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Arquivo do mês: julho 2015

D de Dior

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Desde que comecei a trabalhar para uma marca de roupas, o mundo fashion tem me chamado mais a atenção. E sim, é nessa ordem mesmo. Primeiro eu comecei a trabalhar para uma marca e depois a história da moda me atraiu.

Difícil admitir e fácil de observar, mas nunca fui muito ligada à moda. Tinha a impressão que isso estaria diretamente ligado a pessoas a)falsas b)chatas c)fúteis. Ignorava quase que por obrigação moral. Vestia-me com o que era possível. E ainda me visto. Mas tinha a ilusão que este mundo era mal frequentado. E, como todos os mundos, é um mundo que tem de tudo. Então eu gostava de algumas coisas, mas não buscava saber mais sobre. E me contentava com isso.

Das coisas que eu gostava, muitas encaminhava para a pessoa que conhecia do assunto, minha ex-chefe advogada, Patricia, que criou uma marca própria de roupas depois de se mudar para Dubai. De tanto mandar ideias e sugestões do que eu pensava que ficaria legal numa coleção, ela me chamou para trabalhar com ela, ajudar na comunicação e nas ideias. E que bom.

Diante deste novo desafio, algumas amarras tiveram que ser… desfeitas. E a busca por mais conhecimento sobre moda e história da moda me levou a um velho conhecido.

Dior. Sim, meu velho conhecido.

Dior não podia ser novidade na minha vida. Alguém que se chama Diorela não ousaria ignorar a existência de um perfume quase homônimo (na versão 2 Ls) da Christian Dior que, por mais forte e dor de cabeçudo que seja, ainda é um frasco que eu tento conservar na minha prateleira apesar de todo meu esforço e interesse pelo minimalismo.

Dentro do meu curso de História da Moda aprendi que foi Dior que retomou a cintura marcada ao foco da moda depois do livramento que Mademoiselle Chanel ofereceu para as mulheres do mundo com seus cortes retos.

Daí para frente, o universo conheceu uma feminilidade diferente que até hoje aceita críticas, mas ainda se delicia com suspiros e elogios de quem vê no design dos vestidos e roupas Dior algo a mais.

“Desenhei as mulheres flores”, dizia Dior no filme que hoje me levou ao cinema. Lá, sozinha, na última cadeira da platéia, me encantei com o sistema de produção da alta costura da marca.

Do designer italiano às costureiras de Paris, unidos ao estilista Raf Simons da Bélgica e seu braço direito, Peter, o filme mostrava o melhor dos mundos. E principalmente, os pequenos detalhes da criação que tanto fazem diferença no resultado final.

Detalhes como deixar que cada costureiro escolha o croquis que gosta mais para executar, pois isso faria com que trabalhassem melhor. O cuidado e atenção com o cliente. A simpatia e boa convivência entre a equipe. A busca pela estampa única, mas que também não deixe a roupa parecendo uma enorme melancia (cena do filme!). E o detalhe para o desfile: a escolha do cenário florido, nada mais conveniente para uma atmosfera Dior.

Dia e noite de trabalho intenso, sob a vigília do fantasma de Christian, que segundo os costureiros, nunca abandonou o atelier. É o que mantém a marca renomada no mundo da alta costura por mais de 50 anos.

Dirigir um filme que começa puro glamour e termina, atenção para o spoiler, entregando o lado humano de cada saia rodada da passarela não deve ter sido fácil. Saber medir a distância da câmera para a cena da reunião com advertências, para a produtora que tenta encontrar alternativas aos mandos do patrão diante de um telefone sem voz, para a assessoria de imprensa que corre, e o costureiro que apaga a última luz do atelier, é uma arte. O diretor Frédéric Tcheng teve um olhar que me atraiu muito, apesar de uma escolha musical inicialmente bem desconfortável, com o passar do filme, conseguiu me embalar melhor!

De mais a mais a realidade tem me atraído e tirado minha atenção da ficção.

Daí que de tempos em tempos eu até volte para o universo da fantasia, onde encontro metáforas, referências e as vezes até conforto. Mas por pouco tempo. Logo sinto saudade do que o mundo dos documentários, das pessoas reais e das biografias tem para ensinar ou oferecer. Na verdade, penso que se completam. E teimo em pensar até que se fizermos um esforço, veremos que são o mesmo.

Do lado do mundo real, vejo o esforço e o suor dos costureiros Florence, Monique, HongBo Li, Stephanie, Lilly, e tantos outros. O corte certeiro, a dor nas costas, a escolha da modelo, a adaptação do tecido, o vestido saindo do papel com muitas noites mal dormidas. Do lado fantástico, vemos as modelos girando, o batom laranja neon, as flores azuis em contraste com o vestido vermelho, o balanço das saias, os fotógrafos, as celebridades, o puro glamour. Não teria um se não fosse o outro.

Dior et Moi é um filme atraente. E que reconcilia com o universo da moda, mesmo sem nos convidar a dele participar. Me explicou muita coisa. Mostrou como amor ao trabalho faz toda a diferença apesar do stress. Esse filme me encheu de ideias. Uma delas, a de fazer um texto inteiro só com parágrafos começados com D. Essa letra tão linda, de Dança, Democracia, Deus, Dia, Doces, Delicadeza, Doar, Dormir. D de Dior.

