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Arquivo do dia: dezembro 15, 2015

Os ligados em números e os desligados

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Só quando me mudei para a França aprendi uma coisa sobre Alexis que ainda não tinha percebido: Ele dava muita importância para quantidades, números, essas coisas. Por exemplo, ele só assistia vídeos no youtube que milhões de pessoas já assistiram. E para me fazer ver, ele usava o mesmo argumento « veja esse vídeo, milhões de pessoas já viram ! Milhões ! ».

Durante o festival de teatro, ele ia nos teatros que estavam sempre lotados, que tinham fila na porta. Um festival com mais de mil peças por dia e ele animado a ficar numa fila para ver uma peça que todo mundo já conhecia. Eu queria as peças que ninguém tinha visto, as peças em que minhas palmas iriam realmente fazer a diferença. Ele queria ser só mais um entre milhares de espectadores de uma produção que considerava garantida.

Meu pai, mesma coisa. Meu pai nunca entra num restaurante que está vazio. Ele fala que isso é mal sinal, que a comida deve estar estragada, que o serviço deve ser ruim. Amo papai, mas ouso discordar. Na minha vida, concluí o contrário. Entrar em restaurante vazio, para mim, é dar uma chance pra quem está começando, ou pra que não soube ou não quis fazer marketing como os outros. Na maioria das vezes o restaurante é tão bom ou melhor que o lotado. Além disso, a gente sente que deixa o doninho ou a doninha do estabelecimento muito felizes com esse estímulo. Também percebi que basta uma pessoa ou um casal aceitar entrar nesses lugares vazios que muitas pessoas criam coragem e entram também. Esse é o valor do primeiro seguidor.

No facebook, quando uma postagem não tem likes, ela não vale nada. Basta a primeira pessoa curtir, várias outras curtem e aí começa a reação em cadeia. É igual dinheiro que atrai dinheiro. Paquera que atrai paquera. Oportunidade que atrai oportunidade. É igual o primeiro abraço do Free Hugs, ou as palmas no pouso do avião. Basta um começar, o colega do lado segue e os passageiros todos aplaudem a maravilha que é chegar vivo no destino.

É de cortar o coração ver como somos desconfiados para dar uma chance e eu sei que temos também outros motivos para desconfiar, mas tente ir pelo seu coração mais que pelos números algumas vezes. Eu, por exemplo, quantas vezes precisei de uma chance… Precisava que alguém aceitasse ser o meu primeiro cliente, o primeiro like, o primeiro chefe, o primeiro sorriso do dia, o primeiro a gostar do que tenho a oferecer, o primeiro a concordar comigo na discussão sobre vegetarianismo. Todo mundo precisa de uma mão estendida, meu amigo. Todo mundo precisa!

Para números e auês sou meio desligada. Não sou muito boa de gritar « oi, olha pra mim, olha só como eu sou muito muito boa nisso que estou fazendo », deveria ser muito melhor, mas tenho sido ótima para reconhecer outros que também não são muito fortes nessa, e são muito muito bons no que estão fazendo!

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Mais:

Vídeo Free Hugs

Vídeo sobre o first follower (dica da minha amiga Silvinha!)

Vídeo das pessoas que sobem no palco convidadas pela banda Nouvelle Vague. O difícil foi ser o primeiro, depois muita gente sobe. Apareço no vídeo!

Meu site que tenta dizer “Olha, eu trabalho com isso”