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Um ano sem carne

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No final de 2014, conversei com meus amigos sobre um possível projeto #2015semcarne. Muitos acharam que seria impossível. Mas eu queria tentar! E agora que consegui, venho aqui falar deste projeto.

A motivação para isso surgiu de muitos e variados pontos. Permita-me explicá-los aqui :

A primeira questão era por piedade com os animais mesmo. Eu não sentia que era preciso sacrificar tantos animais se poderia substituir a carne tão facilmente.

A segunda questão é que nunca gostei muito de carne. Entendo que podem ter sabores deliciosos, mas ainda acho que estão mais ligados ao molho e ao tempero que à própria carne. Costumo dizer que eu sempre fui vegetariana e só depois dos 30 tive coragem de dizer isso pra sociedade.

A terceira questão foi com a cultura da França (país onde moro atualmente) de comer pratos apenas com carne (uma carne toda decorada no centro do prato e nenhum acompanhamento que sustenta, como arroz, massa ou batatas). Comendo apenas carne, meu cérebro não entendia que eu tinha comido. E continuava pedindo comida (leia-se carboidratos, ou pelo menos uma salada cheia) o que me causava certo stress.

A quarta questão era uma dificuldade na comunicação da minha forma de alimentação. Era complicado recusar os pratos oferecidos na casa de alguns amigos franceses onde a única opção era um coelho, um pombo, uma lagosta que morreu gritando dentro da panela. Além de ser muito diferente da minha cultura o contato com esses pratos, era muito difícil explicar que não me despertavam interesse gástrico e ao mesmo tempo dizer que não era vegetariana, só não queria comer aquelas carnes. É estranho até para escrever isso agora!

A quinta e última motivação veio de uma gatinha que peguei na rua, e que precisou ser operada. Tive muita dificuldade para achar uma família para adotá-la. E até encontrar a família perfeita para ela, gastei muito tempo, dinheiro e energia para que ela ficasse bem. Tudo porque ela me inspirava compaixão. Nessa experiência pensei que não faria sentido chegar em casa e comer um hambúrguer, tendo me esforçado tanto para salvar um animal.

Explicados esses pontos, aproveito para ressalvar que estes comentários não se aplicam a situações extremas de muita fome ou de grande necessidade. Em situações de desespero muitos dos nossos conceitos e padrões mudam. Nada aqui se aplica a casos limite.

Tendo em vista essas considerações, decidi no dia 31 de dezembro de 2014 que em 2015 não seria consumidora de carne. Junto a essa decisão, resolvi outras coisas: Não compraria nada que tinha carne (lembrando que peixe é carne), molho de carne, tutano (como gelatina e aquelas balinhas molengas) e ou qualquer coisa do tipo que fosse substituível por algo mais sustentável no meu consumo (incluindo cosméticos muito duvidosos e roupas e acessórios de couro ou peles substituíveis – continuei usando o que de couro eu já tinha).

Os temperos sabor carne que já existiam na minha despensa, não joguei fora. Usei normalmente para não perdê-los, afinal o estrago já estava feito e eu não iria desconsumir uma coisa. Achei que a forma mais respeitosa com relação à morte daquele animal, naquele momento, seria pelo menos terminar de usar o que ainda existia no armário e não comprar mais.

Outra coisa, se em alguma refeição, oferecida por amigos, a comida vegetariana tivesse tido contato com a carne, eu iria comer assim mesmo para não criar uma repulsa à ideia do vegetarianismo. O importante era a pessoa respeitar e deixar sempre uma opção vegetariana para quem não queria carne. Muitas vezes, quem convidada já fazia um prato só, somente vegetariano. E isso era lindo. Também passei a convidar muita gente pra minha casa, oferecendo sempre alguma receita que não levasse carne como risotos, lasanhas de beringela, quiches. Até a minha chefe do restaurante, que fazia tortas cheias de bacon, lançou a semana Vegana e Vegetariana com sabores diferentes que fizeram o maior sucesso.

