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Um canal no youtube pro Saída à Francesa

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Minha admiração pelo youtube só cresce. Me lembro que a primeira vez que tomei contato com essa ideia, fiquei muito assustada. Eram cenas de violência, escatologia, só coisa repulsiva Cheguei a ficar muito desconfiada de tudo que vinha do youtube. Dá pra acreditar que isso foi há apenas dez anos?

Depois, ao longo do tempo, fomos nos conhecendo melhor. Aprendi que podia contar com o youtube como uma ferramenta de aprendizado para cozinhar, para limpar coisas difíceis, para esconder as olheiras, para estudar Direito, para ver patinação no gelo, para rir, para chorar, para ver documentários, relembrar cenas de filmes, ouvir música e aí! Descobri uma nova função: para conhecer pessoas.

Vivendo em outro país, senti muita necessidade de conhecer a experiência de outras pessoas que, assim como eu, viviam em países diferentes. Conheci o Canal da Cintia Disse que vivia no Canadá, da Flávia Calina, que vive nos EUA, da Gisele Dal Pai que vive em Londres, da Cacau que vive na Suíça e tantos outros. Depois disso conheci outros canais, sobre temas que me interessavam muito também: Educação, Economia, Direito, Biologia, Vegetarianos, Universo da mulher, Consumo Inteligente, Conflitos políticos, etc etc. Conheci canais franceses, americanos, italianos, espanhóis. Gente do mundo todo que, de alguma forma, coincidia ou me acrescentava em algo. A solidão de não ter muitos amigos presentes aqui na França era compensada pela companhia dos youtubers que, generosamente, ensinavam o que sabiam (sim, porque são raros os que podem viver disso, a maioria faz por gosto de compartilhar mesmo). E mesmo após encontrar amigos, era uma alegria descobrir que apreciávamos os mesmos canais. Televisão virou raridade na minha vida. O que as pessoas reais tinham para ensinar parecia mais especial, e mais real (alguns enganam bem, mas acredito que a maioria seja sincera ainda!).

E eu, com minha mania de blogs, pensei que talvez pudesse ampliar isso, vencer um pouco mais esse medo e tentar contar e mostrar as coisas que julgo importantes de outra forma.

Foi aí que criei o canal do meu outro blog, Direito é Legal, e agora crio o deste blog Saída à Francesa, com cenas feitas do celular ou máquina, edição linear ou não.

Espero que goste, mas mesmo se não gostar, espero que possa aprender alguma coisa. Que seja uma pequena porção de bem para o seu dia, como tantos outros canais o são para mim!

Aí vai.

O canal!

O último vídeo:

Quero chamar atenção

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A França é uma delícia. E é também o lugar perfeito para fazer um tanto de coisa que não me atrai, como comer carne semi-crua, fumar, cozinhar uma lagosta, fumar, caçar animais na floresta, fumar, jogar poker, fumar, e outras coisas lícitas e ilícitas que eu particularmente morro de dó.

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No outro lado dessa salada completamente parcial, há algumas coisas que deveriam chamar mais atenção dos franceses e, no entanto, não atraem tantos. O chocolate é uma delas. São sempre os mesmos… Pentear o cabelo é outra. E o mais intrigante: a atenção, por exemplo, é um valor pouco cultivado. “Atenção” no sentido de “prestar atenção”e não de “dedicar uma atenção”, que é outra história!

Sem querer citar nomes, existe uma pessoa que eu conheço que adora cozinhar, mas esquece sempre o fogão ligado com o fogo baixo esquentando o nada e o forno, que deveria estar funcionando, desligado. Uma outra pessoa que eu também não vou citar o nome, se avacalhou com os presentes de fim de ano e deu um brinquedo escolar para o amigo adulto e um isqueiro superpotente para a filha do chefe (de oito anos). Outra pessoa, também inominada, esqueceu de olhar a estação correta do trem, mesmo após duas confirmações, e perdeu a caríssima passagem para Paris. E, por último, ainda tem uma outra pessoa, que me ligou quinhentas vezes para confirmar uma ida no cinema, quando o filme já tinha começado há meia hora. Ah, e claro, tem duas pessoas, que insistem em esquecer a porta da nossa casa completamente aberta. Certa vez acordei, passei em frente e não acreditei. Estava lá a porta escancarada, após uma noite inteira, convidando todo o mundo para entrar. Que alegórico!

Alguns franceses não se dão conta de algumas coisas de primeira necessidade como fechar gavetas. Mas a falta do clique também vale para outras nacionalidades, que não vou dizer quais. Só digo que confundiram o horário de inverno da França, com o horário de verão do Brasil e ao invés de atrasarem o relógio uma hora, adiantaram uma hora. O resultado foi que chamaram atenção do funcionário que teria “chegado fora da hora”, e chegaram uma hora antes no almoço da turma, estranhando como os outros puderam se fazer tão atrasados…

Vocês aí que são desse jeito! Beijo para vocês. Adoro-los!

A atenção é sim um acessório importante para a vida. Veja só, imagine uma mãe que esquece de buscar o filho na escolinha. Ou um engenheiro que deixa uma chave ligada na hora da manutenção. Diria que é essencial! Mas eu, sem desculpas, não estou livre de perdê-la por várias algumas vezes. Sempre chamo a Vanessa de Fernanda e a Fernanda de Vanessa e confundo todas as palavras em todas as línguas que deveria saber. Na primeira prova do semestre passado, ao invés de escrever que era uma sonhadora, escrevi que era uma “deleitadora” ou “orgia”, dependendo da tradução. O mais recente é que eu confundo “lenço de papel” (mouchoirs) com a palavra “mentira” (mensonge) e digo em alto e bom som que preciso de mais mentiras.

Não preciso.

Quem precisa delas?

Essas pessoas que gostam de jogar poker!

ps. A foto que ilustra o texto é de minha autoria durante a festa do vinho e só está aí para chamar atenção!

Lost in Translation – 1

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Eu e minha colega também brasileira entramos para o coral! Muito embora nosso francês tenha evoluído, nossa compreensão ainda não é 100% fluente. Então a professora de música explicava sobre alguma validação. Mas tudo que eu conseguia ouvir era “para validar les oef… para validar les oef”e perguntei pra minha amiga “validar o quê?”. Ela toda séria “validar os ovos!”.

Outro diálogo. Sem citar nomes!

– Conheci meu namorado nas ilhas maurício. – Pessoa 1

– Onde foi que ela disse que conheceu ele? – Pessoa 2

– Nas Ilhas Maurício. – Pessoa 3.

– E onde fica isso? – Pessoa 2

– No meio do mar! – Pessoa 3.

Há um outro fato interessante, mas que é mais simples contando do que colocando em diálogos. Aqui na França, para tudo você tem que ter uma conta no banco. O problema é que, para ter uma conta no banco, você precisa ter quase tudo. Então, um amigo foi tentar abrir uma conta no banco, mas o banco não aceitou porque ele não tinha comprovante de residência. Ele foi tentar comprar uma casa, mas o vendedor não aceitou porque ele não tinha comprovante de renda. Então ele foi arrumar um emprego, mas disseram que ele não poderia ser aceito enquanto não tivesse uma conta no banco. E é assim a bola de neve. O diálogo deste, deixo para a criatividade de cada um.