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Arquivo da tag: 33 textos antes dos 33

33

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Foram 33 textos. Na verdade até um pouco mais se contar as pequenas chamadas feitas. Mas no fundo, achei que foram menos, porque nem todas as redações estavam na estrutura que eu gostaria. Mas existiram. E o principal foi conseguir escrever todos os dias alguma coisa que fizesse (mesmo que pouco) algum sentido.

« Escrevo porque não sei não escrever », disse uma vez minha amiga Liliane Prata. E que lindo pensar a vida através das letras. Quando não estou escrevendo, estou sempre pensando em escrever. Mas quando tenho que escrever, nem sempre lembro o que pensei. Acontece com você também?

33 textos nos 33 dias antes do meu aniversário de 33 anos. Que ideia! A gente assume uns projetos toda empolgada, mas esquece que eles devem ser concluídos. E aí no meio dessa história teve dia que eu não tinha tomada para ligar o computador, dia que eu não tinha inspiração nenhuma, dia em que eu não tinha energia nenhuma para escrever porque a minha vida não parou para a execução desse projeto. Pelo contrário, minha vida me fez distanciar um pouco mais do computador esses dias, mas foi por boas razões.

Finalmente, hoje chega ao fim. Amanhã (ou hoje, no horário francês) é meu aniversário de 33 anos. E eu sei as duas coisas que você está pensando sobre isso! A primeira é que é a idade de Cristo. Todo mundo já me veio com essa. Não sou religiosa, mas diria que Cristo tem na verdade 2015 anos.

Alguns artigos demográficos (pedi as fontes para um demógrafo que ficou de me enviar) indicam que há uma demonstração de que 33 seja a idade da força. A idade em que somos mais capazes de produzir (na média). Com grande capacidade intelectual (ui!) e física (ui ui!). Isso ainda me lembra um outro dado (dessa vez não lembro a fonte mesmo) que diz que 31 anos é a idade mais bonita da mulher. Um pouco questionável no que diz respeito ao conceito de beleza da mulher, concordo. Mas que compara do mesmo jeito a evolução intelectual com a física.

Será que essa média se aplicaria a mim? Ainda pretendo ser tão mais produtiva…

Se 33 é a idade de maior força na média do ser humano hoje, será que era também assim a.C? Pode ser. Faz sentido que toda a história bíblica seja contada dessa forma. Mas a última coisa que quero é discutir esse assunto no dia do meu aniversário. Mentira, a última coisa que eu quero é guerra, violência, crueldade no mundo. A discussão é só a penúltima coisa que eu quero!

Mas você ainda tem mais um comentário sobre os meus 33 anos, não tem? Deve estar aí calculando… « Ela não vai ter filhos não?! ».

A verdade é que as mulheres tem um período fértil definido, mas não tão curto quanto parece. Então ainda estou em tempo porque sim, adoraria ter essa oportunidade, apesar de as vezes me questionar um pouco sobre até onde vai a nossa vontade e onde começa uma certa imposição da sociedade.

Fora isso, adoro crianças, bebês e sobretudo adolescentes!!! Seria bom ter filhos cedo o suficiente para ter tempo e energia de me interessar pelas mesmas séries e bandas que meus pequenos. Para ensiná-los alguns passinhos de dança, algumas brincadeiras diferentes e vencê-los em todos os esportes como minha mãe sempre fez sem dó. Mas se eu não tiver filhos (nunca se sabe!) certeza que Helena, Rita, Catarina, Dudu e todos os outros sobrinhos emprestados terão que aguentar a tia Didi colada neles, cheia de amor, falando das conclusões sobre a vida.

Afinal, maturidade é uma fase. Que pode durar ou não. Adolescência é pra sempre!

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Obrigada por terem acompanhado o projeto até aqui! Principalmente Aline, Livinha e Pipocacrua! Beijão

Muitas vidas

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Um dia percebi que não era uma só, mas várias. E que bom!

Claro, você pode pensar que é patológico assumir múltiplas características. As vezes é mesmo. Mas na maioria das vezes é positivo e muito comum. Pensa comigo.

A pessoa que você é como estudante é muito diferente da pessoa que você é como vendedor, como mãe ou pai, como vizinho. Todos compartilham alguns valores em comum, mas são diferentes. Certo? E cada um pode acrescentar um pouco mais para o outro.