Percebi que depois que anunciei a minha escolha como « Sou vegetariana » tudo ficou mais fácil para as pessoas entenderem. Embora muitos ainda achem que eu coma peixe ou camarão. Mas não como não, viu.

Uma decisão que acho importante, e até política é de perguntar em todos os restaurantes por opções vegetarianas, mesmo se eu quiser comer apenas a sobremesa. No Mac Donald’s eu já sabia que não tinha a opção de sanduíche vegetariano, mas perguntei assim mesmo só pra saber a resposta do gerente. E o gerente na França me disse que achava que isso não atrairia muito o público. Que não era uma questão da atualidade. Por isso recomendo que quem quer ser vegetariano, passe a perguntar no Mac Donald’s também e em todos os outros restaurantes e lanchonetes, só para eles saberem que existe o interesse. #cadeopcaovegetariana

Quando em algum restaurante não tinha nada vegetariano, eu não gritava, nem fazia escândalo. Só falava « que pena », agradecia e saía. Quando era obrigada a ficar, pedia um suco ou café.

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(mercadinho de Oslo com deliciosas opções pra uma refeição perfeita e sem carne. Não sou eu na foto, só bati!)

A minha escolha foi ser vegetariana e não vegana. No meu entendimento atual, acho que não é necessário maltratar um animal à morte para termos queijos, leite, ovos. Eu sei que o mundo ainda é muito cruel com todos eles e que a indústria é a mesma. O leite que você bebe era para ser dado ao bezerro que virou o vitelo do restaurante da esquina. A vaca leiteira, depois de velha, também vira bife. A galinha que bota o ovo também vai pro prato. Eu sei disso. E acho horrível. Mas ainda acho que a minha opção alimentar não implicaria necessariamente nessa covardia. Ela existe porque ainda não nos organizamos de forma a comprar apenas de produtores éticos. Coisa que tentei com muito custo fazer na França. Para os ovos é mais fácil porque lá existe uma lei que te permite comprar ovos de acordo com a qualidade de vida das galinhas (vem informado nas caixas). Mas para o leite, o único lugar que descobri que tinha uma produção respeitosa de leite era muito longe, e os produtos não chegavam até onde eu precisava. O que fiz foi reduzir o consumo. Mas não cortei.

Feitas essas considerações, não tive grandes dificuldades durante o ano. Não passei fome, nem emagreci, nem engordei. De alguma forma, senti muito mais energia durante o ano, mas não tenho como provar que foi por conta da minha dieta.

Substituí a carne por várias coisas, uma delas era o champignon de Paris quando eu estava na França. Esses champignons são extremamente suculentos e valorizam bem o prato. Não deixando nada a desejar.

Já no Brasil, morro de amores pelos bifinhos de soja, típicos da casa da minha avó. Mas também adoro pratos com berinjelas, bifes de aveia, batatas recheadas, tomates com manjericão e muito azeite!

Não adoeci em 2015. Mesmo tendo passado por circunstâncias de baixa imunidade. Na minha cidade, consultei uma naturopata (espécie de nutricionista que analisa a sua alimentação e saúde em relação ao seu emocional e seus hábitos) e ela disse que minha alimentação estava ótima, que era perfeita para o meu tipo físico e o tipo de vida que eu levava!

Meu maior problema com a dieta veio do cinismo de algumas pessoas, dos comentários desnecessários de outras e até da intolerância de outras. E é impressionante a reação que a intolerância causa. Quanto mais as pessoas criticavam a minha escolha de não comer carne, mais eu queria não comer carne (compare isso com outras coisas para as quais somos tão intolerantes também!). Então, o projeto que era só para 2015, agora vai continuar…

Comer menos carne é uma necessidade do ser humano se quiser preservar o meio ambiente. Para produzir um quilo de carne é necessário produzir muitos quilos mais de outros alimentos. Isso cria uma conta que não fecha se você considerar o número de pessoas que existem no planeta. Nem estou falando para todo mundo virar vegetariano (ideia até muito simpática, mas nem estou falando disso). Na China, por exemplo, eles comem carne, mas é bem pouquinho, porque são muitas bocas para alimentar. Então são pedacinhos do tamanho de um dado, jogados sobre um macarrão ou um arroz. Na Inglaterra, o projeto Meat Free Monday (segunda sem carne) de Sir. Paul McCartney ganhou grande popularidade e lá, qualquer lanchonete, por menor que seja, tem no menu um prato para vegetarianos.

