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Arquivo do mês: dezembro 2015

50 nuncas de 2015

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Ah, 2015. Este ano pregou muitas peças na minha vida, e imagino que na sua também. As vezes o balanço é até doloroso. Entre crise, terrorismo, discurso de ódio, racismo, intolerância, gente estranha e gente falsa… parece não ter sobrado espaço para coisas boas. Mas sobrou, gente. Cada um tem na vida bons frutos a recolher, tenho certeza.

Como há alguns anos tenho feito a lista de 50 coisas que nunca tinha feito antes e que fiz naquele ano, pensei em fazer um esforço para encontrar mais 50 nuncas pra este 2015. No início foi difícil, porque tenho por meta só colocar coisas boas na lista a ser relembrada. Depois consegui até passar de 50 e tive que editar pra ficar bonitinho. Caso seja do seu interesse, dê uma olhada na minha lista. Pode ser que ela te lembre do lado bom do seu ano também.

  • Aceitei couchsurfers pela primeira vez (sim, só temos nuncas nesta lista !). E recebi pessoas da Alemanha e da Áustria muito simpáticas, mas que estranhamente não conheciam The Sound of Music ! O.o
  • Conheci a Escandinávia, que é ponto central do grupo de estudos criado com uma amiga (Idéias da Escandinávia). Na verdade apenas Oslo, na Noruega ! Mas adorei. Quem quiser participar do grupo de estudos, deixe o contato nos comentários.

IMG_5347(Oslo, Noruega)

 

  • Encontrei Livinha em Avignon, que chegou bem no dia meu aniversário, pulando de alegria!
  • Encontrei Silvinha em Avignon e fui com ela à super prisão do Conde de Monte Cristo em Marseille e do homem da máscara de ferro.
  • Encontrei Luísa em Avignon e descobri como fazer malas à vácuo e fotos de uma pessoa ruiva!
  • Comecei a trabalhar com moda, para a By My Hands Fashion, e descobri um outro mundo da confecção que pode ser feita com ética. Além disso, adorei poder trabalhar de novo com a Pati, minha ex-chefe advogada. Participamos do Fashion Revolution Day e mudamos muito nossa forma de consumir também.

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  • Comecei a escrever para um jornal francês e ralei muito para conseguir publicar em outra língua.
  • Fiz uma doação para a wikipedia e para o crowdfounding de um projeto importante. Aprendizado que recebi da minha mãe. Se é importante pra gente, e podemos contribuir, tentemos!
  • Vivi quase um mês em Milão, na Itália, com minha família amada que só andava pela casa dançando e cantarolando! Antes disso, aprendi a falar o básico do italiano com uma amiga muito querida.

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(pomba posando pra mim na praça principal de Milão, a mulher logo atrás também fez pose)

  • Virei colunista de um site de slow lifestyle ( Review) e me senti ainda mais próxima de um estilo de vida minimalista e cuidadoso que me atrai muito.
  • Participei de um capítulo de um livro espanhol sobre a judicialização da saúde no Brasil.
  • Conheci o interior de São Paulo (Itu, Sorocaba, Brotas e São Carlos).
  • Aproveitei uma tirolesa gigante em Brotas! E conheci as chamadas « areias que cantam ». Brotas é uma cidade incrível, que vale a pena.

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  • Morei meses com uma peruana (Pamelita!) e comemos muito arroz com batata juntas para desespero dos franceses!
  • Fiz uma grande viagem de milhas, o que me permitiu passar na Inglaterra só para jantar.
  • Trabalhei no mercado de Avignon durante o festival de teatro e entendi o que era ser invisível.
  • Conheci Veneza, a primeira cidade capitalista do mundo ocidental. Florença, a cidade de Da Vinci e Galileu. E Verona, a cidade de Romeu e Julieta. Morri de amores pela Itália.

  • Cozinhei um quiche com leite azedo tido como perdido e ele ficou ótimo.
  • Ganhei um desenho de um garotinho da Tanzânia que conheci no trem. Ele não tinha lugar para sentar, e se apertou com a gente nas cadeiras. A mãe dele me lembrava muito diversas mães brasileiras, que apesar de extremamente pobres, só espalhavam amor.
  • Descobri que franceses dão espaço entre as palavras e os pontos de exclamação e interrogação e finalmente entendi porque o meu Word faz assim !
  • Passei todo o ano sem comer carne. E não foi tão difícil assim. Cumpri meu projeto #2015semcarne! E vou continuar.
  • Produzi o VEDA ( Vlog Everyday April) para o canal do youtube Direito é Legal.

