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Arquivo da categoria: nada a ver

Não somos hamsters: a amizade com o sexo oposto

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Quando eu era pequena, sempre que pedia um cachorro pra minha mãe, ganhava um passarinho, um coelho, um girino, uma cobra, um pato, uma galinha, uma chinchila, uma codorna, tudo, menos um cachorro.

Certa vez, ganhei dois hamsters. E esperta que era, escolhi um macho e uma fêmea, para ficarem amigos.48csv

Fomos lá naquele espaço asqueroso do Mercado Central de BH, que hoje é investigado pela CPI dos maus tratos, e compramos um casal. Naturalmente, eles desenvolveram uma relação muito mais estreita que uma amizade e em um mês a gente tinha 24 hamsters. A nossa casa parecia um laboratório de cosméticos, com a diferença que a gente tratava bem dos bichinhos e não lucrava com eles. Todos os meus amigos ganharam hamsters de presente. E aprendemos uma lição: Hamsters são lindos, fofos e inteligentes, mas não são como os humanos. E por que isso?

Porque se você coloca um macho e uma fêmea juntos, os feromônios dos hamsters serão mais fortes que qualquer outra coisa e eles vão se reproduzir. Muito! Com seres humanos normais a situação pode ser diferente.

Minha prima tem um grande amigo há mais de dez anos. Eles são tão amigos que se apresentam como irmãos. Durante anos, eles aguentaram perguntas sobre a honestidade daquela amizade. Ontem, na hora do almoço, estavam explicando que finalmente estão namorando pessoas que entendem a diferença de amizade para paquera.

Tem limites? Tem. Mas a amizade entre homem e mulher (ambos heteros) é possível. E é muito enriquecedora! Por que eles não namoram? Porque não querem. Porque estão apaixonados por outras pessoas, porque a relação deles é de amizade e ficou por isso mesmo. Ou simplesmente, porque não estamos falando de hamsters!

Minha tia avó estava almoçando com a gente também. Ela viveu anos casada com meu tio que era uma pessoa adorável, mas ainda com dificuldades de entender sobre relacionamentos. Não deixava ela sair sem ele, não deixava ela viajar, não gostava nem de convidar muita gente pra casa deles. Manias dele e de uma época, mas que influenciavam muito na vida dela. Depois que ela ficou viúva, apesar da saudade imensa, ela conheceu um outro lado da vida. Andou de avião pela primeira vez, foi para a Italia, mudou sua forma de vestir, de fazer projetos pra vida e até de andar.

Durante a conversa do almoço ela pediu para falar. Disse que realmente, não via nenhum problema nessas relações. Contou que tem um vizinho que é viúvo também e que eles se cumprimentam na rua e trocam algumas palavras de vez em quando. Bastou isso para uma vizinha patrulheira vir falar com ela que as pessoas poderiam interpretar mal aquela história. Ora… quando foi que perdemos o direito à amizade?

Uma pessoa viúva com certeza precisa de muitos amigos para superar esse momento. É cruel querer que ela fique sozinha, vivendo de memórias, quando poderia se apoiar em tanta gente, dos dois sexos, até com problemas parecidos, para vencer essa dor.

Em Belo Horizonte não tenho muitos amigos homens (héteros). Tenho um ou outro, que desaparecem quando começam a namorar. Não sei se por medo das namoradas ou de outros patrulheiros. Mas desaparecem (o que me dá certa preguiça, apesar de já ter feito isso também quando tive um energúmeno como namorado, mas passou).

Em Avignon, dei sorte de ter muitos amigos (homens e mulheres). Tomo o cuidado de sempre demonstrar a maior consideração com as namoradas dos amigos. Procuro sempre mandar um abraço pra elas quando envio alguma mensagem pro celular deles. Se tem festa, ou algum evento, convido os dois. Converso com os dois, sou gentil com os dois e não fico encostando muito em nenhum deles! Hehe! Na verdade, acho ótimo poder agregar as namoradas e namorados na turma. Vejo que isso conta muitos pontos pra alegria de um casal, em qualquer parte do mundo. E a gente só tem a ganhar.

Aceitar que é possível uma amizade entre sexos opostos pode ser muito construtivo pra sociedade. E é claro, tem casos e casos. Algumas pessoas abusam? Abusam. Algumas pessoas não são confiáveis? De fato. Tem gente que podendo ser gente, escolhe ser hamster. E nessa hora, minha amiga, o meu faro é de albatroz.