De uma forma geral, existe tanta opção de coisa gostosa pra gente colocar na panela que me parece falta de criatividade termos que comer carne em toda refeição. Não estou falando de casos extremos de quem não encontrou outra alternativa, ou de quem precisa de uma dieta específica com carne. Estou falando de gente que pode escolher ser diferente. Que pode escolher comer menos carne, fazer um equilíbrio na dieta entre seus gostos e o que entende que pode ser melhor pra própria saúde e pro planeta. O Brasil nem é um país frio pra gente se empanturrar tanto com tanta gordura animal como fazemos. Vamos pensar nisso !

Por último, e não menos importante, eu mantive como propósito não ser considerada muito chata como vegetariana. Um pouco, tudo bem! Neste texto escrevo o que esperei um ano para contar. Tento, na medida do possível, não ficar pregando para as pessoas sobre o vegetarianismo, porque cada um tem seu tempo e não adianta tentar convencer ninguém que não quiser mudar. O meu tempo foi em 2015. E me fez muito bem. O seu pode ser em 2016. Mas isso é uma coisa que só você pode saber!

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(oi!)

Se gostou, ajude a compartilhar esta ideia e este texto!

Utilize também as tags durante o seu ano:

#2016semcarne

#menoscarne2016

#meatfree2016

#cadeopcaovegetariana

#goveggie

IMG_4136(mesa montada para uma noite vegana entre amigos)

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50 nuncas de 2015

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Ah, 2015. Este ano pregou muitas peças na minha vida, e imagino que na sua também. As vezes o balanço é até doloroso. Entre crise, terrorismo, discurso de ódio, racismo, intolerância, gente estranha e gente falsa… parece não ter sobrado espaço para coisas boas. Mas sobrou, gente. Cada um tem na vida bons frutos a recolher, tenho certeza.

Como há alguns anos tenho feito a lista de 50 coisas que nunca tinha feito antes e que fiz naquele ano, pensei em fazer um esforço para encontrar mais 50 nuncas pra este 2015. No início foi difícil, porque tenho por meta só colocar coisas boas na lista a ser relembrada. Depois consegui até passar de 50 e tive que editar pra ficar bonitinho. Caso seja do seu interesse, dê uma olhada na minha lista. Pode ser que ela te lembre do lado bom do seu ano também.

  • Aceitei couchsurfers pela primeira vez (sim, só temos nuncas nesta lista !). E recebi pessoas da Alemanha e da Áustria muito simpáticas, mas que estranhamente não conheciam The Sound of Music ! O.o
  • Conheci a Escandinávia, que é ponto central do grupo de estudos criado com uma amiga (Idéias da Escandinávia). Na verdade apenas Oslo, na Noruega ! Mas adorei. Quem quiser participar do grupo de estudos, deixe o contato nos comentários.

IMG_5347(Oslo, Noruega)

 

  • Encontrei Livinha em Avignon, que chegou bem no dia meu aniversário, pulando de alegria!
  • Encontrei Silvinha em Avignon e fui com ela à super prisão do Conde de Monte Cristo em Marseille e do homem da máscara de ferro.
  • Encontrei Luísa em Avignon e descobri como fazer malas à vácuo e fotos de uma pessoa ruiva!
  • Comecei a trabalhar com moda, para a By My Hands Fashion, e descobri um outro mundo da confecção que pode ser feita com ética. Além disso, adorei poder trabalhar de novo com a Pati, minha ex-chefe advogada. Participamos do Fashion Revolution Day e mudamos muito nossa forma de consumir também.