Di-or.

“Aquilo que se faz com gosto todos o estimam” da Logosofia

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33

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Foram 33 textos. Na verdade até um pouco mais se contar as pequenas chamadas feitas. Mas no fundo, achei que foram menos, porque nem todas as redações estavam na estrutura que eu gostaria. Mas existiram. E o principal foi conseguir escrever todos os dias alguma coisa que fizesse (mesmo que pouco) algum sentido.

« Escrevo porque não sei não escrever », disse uma vez minha amiga Liliane Prata. E que lindo pensar a vida através das letras. Quando não estou escrevendo, estou sempre pensando em escrever. Mas quando tenho que escrever, nem sempre lembro o que pensei. Acontece com você também?

33 textos nos 33 dias antes do meu aniversário de 33 anos. Que ideia! A gente assume uns projetos toda empolgada, mas esquece que eles devem ser concluídos. E aí no meio dessa história teve dia que eu não tinha tomada para ligar o computador, dia que eu não tinha inspiração nenhuma, dia em que eu não tinha energia nenhuma para escrever porque a minha vida não parou para a execução desse projeto. Pelo contrário, minha vida me fez distanciar um pouco mais do computador esses dias, mas foi por boas razões.

Finalmente, hoje chega ao fim. Amanhã (ou hoje, no horário francês) é meu aniversário de 33 anos. E eu sei as duas coisas que você está pensando sobre isso! A primeira é que é a idade de Cristo. Todo mundo já me veio com essa. Não sou religiosa, mas diria que Cristo tem na verdade 2015 anos.

Alguns artigos demográficos (pedi as fontes para um demógrafo que ficou de me enviar) indicam que há uma demonstração de que 33 seja a idade da força. A idade em que somos mais capazes de produzir (na média). Com grande capacidade intelectual (ui!) e física (ui ui!). Isso ainda me lembra um outro dado (dessa vez não lembro a fonte mesmo) que diz que 31 anos é a idade mais bonita da mulher. Um pouco questionável no que diz respeito ao conceito de beleza da mulher, concordo. Mas que compara do mesmo jeito a evolução intelectual com a física.

Será que essa média se aplicaria a mim? Ainda pretendo ser tão mais produtiva…

Se 33 é a idade de maior força na média do ser humano hoje, será que era também assim a.C? Pode ser. Faz sentido que toda a história bíblica seja contada dessa forma. Mas a última coisa que quero é discutir esse assunto no dia do meu aniversário. Mentira, a última coisa que eu quero é guerra, violência, crueldade no mundo. A discussão é só a penúltima coisa que eu quero!

Mas você ainda tem mais um comentário sobre os meus 33 anos, não tem? Deve estar aí calculando… « Ela não vai ter filhos não?! ».

A verdade é que as mulheres tem um período fértil definido, mas não tão curto quanto parece. Então ainda estou em tempo porque sim, adoraria ter essa oportunidade, apesar de as vezes me questionar um pouco sobre até onde vai a nossa vontade e onde começa uma certa imposição da sociedade.

Fora isso, adoro crianças, bebês e sobretudo adolescentes!!! Seria bom ter filhos cedo o suficiente para ter tempo e energia de me interessar pelas mesmas séries e bandas que meus pequenos. Para ensiná-los alguns passinhos de dança, algumas brincadeiras diferentes e vencê-los em todos os esportes como minha mãe sempre fez sem dó. Mas se eu não tiver filhos (nunca se sabe!) certeza que Helena, Rita, Catarina, Dudu e todos os outros sobrinhos emprestados terão que aguentar a tia Didi colada neles, cheia de amor, falando das conclusões sobre a vida.

Afinal, maturidade é uma fase. Que pode durar ou não. Adolescência é pra sempre!

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Obrigada por terem acompanhado o projeto até aqui! Principalmente Aline, Livinha e Pipocacrua! Beijão

Muitas vidas

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Um dia percebi que não era uma só, mas várias. E que bom!

Claro, você pode pensar que é patológico assumir múltiplas características. As vezes é mesmo. Mas na maioria das vezes é positivo e muito comum. Pensa comigo.

A pessoa que você é como estudante é muito diferente da pessoa que você é como vendedor, como mãe ou pai, como vizinho. Todos compartilham alguns valores em comum, mas são diferentes. Certo? E cada um pode acrescentar um pouco mais para o outro.

Eu pensava que até os meus trinta anos, estaria casada, com filhos, tendo uma carreira profissional de sucesso etc. Nada disso aconteceu. Mas tantas outras coisas que eu nem poderia imaginar aconteceram que valeu a pena do mesmo jeito. Se um dia estou  de salto na capital da Noruega, no outro estou esfregando chão do lado das baratas do mercado de Avignon. Se um dia tenho um cachorro, no outro, estou com uma gatinha. E, sinceramente, gosto de ver e viver essa diversidade porque isso me enriquece. E me deixa com a sensação de ter e criar oportunidades para aprender mais.