***

Mais:

Foto meramente ilustrativa retirada daqui

Investigação do Mercado Central na CPI dos maus tratos de animais em BH 

A indústria cosmética e os testes em animais

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Qual é a sua lógica?

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Acho engraçado o quão sem sentido podem ser algumas conclusões humanas.

No final do ano passado fiz uma pequena coleção de momentos que me pareciam ilógicos. Depois aumentei um pouco a lista. E até hoje ela continua sem sentido para mim. Mas o pior é que todos já fomos vítimas alguma vez de uma reação ilógica. Redobremos a atenção!

Segue:

Minha religião é amor, odeio gente diferente. Não confio em ninguém, vou entregar todo meu dinheiro para o gerente do banco fazer aplicações. Gosto de você, não vou te avisar sobre a couve no seu dente. Não gosto do nordeste, vou para Trancoso nas férias. Quero emagrecer, me vê um refrigerante. Estou triste, aproveito para deixar outras pessoas mais tristes ainda. Estou feliz, não quero mais ninguém feliz. Quero ser acadêmico, vou matar várias aulas e ir pro bar. Sou vegetariano, me passe o peixe. Não gosto de corrupção, vou votar no partido que estava no poder anteriormente. Estou com calor, cadê meu casaco. Confirmei minha presença, não vou. A porta do banheiro está fechada e uma pessoa desapareceu da festa, o banheiro está vazio.

(essa lista poderá/será ampliada com o tempo!)

Realistas?

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Qual a diferença entre uma pessoa realista e a uma pessoa que acha que conhece a realidade?

A pessoa realista é reconhecida pelas demais pessoas realistas do seu entorno. A pessoa que acha que conhece a realidade é reconhecida por outras como ela e chamada de realista.

A pessoa realista não precisa se auto-denominar realista, ela já é. A outra também não precisa porque não é.

Então como saber quando se trata de um realista e quando é somente alguém confundido como tal?

É preciso um realista para isso!

Mas também pode ser possível uma avaliação da história e dos comentários de tal ao longo de um período considerável de tempo. Mas, novamente, uma avaliação realista.

Que texto estranho, sejamos realistas…

 

 

É melhor não sentar

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Uma amiga minha, médica, fazia mestrado em ergonomia. Perguntei a ela qual era a melhor posição para o corpo humano ficar. Ela riu e respondeu « a melhor posição é aquela que você pode trocar ». Ou seja, o corpo precisa de movimento. Mesmo quando está em repouso, o corpo precisa trocar de posição. Você já deve ter vivido a experiência de dormir tanto que começou a ter dor nas costas, ou de ficar tanto tempo sentado no carro que começou a sentir suas nádegas quadradas. Ou tanto tempo em pé que sua panturrilha começa a querer solta das pernas. Sabe que basta mexer um pouco e mudar de posição que a dor passa, né!

A inércia absoluta faz um mal danado. Eu arriscaria a dizer que é o pior mal que qualquer pessoa pode fazer a si mesma. Mas o movimento intenso, convenhamos, também não é pra qualquer um. Nesses dias de férias, caminhei bastante, fizemos tudo que pudemos a pé. No fim do dia, meu pé, depois de ir pra cama, não aguentava mais pisar no chão. Parecia que ele gritava cada vez que encostava no solo. Gente, por que isso? Eu me acho relativamente nova para ficar me preocupando em colocar as costas no lugar, dormir com os pés pra cima, pintar os cabelos brancos. Mas estou vendo que essas coisas tem cruzado a minha mente com mais frequência do que o normal. É isso que é envelhecer? Isso e dificuldade de usar Snapchat. Dois sinais.

Li na internet que a gente deveria evitar ao máximo ficar mais de 3h sentados por dia. Mas, bah… eu te desafio a me apontar uma pessoa que fique menos de 3h por dia sentada…. Estou tentando lembrar aqui. Tem a Eliete. Eliete faz faxina e não senta nem pra comer. Eliete é forte. Impressionante! Tem o Pierrot, que foi meu chefe no restaurante de Avignon. Ele ficava no caixa o dia inteiro. Em pé. Sendo simpático com as pessoas. Acho que a única hora que ele sentava no dia era para dirigir pra comprar mais material pro restaurante. E não consigo lembrar de outro.

A gente se conformou tanto com uma vida sedentária que acha normal que, num mundo grande e maravilhoso como esse, possamos passar a maior parte do nosso dia sentados.