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  • Comecei a escrever para um jornal francês e ralei muito para conseguir publicar em outra língua.
  • Fiz uma doação para a wikipedia e para o crowdfounding de um projeto importante. Aprendizado que recebi da minha mãe. Se é importante pra gente, e podemos contribuir, tentemos!
  • Vivi quase um mês em Milão, na Itália, com minha família amada que só andava pela casa dançando e cantarolando! Antes disso, aprendi a falar o básico do italiano com uma amiga muito querida.

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(pomba posando pra mim na praça principal de Milão, a mulher logo atrás também fez pose)

  • Virei colunista de um site de slow lifestyle ( Review) e me senti ainda mais próxima de um estilo de vida minimalista e cuidadoso que me atrai muito.
  • Participei de um capítulo de um livro espanhol sobre a judicialização da saúde no Brasil.
  • Conheci o interior de São Paulo (Itu, Sorocaba, Brotas e São Carlos).
  • Aproveitei uma tirolesa gigante em Brotas! E conheci as chamadas « areias que cantam ». Brotas é uma cidade incrível, que vale a pena.

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  • Morei meses com uma peruana (Pamelita!) e comemos muito arroz com batata juntas para desespero dos franceses!
  • Fiz uma grande viagem de milhas, o que me permitiu passar na Inglaterra só para jantar.
  • Trabalhei no mercado de Avignon durante o festival de teatro e entendi o que era ser invisível.
  • Conheci Veneza, a primeira cidade capitalista do mundo ocidental. Florença, a cidade de Da Vinci e Galileu. E Verona, a cidade de Romeu e Julieta. Morri de amores pela Itália.

  • Cozinhei um quiche com leite azedo tido como perdido e ele ficou ótimo.
  • Ganhei um desenho de um garotinho da Tanzânia que conheci no trem. Ele não tinha lugar para sentar, e se apertou com a gente nas cadeiras. A mãe dele me lembrava muito diversas mães brasileiras, que apesar de extremamente pobres, só espalhavam amor.
  • Descobri que franceses dão espaço entre as palavras e os pontos de exclamação e interrogação e finalmente entendi porque o meu Word faz assim !
  • Passei todo o ano sem comer carne. E não foi tão difícil assim. Cumpri meu projeto #2015semcarne! E vou continuar.
  • Produzi o VEDA ( Vlog Everyday April) para o canal do youtube Direito é Legal.

  • Fiz o projeto s2 Frágil em Madrid e Avignon, um projeto de levar mais consideração ao coração alheio, criado pela jornalista e amiga Sabrina Abreu.IMG_5400
  • Fui num congresso de Economia Criativa em Madrid
  • Consegui ver o quadro O Grito! em Oslo e o Nascimento da Vênus em Florença. Dois sonhos !
  • Fui apresentada ao Fram, o navio dos conquistadores do Pólo Sul. « Pólo Sul » é um dos livros preferidos do meu pai. E como eu gostaria que ele estivesse comigo nesse dia.
  • Participei de uma passeata pela paz na França. Logo depois do primeiro atentado em janeiro. Foram milhões de pessoas. Emocionante. Mas vimos que é preciso mais, muito mais que isso.
  • Dei uma festa à fantasia. Duas, na verdade, considerando que a primeira era normal, até que chegaram umas pessoas fantasiadas porque entenderam errado o convite e aí todos nos fantasiamos para eles não ficarem sem graça! Eu amo essa turma.
  • Conheci Clermont Ferrand, Sisteron e Orleans, na França. Três cidades lindas.