Eu pensava que até os meus trinta anos, estaria casada, com filhos, tendo uma carreira profissional de sucesso etc. Nada disso aconteceu. Mas tantas outras coisas que eu nem poderia imaginar aconteceram que valeu a pena do mesmo jeito. Se um dia estou  de salto na capital da Noruega, no outro estou esfregando chão do lado das baratas do mercado de Avignon. Se um dia tenho um cachorro, no outro, estou com uma gatinha. E, sinceramente, gosto de ver e viver essa diversidade porque isso me enriquece. E me deixa com a sensação de ter e criar oportunidades para aprender mais.

Quando alguém pergunta o que eu quero ser, tenho muita dificuldade de responder porque quero ser tanta coisa, em tantas vidas. Professora, advogada, vendedora, cozinheira, escritora, faxineira, auxiliar de veterinário, diplomata, cuidadora, fotógrafa, administradora, editora, artista, cientista, além de mãe, vó e namorada.

Talvez eu precise de muitas vidas para realizar tudo isso. Ou talvez essa vida seja mesmo para ser múltipla !

Dormir em paz

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Quando eu era advogada, saía do trabalho, mas o trabalho não saía de mim. Ficava preocupada com tudo o tempo todo. O meu salário era infinitamente baixo para pagar 100% do meu tempo mental. E acho que nenhum valor chegaria a esse preço. Lembro que eu pensava “rico é quem tem tempo”.

Num desses dias, na exaustão do fim do dia, escrevi o seguinte

“Com a cabeça no travesseiro eu durmo em paz

convencida de que pra cada problema

há uma solução atrás”

Naquela vez, dormir me ajugou a encontrar diversas soluções. Muitas vezes funciona.

Durma bem!

Ps. Hoje tem um vídeo que também fala da paz! Embora seja corrido.

Antes de morrer eu gostaria

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Quando eu estudava na Universidade de Avignon, colocaram um painel que dizia “Antes de morrer, eu gostaria…”.

O painel já estava lotado quando cheguei. Mesmo assim, conseguimos achar lugar para escrever alguns dos nossos sonhos.
Também lemos os sonhos dos outros “Eu gostaria de encontrar um grande amor”, “eu gostaria de morar no Japão”, “eu gostaria de ter mais tempo com a minha família”.
Isso me lembrou o que acontece comigo quando fico sem tempo. Começo a pensar no que gostaria de estar fazendo com o meu tempo e que não estou fazendo. Durante meu mestrado foi assim. Tinha tanta coisa para realizar com um prazo tão curto que tive que fazer uma lista de pequenos sonhos para depois não esquecer: “conhecer melhor as cidades do entorno da minha”, “tomar um café com as amigas”, “visitar o museu de história Natural daqui”, “fazer uma bendita hidratação profunda no cabelo” etc. Terminei o curso e um ano depois vi que consegui fazer tudo que tinha me proposto.
Hoje a lista já é outra. E assim vai, sucessivamente, até que um dia não ficará completa. Gosto assim! Antes de morrer eu gostaria de tanta coisa…
Meu tio conta a história de um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que deu uma entrevista e, já velhinho (aff, esqueci a idade), informou que não queria ser juiz pra sempre porque queria montar um escritório e advogar.
Meu avô, com mais de oitenta anos decidiu realizar o sonho de fabricar espaguete para vender! Minha avó está entrando pro ramo da moda!
Não tem hora pra parar de viver não! Aos 22 anos uma amiga do meu pai foi me perguntar o que eu queria fazer da vida e eu, com o diploma de Publicitária dizia não ver muitas perspectivas e comentava que já me achava velha para fazer outra faculdade. Ela riu muito. Hoje entendo a bobeira do meu comentário! Quer fazer faculdade de novo? Tenta.  Tem 90 anos e quer fazer outra faculdade, sério mesmo, vai lá e tenta. Tem 50 anos e quer aprender a nadar? Pule na piscina de bóia! Tanta coisa boa deixa de acontecer por bobeira nossa… “Há que tentar sempre”é a frase que meu pai sempre fala. E foi assim que funcionou comigo!
O avô de uma amiga, certa vez, ao sair de uma cirurgia complicada, foi perguntado sobre o que estava sentindo. Ele disse “vontade de viver”.
Nós também!

Promessas não cumpridas

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O texto de hoje foi pro Direito é Legal!

E fala de um assunto que eu acho muito delicado. É fácil a gente esquecer as promessas que fez, mas difícil esquecer as que nos fizeram.

Não?!

Qual é a sua lógica?