Eu não iria ao extremo de declarar que o máximo de três horas é desejável. Mas depois de 8h de trabalho (que muitas vezes é feito sentado), acho lamentável que a gente (eu inclusive) ainda passe mais umas 3h, 4h sentados na frente de uma tela (ou de TV, ou de computador, ou de celular).

Pensei em algumas pequenas ações que possamos mudar para fazer nossos corpos mexerem um pouco mais e com isso, talvez, nossa saúde ter mais qualidade. Por favor, me ajude a aumentar essa lista.

  • Pegar escadas sempre que possível. Elevadores e escadas rolantes são para quem está com peso nas mãos, ou mobilidade reduzida. Além de melhorar seu corpo, você economiza energia elétrica.
  • Fazer step no meio fio enquanto estiver esperando o ônibus (cuidado pra não avalhar o trânsito, tente um degrauzinho tranquilo).
  • Assistir TV fazendo bicicleta ergométrica ou algum alongamento. Por que não?
  • Brincar de surfe dentro do ônibus ao invés de sentar. Essa atividade exige que suas mãos estejam livres, e o surfe não pode ser incômodo para os demais e deve ser bem discreto, mas tente pra você ver como é divertido.
  • Andar pequenas distâncias à pé ao invés de pegar táxi, carona, carro ou ônibus. Certifique-se que é possível caminhar em segurança. Muita gente sugere descer um ponto antes quando pega ônibus. Pode ser uma boa também.
  • Essa dica usei uma vez numa entrevista de emprego: a moça me mandou esperar sentada na sala de reunião. Eu esperei em pé, andando entre uma cadeira e outra num passo tranquilo. Quando o advogado chefão entrou na sala, ficou muito bem impressionado com o fato de eu ser « muito ativa » (haha), mas aquele trabalho não deu pra aceitar.
  • Quando estiver em trem, avião, esses meios de transporte de longas distância, tente uma desculpa tipo ir no banheiro para levantar de hora em hora. Só pra mexer mesmo.
  • Quando fui babá da Rita (filha de uma amiga querida) gostava de ninar ela andando. O balanço do andar fazia o bebê dormir e era mais confortável que sentar.
  • Tem gente que escova os dentes andando, tem gente que fala no telefone caminhando, tem gente que lê andando. Dependendo do seu nível de atenção múltipla, tudo pode ser possível.

Pronto, acabaram-se as dicas anti-sedentarismo dessa esportista que eu sou (é pra você rir depois que eu falei isso). Se nada der certo, procure um osteopata ou quiropraxista. Boa sorte!

 

Vruuum

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Tenho só 20% de bateria restante. E o texto tem que ser escrito e publicado neste tempo. De que você falaria se só tivesse alguns minutos para falar ?

Eu também estou na dúvida. Afinal, não são (espero) minhas últimas palavras. São apenas as últimas palavras deste dia. Estou na dúvida se conto meu dia, se conto minha semana, meu mês, se falo umas coisas engraçadinhas, ou se romantizo tudo.

O que percebi agora é que, porque não posso errar, estou errando muito. A cada frase, tenho que apagar umas três palavras.

Isso é péssimo. Já era para eu estar acostumada com isso. Meu avô paterno tinha um costume engraçado, mas que fazia muito sentido. Na época dele usava-se máquina de escrever. Quando alguém errava uma palavra, o papel inteiro ia pro lixo e tinha que recomeçar. Ele dizia para a digitadora « vai devagar que tô com pressa ». Adoro essa lógica! Porque a pressa na minha vida não é muito amiga das coisas bem feitas. Mas o muito devagar também não. Tem um ritmo que combina mais comigo que os outros. E hoje, na pressa de aproveitar o restinho de bateria, minha dança tá diferente.

Minhas últimas palavras de hoje bem que poderiam ser sobre a pressa. De repente posso falar de pressa para pegar trem, ônibus, aviões. Já vivi todas elas e já vi umas boas também. Meu tio já quebrou o dedo trombando com outra pessoa que corria pra pegar ônibus. Os caras do lixo já trombaram comigo na porta de casa naquela corrida deles. Teve uma vez que, sendo estagiária de Direito de manhã e publicitária de tarde, corri atrás de um ônibus na saída da Justiça Federal que tinha uma propaganda feita por mim na parte trazeira. Achei a maior emoção. Hoje foi o meu dia de correr para pegar trem, para honrar o velho ditado de que mineiro não perde trem (e eu já perdi um porque estava conversando e rindo enquanto ele passava)! No sol escaldante destes dias, correr com mala é tarefa pra maratonista. Mas conseguimos, e o alívio só chega uns vinte minutos depois de sentadas no trem. Vou ter que deixar mais casos para uma próxima oportunidade. Tenho que ir.