  • Passei um domingo inteiro num café conversando e fazendo projetos com uma amiga! Um domingo inteiro ! Num café! Conversando!
  • Escrevi para a presidente (do Brasil) dando algumas sugestões – sempre de forma cordial e respeitosa –  e para a prefeita (de Avignon) também dando outras sugestões. Nenhuma das duas me acolheu. Mas não desistirei.
  • Conheci uma pessoa que conhece uma pessoa que conhece a atriz que fez Amelie Poulain! Estou chegando perto do meu sonho.
  • Fui chamada pela Flavia Calina (vlogger sobre educação infantil) para um café com ela (mas não pude ir) ! Convite via e-mail. Foi outro sonho. Que infelizmente ficou distante.
  • Reencontrei meus alunos 10 anos depois do fim das aulas! E foi maravilhoso! Maravilhoso!
  • Fui fotógrafa do casamento de uma amiga em Nimes, na França. Ela se casou vestida de By My Hands e foi a nossa noiva modelo!

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  • Reencontrei o lado perdido da minha família na Itália. E vivi um dos dias mais gloriosos da minha vida ! Eles nos receberam de braços abertos, como se nunca tivéssemos separado. Sangue do meu sangue!
  • Pela primeira vez deixei um bilhete para o lixeiro. E alguém deixou presentes pra mim na porta de casa. Não nessa ordem.
  • Fizemos um jantar totalmente vegano lá em casa com excelente adesão. Em outro dia, produzimos um enorme encontro de thanksgiving onde cada um dos 26 convidados levou pelo menos uma notícia boa. E finalmente, fizemos outro jantar com gente do mundo inteiro, onde cada um contou sobre o que amava em seu país. A vida faz muito mais sentido pra mim quando esses encontros acontecem.
  • Assisti a um evento pelo skype, graças a minha prima querida que ficou segurando o telefone enquanto eu via o resto da família participar.
  • Aceitei um convite para tomar um chá com estranhos que conheci na rua, num domingo de tarde (eram um casal). E como não senti que a situação era forçada, aceitei. Foi ótimo!
  • Conheci a sala Minas Gerais em Belo Horizonte com uma orquestra sensacional e bati palma até parar de sentir as mãos !
  • Aprendi a fazer sabão e fiz ! Valorize o seu sabonete artesanal, viu?!
  • Perdi um avião (por culpa da companhia) e conheci uma turma muito legal com quem passei quase 24h conversando!
  • Escrevi 33 textos no projeto « 33 textos antes dos 33 anos » em 33 dias. Estão todos aqui no blog, ou com links para eles. Criei a página escrevo.me onde coloco alguns textos e projetos para ficar com uma cara profissional!
  • Aderi ao Low Poo (uso reduzido de shampoo) e gostei do resultado! A gente se faz mal achando que estamos fazendo bem. Não precisamos esfregar tanta coisa no couro cabeludo para ele ficar limpo. Sério.
  • Tive uma reunião profissional em Paris, o que me fez sentir extremamente feliz ! E mais adulta do que nunca!
  • Fui almoçar na casa da moça que trabalhou por anos na casa da minha avó e aprendi muita coisa com a simplicidade da cozinha dela que deixa a comida no ponto certo (pro meu paladar!).
  • Gravei um podcast com as minhas amigas ! Agora estamos esperando o aparelho em que foi gravado ajudar para conseguirmos publicar.
  • Presenciei um casamento lindo de pessoas de mais de sessenta anos se casando pela primeira vez !
  • Participei de um flashmob, pela semana da gentileza. Finalmente! Fazia tempo que eu queria viver esse nunca.

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Feliz 2016, amigos! Sejamos maiores que os nossos problemas.

50 nuncas do meu 2014

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2014 foi um ano muito doido, com muita coisa inimaginável acontecendo. Tanto muito ruins, quanto muito boas. Todos vivemos as agonias do pré-copa do mundo e do 7×1. Todos vivemos o surrealismo do Estado Islâmico, dos conflitos na Ucrânia. Todos vivemos as irritações das eleições e as antipatias que até hoje continuam como se realmente alguém estivesse votando para fazer mal pro país. Peraí ! Claro que não. Calma, gente ! Em 2014 eu aprendi que tenho que aprender a fazer menos ironia com quem pensa diferente, por mais que o trocadilho esteja na ponta da língua. O mundo precisa de paz. E a Hello Kitty que havia deixado de ser gata, felizmente voltou a ser.