  • Fiz o projeto s2 Frágil em Madrid e Avignon, um projeto de levar mais consideração ao coração alheio, criado pela jornalista e amiga Sabrina Abreu.IMG_5400
  • Fui num congresso de Economia Criativa em Madrid
  • Consegui ver o quadro O Grito! em Oslo e o Nascimento da Vênus em Florença. Dois sonhos !
  • Fui apresentada ao Fram, o navio dos conquistadores do Pólo Sul. « Pólo Sul » é um dos livros preferidos do meu pai. E como eu gostaria que ele estivesse comigo nesse dia.
  • Participei de uma passeata pela paz na França. Logo depois do primeiro atentado em janeiro. Foram milhões de pessoas. Emocionante. Mas vimos que é preciso mais, muito mais que isso.
  • Dei uma festa à fantasia. Duas, na verdade, considerando que a primeira era normal, até que chegaram umas pessoas fantasiadas porque entenderam errado o convite e aí todos nos fantasiamos para eles não ficarem sem graça! Eu amo essa turma.
  • Conheci Clermont Ferrand, Sisteron e Orleans, na França. Três cidades lindas.

  • Passei um domingo inteiro num café conversando e fazendo projetos com uma amiga! Um domingo inteiro ! Num café! Conversando!
  • Escrevi para a presidente (do Brasil) dando algumas sugestões – sempre de forma cordial e respeitosa –  e para a prefeita (de Avignon) também dando outras sugestões. Nenhuma das duas me acolheu. Mas não desistirei.
  • Conheci uma pessoa que conhece uma pessoa que conhece a atriz que fez Amelie Poulain! Estou chegando perto do meu sonho.
  • Fui chamada pela Flavia Calina (vlogger sobre educação infantil) para um café com ela (mas não pude ir) ! Convite via e-mail. Foi outro sonho. Que infelizmente ficou distante.
  • Reencontrei meus alunos 10 anos depois do fim das aulas! E foi maravilhoso! Maravilhoso!
  • Fui fotógrafa do casamento de uma amiga em Nimes, na França. Ela se casou vestida de By My Hands e foi a nossa noiva modelo!

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  • Reencontrei o lado perdido da minha família na Itália. E vivi um dos dias mais gloriosos da minha vida ! Eles nos receberam de braços abertos, como se nunca tivéssemos separado. Sangue do meu sangue!
  • Pela primeira vez deixei um bilhete para o lixeiro. E alguém deixou presentes pra mim na porta de casa. Não nessa ordem.
  • Fizemos um jantar totalmente vegano lá em casa com excelente adesão. Em outro dia, produzimos um enorme encontro de thanksgiving onde cada um dos 26 convidados levou pelo menos uma notícia boa. E finalmente, fizemos outro jantar com gente do mundo inteiro, onde cada um contou sobre o que amava em seu país. A vida faz muito mais sentido pra mim quando esses encontros acontecem.
  • Assisti a um evento pelo skype, graças a minha prima querida que ficou segurando o telefone enquanto eu via o resto da família participar.
  • Aceitei um convite para tomar um chá com estranhos que conheci na rua, num domingo de tarde (eram um casal). E como não senti que a situação era forçada, aceitei. Foi ótimo!
  • Conheci a sala Minas Gerais em Belo Horizonte com uma orquestra sensacional e bati palma até parar de sentir as mãos !
  • Aprendi a fazer sabão e fiz ! Valorize o seu sabonete artesanal, viu?!
  • Perdi um avião (por culpa da companhia) e conheci uma turma muito legal com quem passei quase 24h conversando!
  • Escrevi 33 textos no projeto « 33 textos antes dos 33 anos » em 33 dias. Estão todos aqui no blog, ou com links para eles. Criei a página escrevo.me onde coloco alguns textos e projetos para ficar com uma cara profissional!
  • Aderi ao Low Poo (uso reduzido de shampoo) e gostei do resultado! A gente se faz mal achando que estamos fazendo bem. Não precisamos esfregar tanta coisa no couro cabeludo para ele ficar limpo. Sério.
  • Tive uma reunião profissional em Paris, o que me fez sentir extremamente feliz ! E mais adulta do que nunca!
  • Fui almoçar na casa da moça que trabalhou por anos na casa da minha avó e aprendi muita coisa com a simplicidade da cozinha dela que deixa a comida no ponto certo (pro meu paladar!).
  • Gravei um podcast com as minhas amigas ! Agora estamos esperando o aparelho em que foi gravado ajudar para conseguirmos publicar.
  • Presenciei um casamento lindo de pessoas de mais de sessenta anos se casando pela primeira vez !
  • Participei de um flashmob, pela semana da gentileza. Finalmente! Fazia tempo que eu queria viver esse nunca.

