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Arquivo da categoria: Aula de Francês

Só mais uma terça-feira

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Durante toda a minha vida terça-feira sempre foi o dia mais apertado.

Hoje eu acordei 6h da manhã, me aprontei, fiz todos os exercícios de francês até a hora da aula (8h). Cheguei na aula, assisti um tumulto em razão da didática da professora e aproveitei para dar sugestões. Voltei pra casa. Cozinhei o que tinha pro meu almoço. Enviei uns e-mails importantes. Fui pra aula de hip hop onde não tenho e não consigo fazer amigos. Voltei e tomei banho. Arrumei minha mochila, fui encontrar a Margarita para caminharmos até o voluntariado juntas. Cuidei das crianças. E depois voltei pra casa. Esquentei meu jantar e entrei no Skype pra falar com a família. Agora cá estou.

O mais incrível do dia é que antes de fazer qualquer uma dessas coisas, uma voz irritante dentro da minha mente me dizia “não vá, você não precisa fazer isso”. Na verdade, até dizia de forma menos conjugada e menos simpática (se é que isso foi simpático). Antes de fazer os exercícios de francês, eu cogitei não precisar e cogitei que ninguém ficaria sabendo também. Antes de tomar partido na discussão da sala (sem agredir) uma voz me disse “você não precisa dar a sua opinião, alguém já vai falar por você”. Mas outra voz dizia que era um risco plausível que correr! Antes de ir pro Hip Hop, então, muitas vozes tentaram me convencer que aquela aula é profissional demais, que eu me sinto sozinha demais lá, e que quando erro os passos não tem ninguém que ri comigo. O mais grave, talvez, tenha sido antes de ir até a associação do voluntariado: Tentaram me convencer que eu sofro bullying das próprias crianças que eu ajudo. Que eles criticam o meu francês, talvez até o meu peso e que nunca entendem meu nome.

Mas a verdade é que foi tudo ótimo! Na aula de dança, aprendi um passo que há muitos e muitos anos tinha curiosidade de rever alguém fazendo e aprendê-lo. E hoje aconteceu! No voluntariado, hoje, fizemos jardinagem e eu pude ajudar e aprender a revitalizar o canteiro da biblioteca pública que é próxima da escola. Além disso, ainda tive o serviço de pedir licença para os traficantes que ficam sentados em cima das plantas, sujando tudo em plena luz do dia!

Na vida virtual, meus amigos mais próximos se engajaram num projeto para aumentar o apetite da minha avó paterna que anda se alimentando menos que o necessário por falta de estímulos. Fizemos o “Bom apetite, vovó!”, em que enviamos para ela vídeos que nos mostram  comendo coisas saborosas pelo mundo inteiro. Um projeto engordativo para quem está de regime e muito gostoso para quem não deve desistir de comer. Nosso lema é: Se vovó perde o apetite, a gente encontra.

E a minha alegria do dia também foi ter revistos meus pais, mesmo que pela tela do PC.

Mas meu maior triunfo foi ter visto esse pensamento de falta vontade se fazer presente mil vezes e mesmo assim ver que conquistei tudo que estava programado, com direito a boas surpresas!

Uma boa noite pras vozes na minha cabeça!

Jardinagem1 Jardinagem2 HipHOp

Uma prova final para começar

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Sábado agora é minha última prova do primeiro semestre de Francês.

Eu adorei ter entrado para essa escola por dois motivos: 1) é tão óbvio que nem deveria falar, mas é aprender francês; 2) meus colegas.

Minha turma, talvez pelo caráter principiante que deixa todo mundo no mesmo nível, se deu muito bem. Fizemos lembrancinhas pro bebê da nossa amiga que nasceu no fim do curso, marcamos amigo oculto (algo que geralmente não me atrai) e até procurar emprego um com o outro a gente procurou. Eles realmente me inspiraram simpatia e acho que um dos fatores tem a ver com o primeiro fator que é o de aprender francês. Tenho uma teoria de que quem vai aprender francês ou é muito chato e quer saber falar coisinhas complicadinhas só para aparecer, mas teve preguiça de estudar alemão OU é muito legal e realmente admira coisas legais da França como a eterna admiração pela liberdade, pela igualdade, pela fraternidade, o croissant…a torre Eifel o buldogue francês, a Amelie Poulain e o Victor Hugo. Ou seja! Eu dei sorte que na minha turma só tinha esse tipo de gente.

Então, no sábado, como estive viajando pelo Brasil na última semana, vou fazer a segunda chamada da prova de Francês. A questão é que eu ainda estou meio tensa para falar. “Como se tivesse um ovo na minha garganta”, diz minha amiga Silvinha ao expressar que também tem dificuldade de formular frases no idioma de Voltaire.

Mas estou tranquila que esta prova final é só o começo de uma longa carreira de estudante. Depois de 10 anos de faculdade, estava com saudade de ter arrepios antes de uma prova final.