E aí vai a minha lista de 50 coisas que deixaram de ser nuncas para mim neste ano. Como sempre, faço um esforço de listar apenas coisas que tem a chance de serem positivas. Que as negativas continuem na lista de nuncas ! E feliz ano novo para todos !!! Obrigada por tudo !!!

1) Terminar o master em francês. Ahhhh, obrigada a todos que ajudaram ! Não foi fácil não!

2) Adotar um jardim público. Experiência deliciosa que vale a pena sentar para escrever mais. E que me rendeu amigos também e outras alegrias !

3) Apertar a mão da prefeita de Avignon. Eu dou muito valor para estar próxima a pessoas que podem mudar a cidade, isto é, todo mundo, mas o representante da cidade, realmente, mexe comigo !

4) Fazer vídeo para youtube ! Com edição e tudo foi a primeira vez. Visite meu blog de direito : direitoelegal.com

5) Entrar na festa errada e comer coxinha !!! Longa história !

6) Rever todas as temporadas de Gilmore Girls. Nem sei se conta, mas eu adorei ! Se não contar, anota aí: cortar franjinha durante uma festa!

7) Andar sozinha em Londres. Se caminhar é uma terapia, caminhar por cidades interessantes é talvez a fórmula do rejuvenescimento !

8) Andar com amigos em Londres ! No primeiro dia foi a Luiza Voll e a Cacau, no segundo dia foi o Airton Rolim e no terceiro, o meu ex-aluno e hoje querido amigo Gustavo Germano !!! Cada dia, uma visão diferente da cidade, cada dia uma história mais rica. Obrigada, obrigada, obrigada !

9) Fazer piquenique 3h da manhã na praça principal de Avignon com os amigos depois da festa de gala da Universidade!

10) Fazer um Pacto de União Estável na França. Uma vez, o professor de Direito Eleitoral começou a aula dizendo que achava que a gente tinha aula de Direito Internacional demais. Ele dizia : « Pra quê vocês precisariam de aula de Direito Internacional privado, para casar na França ?? ». Todo mundo riu ! Até eu ! E hoje, rio disso !

11) Ser entrevistada por uma rádio ! Rádio Osmose tão receptiva. Adorei de verdade. Nunca imaginei que me sentiria tão bem durante duas horas entre homens estrangeiros falando de futebol !

12) Escrever para a FIFA. E não receber resposta. Mas não importa ! Eu tentei !

13) Escrever para o Romário e o Jean Wyllys ! E só o Jean Wyllys me respondeu ! Mas mesmo assim, valeu! É muito difícil uma pessoa pública responder minhas mensagens. Se nem blogueiro responde, quanto mais político.

14) Comprar perfume pra mim ! Sério, foi a primeira vez. Chama Nirmala e é um dos poucos que não me deixa enjoada (não, não estou grávida).

15) Passar 25 dias sem açúcar, farinha de trigo e sem carne. Um desafio, mas valeu a pena ! Foi também a primeira vez que divulguei estar de dieta na internet. Antes eu decidia e no dia seguinte já esquecia e comia como sempre. Publicando na internet, me senti muito mais obrigada a continuar! E foi positivo isso.

16) Morar com uma indiana. Kavya fofa ! Aprendi muito!

17) Passar um dia ensinando estranhos a jogarem jogos antigos. Um programa da Associação de Jogos de Avignon !

18) Comemorar meu aniversário junto com Alexis e Azzuca !

19) Dar ração de cachorro para os vizinhos como presente de fim de ano. Os vizinhos que tem cachorros ! Obrigada, Ju!

20) Virar professora de Português ! Amo !

21) Conhecer Aix-en-Provence. Cidade de tantos artistas ! Linda !