Aliás, é sempre assim quando a gente está com pressa, né ?! Tenho que ir, passa lá em casa depois. Tô na correria, anota meu número! Uma vez desci do ônibus anotando o número de telefone de um amigo. Ele continuou gritando da janela os números e eu anotando da rua. Quando virei, o pessoal do bar estava rindo de mim. «É minha senha do banco», respondi.

Haha, vou nessa agora! A gente se fala!

Meu e-mail virou uma caixa de propaganda

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Tenho formação em Publicidade. E acho lindo pessoas que contam histórias sobre e apresentam produtos que fazem diferença na vida das pessoas. Um exemplo disso foi quando conheci a fábrica da Michelin. Poxa, uma empresa centenária que mudou a história de uma cidade e faz parte da vida de tanta gente… Achei incrível e aplaudo os publicitários que participaram dessa conquista, mesmo que no início tenham usado o bonequinho fumando.

Mas quando tudo vira propaganda, essa cena me deprime. E a publicitária que existe em mim se revira num misto de antipatia e decepção com as ações que tenho visto.

Antes (muito antes) eu ficava feliz quando abria meu e-mail e via que tinha muita coisa pra ler. Que legal, muita gente lembrou de mim! Pensava!

Depois que comecei a trabalhar usando e-mails profissionais, descobri como a quantidade não significava afeto, muito menos saudade. Advogado recebe mais de 100 e-mails por dia de clientes e publicações de prazos. Estamos lá concentrados numa defesa e o tempo todo, naquele cantinho de baixo, um pop-up popupa! Dizem que demora cerca de 4 minutos para se refazer completamente de uma distração. Calcule a dificuldade.

Mas hoje meu e-mail particular, não o profissional, o particular, virou uma caixa de propaganda. Eu já tinha desconfiado que isso iria acontecer quando notei que ninguém mais se dava ao trabalho de responder e-mails pessoais. Mesmo que fossem escritos contando casos em comum, relatando experiências, descobertas, declarações. Nada importa mais por e-mail, é isso? Será que ficamos mesmo tão atarefados a ponto de deixar os amigos falando sozinhos? Talvez.

Percebi que depois que inventaram o celular esperto que recebe e-mail eu mesma tenho tido mais dificuldade de respondê-los porque quando olho pelo celular, deixo para responder depois. E no mundo de hoje o depois não tem muita chance. Quantas ideias já perdi tendo deixado para realizar depois… Não dá! Deve ser por isso que o whatsapp informa a hora e o momento que você viu a mensagem. Para que aquilo fique em forma de culpa, infernizando a sua cabeça, até você responder.

Numa boa, eu prefiro e-mail para superar distâncias. No e-mail dá tempo de desenvolver um raciocínio. No whatsapp a interrupção pode ser imediata. Assim como a ausência perturbadora do interlocutor !

Mas não interessa. As coisas mudaram e meu e-mail fica todo dia com mais 60 mensagens não lidas de produtos que foram muito mal selecionados para mim. Muito mal. Nem sei por quê continuo olhando meus e-mails… Chego a questionar a eficácia desses cookies que além de terem um nome que dá fome, não servem muito para verificar meus reais interesses.

Então, vou deixar aqui uma lista de interesses para facilitar o trabalho dos colegas publicitários, ok?!

  • eu sou interessada em tudo que diz respeito a cidades, urbanismo, intervenções urbanas, interação humana, mundo plano. Mas não adianta mandar textos longos. Pode mandar textos curtos, uma vez por semana.
  • eu sou interessada em salvar pessoas, animais e florestas, assino diversas petições, mas procuro a coerência delas. Não adianta fazer petição pro SUS pagar um medicamento se tem outro equivalente tão bom quanto. E, por incrível que pareça, sei do que estou falando.
  • Tenho um crescente interesse pelo que se refere a comércio justo, agricultura biológica, economia criativa, minimalismo, mas prefiro participar de um grupo de discussão sobre o assunto a receber um conselho publicitário sobre essas coisas.
  • Adoro cursos online, documentários e muitos vídeos do youtube. Se a frequência não for grande, adoraria receber recomendações de pessoas que tenham os interesses parecidos com os meus (ou mesmo diferentes de vez em quando).
  • Sou interessada em ofertas de passagens de avião, mas não precisa enviar todo dia não. Pode ser uma coletânea por mês.
  • Gosto muito de direito, fotografia, línguas, música, moda, arte, culinária, decoração e teatro também, mas é duro ver esse tipo de amor sendo usado apenas para vender algo. Então, muito cuidado. Pode vender, mas ofereça mais que isso.
  • Tenho diversos outros interesses na vida, mas não vejo como tão comerciais, então é melhor usar banners mesmo ao invés de ficar lotando o meu e-mail e criando uma certa antipatia da marca.