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Acho engraçado o quão sem sentido podem ser algumas conclusões humanas.

No final do ano passado fiz uma pequena coleção de momentos que me pareciam ilógicos. Depois aumentei um pouco a lista. E até hoje ela continua sem sentido para mim. Mas o pior é que todos já fomos vítimas alguma vez de uma reação ilógica. Redobremos a atenção!

Segue:

Minha religião é amor, odeio gente diferente. Não confio em ninguém, vou entregar todo meu dinheiro para o gerente do banco fazer aplicações. Gosto de você, não vou te avisar sobre a couve no seu dente. Não gosto do nordeste, vou para Trancoso nas férias. Quero emagrecer, me vê um refrigerante. Estou triste, aproveito para deixar outras pessoas mais tristes ainda. Estou feliz, não quero mais ninguém feliz. Quero ser acadêmico, vou matar várias aulas e ir pro bar. Sou vegetariano, me passe o peixe. Não gosto de corrupção, vou votar no partido que estava no poder anteriormente. Estou com calor, cadê meu casaco. Confirmei minha presença, não vou. A porta do banheiro está fechada e uma pessoa desapareceu da festa, o banheiro está vazio.

(essa lista poderá/será ampliada com o tempo!)

Faixa de pedestre

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Para chegar ao supermercado eu tinha que atravessar uma rua. Os carros na rua, engarrafados como todo fim de tarde, buzinavam como se som agudo fosse abrir alas para suas carruagens passarem. Um dos carrões, com um ser mais exaltado, além da buzina, também soltava palavrões. Uma lista  diversa para aprimorar o vocabulário de todas as crianças da rua. Que curiosa a forma das pessoas fracas se exprimirem quando estão com armaduras de carro!

O sinal de pedestre abriu, e o mocinho exaltado do carrão só tinha conseguido andar alguns metros, apesar de toda sua gritaria. Que azar, ele parou exatamente em cima da faixa de pedestres. Poderia ele ter parado um pouco antes? Poderia! Assim não obrigaria os pedestres a se desviarem da única faixa que é feita para eles enquanto os carros tomam todas. Mas não, ele não tem tempo pra isso. Estava muito ocupado achando as atitudes de todos os demais deplorável.

Que azar. Eu estava atravessando a rua na hora que isso aconteceu.

Ah, como eu adoro meu talento ainda inexplorado para o teatro! Ah, como ele se arrependeu de ter parado naquela faixa!

A casa ideal

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Quando me mudei para a França e entrei para a aula de francês, certa vez, a professora pediu para a gente descrever como seria uma casa ideal. Muita gente, e me incluo, imaginou a casa ideal com uma piscina, um jardim, um tanto de cachorros, uma cozinha grande etc… Fomos mais longe, inventamos um salão de beleza para a casa, uma biblioteca gigante, uma piscina de bolinhas, uma sala de cinema etc. Chegamos a colocar animais nos nossos parques particulares e recriamos imagens de casas e jardins megalomaníacos para colocar qualquer trabalho de Napoleão o Michael Jackson no chão.

Olhamos nossos desenhos e eles já beiravam o impossível, para não falar o ridículo. Quem, em sã consciência criaria e manteria uma casa tão grande, com tanta coisa para limpar, dar manutenção, cuidar, vigiar? Seríamos realmente felizes sozinhos num prédio construído pelos nossos caprichos?

Concluímos que uma casa assim não nos faria nada melhores. A gente nunca sairia de casa se morasse num lugar desses. Nunca faríamos novos amigos. Nunca encontraríamos a galera do clube, o pessoal do parque, o dono da venda da esquina… Ficaríamos cheios de manias.Até meio bobos. Seria uma vida mais solitária morar numa casa tão suficiente. Pensamos então que o grande seria fazer o exercício de inventar a cidade ideal. E não a casa. Só assim contaríamos com inúmeras interações humanas, novos caminhos para descobrir todos os dias e uma rotina ativa e saudável. Analisando bem, não há quintal melhor que aquele que dá pra uma cidade agradável de habitar.

Desde então, observo os lugares como se pudessem fazer parte do meu quintal. E trato as pessoas, como se fossem meus roommates. Afinal, não é isso que somos?!

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“A felicidade ou se reparte ou se perde”. da Logosofia

Ps. A foto que ilustra o  texto é de uma casa fofinha em Oslo, que fica de frente para o parque das esculturas!