22) Participar de um curso de dança antiga ! Toda segunda-feira. Muito bom !!! E engraçado.

23) Fazer covoiturage. Uma forma de viajar pagando pela carona. Nunca tinha tentado e adorei, mas é bom marcar adiantado onde a pessoa te deixará, pois pode acontecer de você ficar na borda da estrada !

24) Ver Lord of the Dance ! E conhecer o mítico Michael Flatley !

25) Aparecer num jornal Francês. A Copa do Mundo no Brasil me fez bem no fim das contas. Apesar de todos os pesares !

26) Fazer amizade com um torcedor da Argentina na rua. Quem diria !

27) Receber minha prima na minha casa !!! Lorenza querida !!!

28) Ir para Berlin para ser babysitter !!! Rita querida !!!

29) Ir num casamento no Brasil e depois reencontrar a noiva no Maletta !

30) Oferecer um buquê de flores para um estranho na rua ! Só porque ele falou que precisava. E recebê-las de volta com muita gratidão!

31) Ser reconhecida na rua por causa do meu instagram !!! Que honra! Ainda mais por quem! (instagram @diorelak)

32) Fazer festas com a temática de Banksy e a paz!

33) Ficar amiga da moça dos crepes!

34) Ter um e-mail lido em voz alta na universidade de Avignon, porque mandei um e-mail de parabéns para meus professores no dia do professor (que é uma data brasileira e não francesa) e um deles achou que poderia inspirar os outros alunos tomando meu e-mail como exemplo!

35) Conhecer a região do Luberon da França! Que coisa linda! Também conhecer a fábrica da L’occitanne aqui em Provence deve entrar para essa lista!

36) Conseguir adoção para o meu gatinho de rua preferido ! Obrigada, Guilherme ! Um superpresente de fim de ano !

37) Fazer uma festa de fim de ano entre amigos e sair para visitar de surpresa o amigo italiano que ficou trabalhando no hotel durante a noite. Até hoje ele coloca fotos da ocasião no facebook de tanta alegria !

38) Comer feijoada em Paris !

39) Conhecer Edson Cordeiro ! Num show que me fez muito bem ! Obrigada, Bebela e Berlin!

40) Ver uma maquete toda feita de biscoitos e comê-la com autorização do criador ! Obrigada, Belo Horizonte, Sabrina, Aline e todos que participaram !

41) Viajar para o Brasil entre dois lindos e queridos franceses ! Obrigada, Alexis e Felix !

42) Fazer uma noite de pizzas com os amigos! Pizzas feitas em casa e por nós mesmos! Desse jeito, nunca tinha feito!

43) Participar de um treinamento para flashmob que no fim das contas foi anulado na data que eu podia, mas teve o treinamento !

44) Atravessar a cidade inteira com a minha mãe carregando um móvel pesado ! Só você, mamãe! Obrigada ao estranho que ofereceu ajuda na última esquina da caminhada!

45) Passar um fim de tarde na piscina com meu pai depois dos meus 10 anos de idade! Que saudade disso, papai !

46) Plantar uma árvore no Brasil ! Nas terras de Guimarães Rosa. Conhecer as lindas terras de Guimarães Rosa!

47) Me encantar com o teatro da Bulgária. Especialmente uma peça que se chama « Monólogo com a mala de mão ». Fiquei dias pensando sobre. E era tão leve e doce !

48) Defender uma amiga de um bêbado na rua.

49) Defender um gatinho de um gato nervoso na rua.

50) Ser babysitter de duas canadenses de 5 e 8 anos e entrar numa conversa supercabeça sobre o que acontece depois que morremos! Fica o que de melhor fizemos!

Bom, essas foram as coisas principais que me lembrei ! Obrigada a quem participou ! Quem queria ter participado e quem conta participar da lista de 2015 !

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E um último nunca ! No amigo oculto de fim de ano da família, foi minha mãe que tirou meu nome !!!!