Porém, senhores publicitários, meu maior interesse ainda é pelos meus amigos. Se estiverem passando bem, se tiverem um caso pra contar, eles serão sempre priorizados! É por causa deles que eu ainda mantenho redes sociais, e-mails e telefone. Adoraria poder também realmente confiar no unsubscribe. Mas sabe o que talvez pudesse me fazer continuar inscrita? Se você, publicitário por trás do spam, mandasse e-mails reais, falando de você mesmo e de porquê o meu e-mail foi parar no seu mailing. Isso não seria fantástico? Um abraço do seu público alvo!

Numa adolescência sem smartphone

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O que a gente fazia na adolescência quando não tinha smartphone e às vezes nem internet?

Alguns anos atrás, os adolescentes tinham um tempo livre inacreditável para fazer tudo menos o dever de química.

Com esse tempo a gente costumava…

 

  1. decorar Faroeste Caboclo
  2. ler enciclopédias (nunca passei da letra A, mas sei tudo sobre ábaco e abacaxi)
  3. decorar Faroeste Caboclo de trás pra frente
  4. abrir o coitado do boneco do Fofão para descobrir que o facão que existia dentro dele era apenas um suporte
  5. fazer coleção de pedras desinteressantes
  6. treinar a escrita com a outra mão em um caderno de caligrafia
  7. Treinar assinaturas novas
  8. Aprender três instrumentos musicais diferentes, mesmo que você não leve jeito pra nenhum deles
  9. Fazer testes “duplo-cego” com toddynhos e marcas talibãs para descobrir que o itambynho era o melhor da época e mesmo assim continuar comprando toddynho porque a embalagem era a mais fofinha.
  10. Andar de qualquer lugar de Belo Horizonte até a Savassi porque você já era grande o suficiente para andar sozinho.
  11. Fazer encontros na Praça da Liberdade e tomar 700 ml de milkshake no Xodó. Uma porção que não deveria ser permitida para um menor de idade.
  12. Passar uma noite na frente do espelho tentando levantar as duas sobrancelhas, uma de cada vez.
  13. Passar uma noite na beirada da cama tentando jogar o baralho pra cima e pegá-lo num golpe. Truque que mais frente vai te fazer virar o rei/rainha do copo sujo!
  14. Conversar com a pessoa do lado no ponto de ônibus
  15. Decorar a coreografia da sua banda preferida (geralmente uma boy band ou uma girl power! V)
  16. Fazer esmalte com a caneta bic e uma base.
  17. Passar o esmalte feito com a caneta bic.
  18. Limpar a mesa que ficou manchada de caneta bic explodida.
  19. Recolher tatus bolinhas em qualquer cantinho com terra. Enrola-los um pouco e devolver pro mato depois. Desconhece-se o paradeiro desses animaizinhos enrolados.
  20. Jogar tetris até passar a ver espaços de encaixes entre os prédios do horizonte.
  21. Assistir sessão da tarde, Chaves e Chapolin tomando uma deliciosa vitamina de banana que na época era o nosso jantar gourmet. Menção honrosa pro vídeo show no dia que tinha Falha Nossa.
  22. Pintar o cabelo com papel crepon e se achar muito punk por conta disso!
  23. Organizar os imãs da geladeira por temas
  24. Atender e conversar no telefone. Fixo!
  25. Gravar Cds para os amigos. Em alguns casos, até fitas K7! E ainda, em outros casos, passar a limpo alguma letra de música que você mesmo se deu ao trabalho de ouvir e anotar.
  26. Treinar abertura (de pernas. Como no ballet). O que mais tarde vai te fazer a rainha de qualquer aula que você quiser dar e os alunos não quiserem prestar atenção.
  27. Ler o Mundo de Sofia antes de fazer 15 anos! E se achar o espertalhão da filosofia.
  28. Ver « Confissões de Adolescentes » e se achar a adultazinha!
  29. Fazer banho de creme no cabelo com a vitamina de abacate que deu errado porque o abacate ainda não estava maduro o suficiente. (Advogado e abacate, em francês, são a mesma palavra – avocat – e isso gera um tanto de trocadilho engraçadinho).
  30. Ligar pra serviço de atendimento ao consumidor, pra perguntar alguma coisa nada a ver, só pra ter alguém pra trocar uma ideia.
  31. Recortar revistas. Muitas revistas! E bater metas particulares sobre isso.
  32. Fazer curso de datilografia e escrever uma história sobre a origem de alguma mitologia.
  33. Falar na língua do P ou pelo menos tentar.
  34. Fazer bainha de calça jeans usando o grampeador ou fita crepe. E ficar horrível.
  35. Descobrir que qualquer pessoa pode fazer brigadeiro a qualquer momento e perder os limites com isso.
  36. Criar o seu próprio personagem de história em quadrinhos e descobrir que ele não tem o menor futuro. Pobre querida Polinésia…
  37. Ir em locadora de vídeos e ficar de papo com o pessoal que trabalha lá.
  38. Fazer a deprimente rádio Interfone, cujo único ouvinte era o síndico do prédio te pedindo pra parar.
  39. Preparar misto quente de 4 queijos.
  40. Escrever tudo ao contrário achando que isso era falar russo.
  41. Escovar os dentes 40x num mesmo dia porque você entendeu errado a instrução do dentista. Ficar sem falar por um dia logo após.
  42. Redecorar a casa usando garrafas pets, recortes de revista e penas de pássaros recolhidas do chão até um dia alguém achar que é lixo e jogar tudo fora.
  43. Assistir Primo Cruzado, Pequenas Empresas/ Grandes Negócios e Globo Rural porque você está meio sem horário pra dormir no domingo.
  44. Fazer códigos indecifráveis e ficar com preguiça de escrever mais de uma vez com aquela lista de códigos, que logo depois será perdida.
  45. Escrever cartas para os amigos com a mesma frase repetida 200x a la Bart Simpson.
  46. Treinar batidas de violão no espiral do caderno.
  47. Jogar adedanha! Nome, carro, cor, fruta, cep, animal, esporte, marca, objeto!
  48. Dobrar cartas daquele jeito sanfona que depois descobrimos que serve para dobrar sacos plásticos. E dobrar sacos plásticos.
  49. Ligar pro Dudu e Rodrigo Coxinha do programa Graffite pra pedir pra ler uma poesia. Aliás, Rodrigo foi a única pessoa que chamei de coxinha a minha vida inteira. Nem minha galinha recebeu essa alcunha.
  50. E, por fim, ter uma galinha de estimação. Mas isso é normal.