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Feliz 2016, amigos! Sejamos maiores que os nossos problemas.

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Não somos hamsters: a amizade com o sexo oposto

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Quando eu era pequena, sempre que pedia um cachorro pra minha mãe, ganhava um passarinho, um coelho, um girino, uma cobra, um pato, uma galinha, uma chinchila, uma codorna, tudo, menos um cachorro.

Certa vez, ganhei dois hamsters. E esperta que era, escolhi um macho e uma fêmea, para ficarem amigos.48csv

Fomos lá naquele espaço asqueroso do Mercado Central de BH, que hoje é investigado pela CPI dos maus tratos, e compramos um casal. Naturalmente, eles desenvolveram uma relação muito mais estreita que uma amizade e em um mês a gente tinha 24 hamsters. A nossa casa parecia um laboratório de cosméticos, com a diferença que a gente tratava bem dos bichinhos e não lucrava com eles. Todos os meus amigos ganharam hamsters de presente. E aprendemos uma lição: Hamsters são lindos, fofos e inteligentes, mas não são como os humanos. E por que isso?

Porque se você coloca um macho e uma fêmea juntos, os feromônios dos hamsters serão mais fortes que qualquer outra coisa e eles vão se reproduzir. Muito! Com seres humanos normais a situação pode ser diferente.

Minha prima tem um grande amigo há mais de dez anos. Eles são tão amigos que se apresentam como irmãos. Durante anos, eles aguentaram perguntas sobre a honestidade daquela amizade. Ontem, na hora do almoço, estavam explicando que finalmente estão namorando pessoas que entendem a diferença de amizade para paquera.

Tem limites? Tem. Mas a amizade entre homem e mulher (ambos heteros) é possível. E é muito enriquecedora! Por que eles não namoram? Porque não querem. Porque estão apaixonados por outras pessoas, porque a relação deles é de amizade e ficou por isso mesmo. Ou simplesmente, porque não estamos falando de hamsters!

Minha tia avó estava almoçando com a gente também. Ela viveu anos casada com meu tio que era uma pessoa adorável, mas ainda com dificuldades de entender sobre relacionamentos. Não deixava ela sair sem ele, não deixava ela viajar, não gostava nem de convidar muita gente pra casa deles. Manias dele e de uma época, mas que influenciavam muito na vida dela. Depois que ela ficou viúva, apesar da saudade imensa, ela conheceu um outro lado da vida. Andou de avião pela primeira vez, foi para a Italia, mudou sua forma de vestir, de fazer projetos pra vida e até de andar.

Durante a conversa do almoço ela pediu para falar. Disse que realmente, não via nenhum problema nessas relações. Contou que tem um vizinho que é viúvo também e que eles se cumprimentam na rua e trocam algumas palavras de vez em quando. Bastou isso para uma vizinha patrulheira vir falar com ela que as pessoas poderiam interpretar mal aquela história. Ora… quando foi que perdemos o direito à amizade?

Uma pessoa viúva com certeza precisa de muitos amigos para superar esse momento. É cruel querer que ela fique sozinha, vivendo de memórias, quando poderia se apoiar em tanta gente, dos dois sexos, até com problemas parecidos, para vencer essa dor.

Em Belo Horizonte não tenho muitos amigos homens (héteros). Tenho um ou outro, que desaparecem quando começam a namorar. Não sei se por medo das namoradas ou de outros patrulheiros. Mas desaparecem (o que me dá certa preguiça, apesar de já ter feito isso também quando tive um energúmeno como namorado, mas passou).