Quando alguém pergunta o que eu quero ser, tenho muita dificuldade de responder porque quero ser tanta coisa, em tantas vidas. Professora, advogada, vendedora, cozinheira, escritora, faxineira, auxiliar de veterinário, diplomata, cuidadora, fotógrafa, administradora, editora, artista, cientista, além de mãe, vó e namorada.

Talvez eu precise de muitas vidas para realizar tudo isso. Ou talvez essa vida seja mesmo para ser múltipla !

Dormir em paz

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Quando eu era advogada, saía do trabalho, mas o trabalho não saía de mim. Ficava preocupada com tudo o tempo todo. O meu salário era infinitamente baixo para pagar 100% do meu tempo mental. E acho que nenhum valor chegaria a esse preço. Lembro que eu pensava “rico é quem tem tempo”.

Num desses dias, na exaustão do fim do dia, escrevi o seguinte

“Com a cabeça no travesseiro eu durmo em paz

convencida de que pra cada problema

há uma solução atrás”

Naquela vez, dormir me ajugou a encontrar diversas soluções. Muitas vezes funciona.

Durma bem!

Ps. Hoje tem um vídeo que também fala da paz! Embora seja corrido.

Antes de morrer eu gostaria

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Quando eu estudava na Universidade de Avignon, colocaram um painel que dizia “Antes de morrer, eu gostaria…”.

O painel já estava lotado quando cheguei. Mesmo assim, conseguimos achar lugar para escrever alguns dos nossos sonhos.
Também lemos os sonhos dos outros “Eu gostaria de encontrar um grande amor”, “eu gostaria de morar no Japão”, “eu gostaria de ter mais tempo com a minha família”.
Isso me lembrou o que acontece comigo quando fico sem tempo. Começo a pensar no que gostaria de estar fazendo com o meu tempo e que não estou fazendo. Durante meu mestrado foi assim. Tinha tanta coisa para realizar com um prazo tão curto que tive que fazer uma lista de pequenos sonhos para depois não esquecer: “conhecer melhor as cidades do entorno da minha”, “tomar um café com as amigas”, “visitar o museu de história Natural daqui”, “fazer uma bendita hidratação profunda no cabelo” etc. Terminei o curso e um ano depois vi que consegui fazer tudo que tinha me proposto.
Hoje a lista já é outra. E assim vai, sucessivamente, até que um dia não ficará completa. Gosto assim! Antes de morrer eu gostaria de tanta coisa…
Meu tio conta a história de um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que deu uma entrevista e, já velhinho (aff, esqueci a idade), informou que não queria ser juiz pra sempre porque queria montar um escritório e advogar.
Meu avô, com mais de oitenta anos decidiu realizar o sonho de fabricar espaguete para vender! Minha avó está entrando pro ramo da moda!
Não tem hora pra parar de viver não! Aos 22 anos uma amiga do meu pai foi me perguntar o que eu queria fazer da vida e eu, com o diploma de Publicitária dizia não ver muitas perspectivas e comentava que já me achava velha para fazer outra faculdade. Ela riu muito. Hoje entendo a bobeira do meu comentário! Quer fazer faculdade de novo? Tenta.  Tem 90 anos e quer fazer outra faculdade, sério mesmo, vai lá e tenta. Tem 50 anos e quer aprender a nadar? Pule na piscina de bóia! Tanta coisa boa deixa de acontecer por bobeira nossa… “Há que tentar sempre”é a frase que meu pai sempre fala. E foi assim que funcionou comigo!
O avô de uma amiga, certa vez, ao sair de uma cirurgia complicada, foi perguntado sobre o que estava sentindo. Ele disse “vontade de viver”.
Nós também!

Promessas não cumpridas

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O texto de hoje foi pro Direito é Legal!

E fala de um assunto que eu acho muito delicado. É fácil a gente esquecer as promessas que fez, mas difícil esquecer as que nos fizeram.

Não?!

Qual é a sua lógica?

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Acho engraçado o quão sem sentido podem ser algumas conclusões humanas.

No final do ano passado fiz uma pequena coleção de momentos que me pareciam ilógicos. Depois aumentei um pouco a lista. E até hoje ela continua sem sentido para mim. Mas o pior é que todos já fomos vítimas alguma vez de uma reação ilógica. Redobremos a atenção!

Segue:

Minha religião é amor, odeio gente diferente. Não confio em ninguém, vou entregar todo meu dinheiro para o gerente do banco fazer aplicações. Gosto de você, não vou te avisar sobre a couve no seu dente. Não gosto do nordeste, vou para Trancoso nas férias. Quero emagrecer, me vê um refrigerante. Estou triste, aproveito para deixar outras pessoas mais tristes ainda. Estou feliz, não quero mais ninguém feliz. Quero ser acadêmico, vou matar várias aulas e ir pro bar. Sou vegetariano, me passe o peixe. Não gosto de corrupção, vou votar no partido que estava no poder anteriormente. Estou com calor, cadê meu casaco. Confirmei minha presença, não vou. A porta do banheiro está fechada e uma pessoa desapareceu da festa, o banheiro está vazio.

(essa lista poderá/será ampliada com o tempo!)