insonia

 

 

Entre essa lista, você irá encontrar três opções que não são baseadas na minha vida, são da minha amiga Luísa que esteve aqui semana passada e me fez lembrar de coisas muito boas dessa e de tantas outras épocas!

Hoje em dia as pessoas alegam não ter tempo nem para passar fio dental nos dentes, sendo que estão no nível 180 do Candy Crush. É uma questão de prioridade (e a prova jures et de jure de que balas sempre serão os maiores inimigos dos dentes).

 

Luísa era para ser uma concorrente no trabalho. Foi assim que nos apresentaram. Eles tinham apenas uma vaga e a gente teria que disputar. Mas não funcionou muito bem porque ficamos amigas!

pulinhocomLuisa

 

Querida, obrigada por esses dias e memórias! Obrigada pelo ouvido e pelas risadas. Por saber conversar mesmo quando a gente pensa diferente. Existe um ser dentro da gente que sempre diz “pra que ser inimigas se vocês podem ser amigas?!”.

E sabe o que mais?

“Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz… sofrer”

 

mais:

A invasão das marcas talibãs (texto estudado no curso de Publicidade)

Technophobe (vídeo curta-metragem do maior youtuber francês sobre a vida sem tecnologia!)

Jures et de Jure e Jures Tantum (texto sobre presunções no direito)

 

Beijos também para as amigas Duda, Bela e Popó que criaram o Dia do Nada no dia 14 de novembro pra gente dar presentes pras amigas por nada! Esse dia é lembrado até hoje.

Beijo especial pra mesma Isabela já citada que escreveu o texto “Um dia maneiro +QD+” quando a gente tinha 14 anos sobre a nossa vida na escola, e a professora gostou tanto do texto que aplicou ele na prova de interpretação e ninguém tirou total!