fazer pães gostosos e depois iria dormir. Até porque, fazer pão é um exercício físico intenso. E exercícios físicos intensos me dão o quê? Sono!

Assim como qualquer carro e ônibus em movimento, avião taxiando, pessoas falando de assuntos pouco convidativos, digestão de coisas muito calóricas, pessoas com voz doce e ligeiramente grave.. ZZZ… muita coisa pra fazer também me dá um sono gigante. Salas de espera me dão sono e um sono desesperado, daquele que a gente não pode dormir, mas precisa! Filmes e teatros pouco intrigantes me dão sono. Ou seja, muitas coisas podem me dar sono, mas a noite não é uma delas.

Ah, mas não é mesmo!

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Mais:

Notívagos uni-vos

 

O ponto B

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“A vida vai de um ponto A a um ponto B. Pois é. Eu tenho um problema com o ponto B”. Essa fala é do personagem principal de o Quebra-Cabeças Chinês (continuação da continuação de Albergue Espanhol, o Bonecas Russas) mas bem que poderia se aplicar a muita gente. Uma delas, eu.

Chegar a um ponto B não é assim tão simples. Pra começar eu sou perdida para andar. Certa vez fui dar uma voltinha no quarteirão enquanto esperava minha mãe descer do prédio em que trabalhava e pronto, fui parar numa cidade vizinha. Outra vez, fiquei três horas perdida de bicicleta na estrada, cruzando três cidades da França, porque tentei chegar do outro lado do bairro em que estava.

Meu senso de orientação é meio maluco, mas nem sempre isso é problemático.

Mas as vezes é.

Desde pequena eu dizia que queria ser veterinária. A escolha da profissão não me parecia um problema de jeito nenhuma. Seria veterinária e pronto. Perfeito! Aí descobri a profissão dos biólogos e me encantei também. Achei que eu poderia fazer muito como bióloga, então eu seria bióloga. Resolvido.

Um belo dia descobri que eu era melhor nas matérias de humanas da escola que nas matérias de biológicas… Ao invés de seguir a opção inteligente que era de estudar as matérias biológicas com mais ênfase, pensei que o certo era seguir aquilo que eu já tinha facilidade : Humanas.

Hum.

Poderia ser boa na escola para matérias humanas, mas isso não significa que eu seja um gênio no mundo profissional. O meu mundo profissional que seria de animais, florestas, reprodução de células, virou um mundo de palavras, de tela de computador, de reuniões de egos… OK.

Não que eu não tenha visto o lado bonito. Vi sim! Acho lindo explicar, mostrar, escrever. Mas acho horrível ter que concorrer com isso. Ter que fazer marketing do que eu estou fazendo, ter que ficar provando pra todo mundo que sou melhor que todo mundo. Nem sou. Mas talvez mesmo no outro mundo (o biológico) as coisas sejam assim. Sei lá. O fato é que meu ponto B começou a ficar confuso.

Fui muitas coisas. Gostei de todas! Tinha o alfabeto inteiro, menos o B.

Fiz Comunicação. Adorei. Mas meu ponto B não dava resultados como esperados. Fiz Direito. Amei ! Mas o ponto estava ocupando 100% das horas da minha vida. Não tinha tempo para dormir, para seguir outros projetos pessoais, para caminhar, para jantar sem pensar nos e-mails que teria que responder.

Fora isso, eu ainda me interessava por tantas outras coisas da vida. Notadamente a dança, as artes, a música, a patinação no gelo, a biologia, a veterinária e todo o resto do mundo.

Uma propaganda da Discovery dizia « I love the whole world and all its sights and sounds ». E é isso, gente! É normal gostar de muitas coisas, não ?! É normal querer descobrir, experimentar, errar e começar de novo. Errado é se propor fazer sempre a mesma coisa pra sempre. Não mostrar interesse por nada além do que o mundo pronto que nos foi oferecido.

Mas, poxa, quisera eu ser exemplo de tantas tantas descobertas. Não sou. Mas sou exemplo de algumas tentativas.

Quando conheço um bairro, cidade ou país novo, gosto de andar sozinha algumas (muitas) vezes. Gosto de entrar em ruas e me deixar perder. Foi assim que descobri uma lanchonete perdida e deliciosa em Vancouver quando desci do metrô na estação que nunca me sugeriram descer. Foi assim que descobri meu jardim secreto em Le Pontet, do lado de Avignon. Foi assim que hoje com duas ótimas companhias conhecemos uma Milão que não existia nos livros, nos sites de viagem, no imaginário do turista.

Mais tarde, com o guia na mão, soubemos voltar pra casa antes de virarmos refeição dos mosquitos.

Acho que na vida profissional a gente pode se permitir um pouco isso também. Alguns ensaios, mas com uma certa segurança.

É bom se deixar perder. Ô, é muito bom, sobretudo para descobrir o que há de mais inusitado. E ter também à mão um guia não é a negação dessa ideia. É talvez a sua optimização.

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Conclusões antecipadas

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Estava na fila do caixa quando a senhora que esperava atrás de mim comentou « mas se é pra passar só uma garrafa d’água, você pode passar na frente de todo mundo ». Ri e respondi que não precisava. Passados trinta segundos o rapaz da minha frente falou « por favor, pode passar, assim eu deixo todo mundo feliz ». Agradeci e passei. Ainda tinha uma moça antes de mim. Sem problemas. Mas a senhora lá de traz gritou « ei, moça, deixa essa daí passar na sua frente, ela só tem uma garrafa d’água pra pagar ». Falei que não precisava de novo. E a moça gentilmente me colocou na frente. Olhei pra trás e a senhora dava uma risadinha e um sinal de jóia!

Isso aconteceu hoje, aqui em Milão. Já é a segunda história fofa que tenho para contar de fila de caixa. A primeira foi há dois dias, quando um homem, depois de passar e pagar suas mercadorias, retornou, e disse ao homem do caixa que estava com 20 euros a mais de troco.

Quando furtaram a mala da minha prima depois do check in no aeroporto de Milão (depois a mala foi encontrada aberta na rua por uma mulher que achou o meu telefone lá dentro e me ligou) fiquei com a má impressão de que as pessoas daqui só queriam levar vantagem (salvo a mulher que achou a mala). Mas desde que cheguei (há apenas 4 dias) tenho tido a experiência contrária.

Internet gratuita, preços baixos, bom atendimento, tudo isso me faz repensar as estranhas conclusões que a gente tira baseadas em poucas experiências. Mas claro que tudo pode mudar. Ainda é  pouco tempo vivido aqui para saber dizer o que penso dos italianos. Nas primeiras semanas na França eu dizia que o atendimento em restaurantes era ótimo. Hoje já tenho uma visão bem diferente. Meu próprio Brasil e a minha querida Belo Horizonte também costumam me fazer repensar muitas frases prontas.

Estou deixando a Itália me surpreender positivamente. Por enquanto, tem funcionado!

 

Ps. Este é o centésimo post deste blog! E é mais um post da saga “33 textos antes dos 33 anos”!