Em Avignon, dei sorte de ter muitos amigos (homens e mulheres). Tomo o cuidado de sempre demonstrar a maior consideração com as namoradas dos amigos. Procuro sempre mandar um abraço pra elas quando envio alguma mensagem pro celular deles. Se tem festa, ou algum evento, convido os dois. Converso com os dois, sou gentil com os dois e não fico encostando muito em nenhum deles! Hehe! Na verdade, acho ótimo poder agregar as namoradas e namorados na turma. Vejo que isso conta muitos pontos pra alegria de um casal, em qualquer parte do mundo. E a gente só tem a ganhar.

Aceitar que é possível uma amizade entre sexos opostos pode ser muito construtivo pra sociedade. E é claro, tem casos e casos. Algumas pessoas abusam? Abusam. Algumas pessoas não são confiáveis? De fato. Tem gente que podendo ser gente, escolhe ser hamster. E nessa hora, minha amiga, o meu faro é de albatroz.

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Mais:

Foto meramente ilustrativa retirada daqui

Investigação do Mercado Central na CPI dos maus tratos de animais em BH 

A indústria cosmética e os testes em animais

Os ligados em números e os desligados

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Só quando me mudei para a França aprendi uma coisa sobre Alexis que ainda não tinha percebido: Ele dava muita importância para quantidades, números, essas coisas. Por exemplo, ele só assistia vídeos no youtube que milhões de pessoas já assistiram. E para me fazer ver, ele usava o mesmo argumento « veja esse vídeo, milhões de pessoas já viram ! Milhões ! ».

Durante o festival de teatro, ele ia nos teatros que estavam sempre lotados, que tinham fila na porta. Um festival com mais de mil peças por dia e ele animado a ficar numa fila para ver uma peça que todo mundo já conhecia. Eu queria as peças que ninguém tinha visto, as peças em que minhas palmas iriam realmente fazer a diferença. Ele queria ser só mais um entre milhares de espectadores de uma produção que considerava garantida.

Meu pai, mesma coisa. Meu pai nunca entra num restaurante que está vazio. Ele fala que isso é mal sinal, que a comida deve estar estragada, que o serviço deve ser ruim. Amo papai, mas ouso discordar. Na minha vida, concluí o contrário. Entrar em restaurante vazio, para mim, é dar uma chance pra quem está começando, ou pra que não soube ou não quis fazer marketing como os outros. Na maioria das vezes o restaurante é tão bom ou melhor que o lotado. Além disso, a gente sente que deixa o doninho ou a doninha do estabelecimento muito felizes com esse estímulo. Também percebi que basta uma pessoa ou um casal aceitar entrar nesses lugares vazios que muitas pessoas criam coragem e entram também. Esse é o valor do primeiro seguidor.

No facebook, quando uma postagem não tem likes, ela não vale nada. Basta a primeira pessoa curtir, várias outras curtem e aí começa a reação em cadeia. É igual dinheiro que atrai dinheiro. Paquera que atrai paquera. Oportunidade que atrai oportunidade. É igual o primeiro abraço do Free Hugs, ou as palmas no pouso do avião. Basta um começar, o colega do lado segue e os passageiros todos aplaudem a maravilha que é chegar vivo no destino.

É de cortar o coração ver como somos desconfiados para dar uma chance e eu sei que temos também outros motivos para desconfiar, mas tente ir pelo seu coração mais que pelos números algumas vezes. Eu, por exemplo, quantas vezes precisei de uma chance… Precisava que alguém aceitasse ser o meu primeiro cliente, o primeiro like, o primeiro chefe, o primeiro sorriso do dia, o primeiro a gostar do que tenho a oferecer, o primeiro a concordar comigo na discussão sobre vegetarianismo. Todo mundo precisa de uma mão estendida, meu amigo. Todo mundo precisa!

Para números e auês sou meio desligada. Não sou muito boa de gritar « oi, olha pra mim, olha só como eu sou muito muito boa nisso que estou fazendo », deveria ser muito melhor, mas tenho sido ótima para reconhecer outros que também não são muito fortes nessa, e são muito muito bons no que estão fazendo!

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Mais:

Vídeo Free Hugs

Vídeo sobre o first follower (dica da minha amiga Silvinha!)

Vídeo das pessoas que sobem no palco convidadas pela banda Nouvelle Vague. O difícil foi ser o primeiro, depois muita gente sobe. Apareço no vídeo!

Meu site que tenta dizer “Olha, eu trabalho com isso”