Ps2. Já relatei este caso da aula de desenho de casas na página do facebook que mantenho com amigos: Vista da Cidade (aliás, nome de um antigo blog!)

Bloco do eu sozinho em outro país

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É comum ouvir de muita gente a afirmação de que Avignon é uma cidade hostil. De que é muito difícil fazer amigos aqui e de que nos sentimos sozinhos por muito tempo.

Tenho que concordar. Avignon foi a primeira cidade que me deu a sensação de solidão por um tempo maior que o normal. Nunca tinha experimentado isso antes, até porque sempre vivi rodeada da minha família. Nunca tive o desejo ou mesmo a pretensão de morar sozinha. Fiquei um tempo sozinha em Vancouver, no Canadá, mas não foi o bastante para me sentir sozinha. Em Avignon, mesmo morando com mais duas pessoas (Alexis e Pamela), percebo a solidão pinicar, principalmente quando eles não estão lá.

No livro « Clube dos Corações Solitários » que li coletivamente com meus colegas de último ano de Publicidade (beijo, Caricatura!), havia uma passagem em que a personagem saía pra um encontro, mas o homem só falava de si mesmo. Quando ela volta pra casa, e senta no meio fio, seu amigo pergunta como foi o encontro e ela comenta « você já se sentiu sozinho mesmo estando acompanhado ? ». É mais ou menos assim. Aqui na França, enquanto a amizade não pega no tranco, você pode estar em plena civilização, mas vai se sentir numa ilha deserta.

Estar só não é o problema. Pelo contrário, para pessoas como eu, é até recomendável. Preciso desse respiro. Mas também preciso do respiro das boas companhias! Segundo minha naturopata (uma profissão diferente que achei em Avignon, esse é um tipo psicológico equilibrado, o meu! Tive que dar um jeito de enfiar esse informação neste texto!). Mas estar só, e o pior, sentir-se só o tempo todo é pertubador. Sentir que, mesmo se você precisar, não terá ninguém. Poxa, isso não é legal. Pessoas morrem por causa disso.

Outro dia conheci um espanhol que estava fazendo teste para virar professor na Universidade de Avignon. Na minha ingenuidade achei que ele reunia todas as características de uma pessoa que teria prazer numa vida solitária. Mas não. Menos de 10 minutos de conversa, e ele já estava contando uns três casos de quando precisou de contato ou gentileza humana e não teve.

Foi morando na França que descobri que a gentileza não é a coisa mais comum do mundo. Eu achava que era normal ser gentil. Engano. Claro que conheço franceses muito gentis e fofos. Mas achei que fosse conhecer mais!

Já relatei uma vez que eu gosto de cuidar do jardim e dos gatos abandonados que moram perto da minha casa. Pois bem, dei um tempo de cuidar do jardim porque vi que era quase inútil. Quanto mais arrumava, mais sujeira aparecia. E umas sujeiras pesadas, estranhas. Fiquei um pouco frustrada. E isso me deu a impressão de estar sozinha. De ser a única a se importar. Mas continuei cuidando dos gatos. Outro dia apareceram na minha porta dois sacos de ração para gatos. Não tinha nome, nem bilhete, nada. Fiquei meio desconfiada, mas ao que tudo indica, era só ração mesmo (lembre-me depois de contar sobre a máfia das rações e a possibilidade de ter cães e gatos vegetarianos !). Essa pequena «gentileza » me deu um pouco mais de fôlego. E mais motivação para continuar o projeto.

Quando comecei este blog fiz um trato comigo mesma que não iria ficar falando de coisa negativa no blog. Não acho que esse tipo de mensagem leve a nada e só causaria mal entendidos. Então, por favor, leia este texto até o final para ver onde quero chegar e não ficar com uma impressão ruim (o muito ruim).

A hostilidade de Avignon existe. É fato. Costumo dizer que se não tivesse descoberto o grupo de couchsurfers, eu não teria amigos na cidade. Ou teria amigos que veria uma ou duas vezes por ano.

Tenho vizinhos que sequer respondem o « bom dia » que a gente dá. Outros respondem, mas a relação nunca passa de « como vai ? Olha que solão ! Ouvi dizer que vai chover ». Na época da Copa do Mundo foi maravilhoso, porque era quando as small talks (Silvinha me explicou que não é little talks !) duravam mais tempo : « E o Brasil, hein ?! Nossa, eles estão jogando um bolão ! ». Mas foi só a Alemanha devastar o nosso time que todo mundo passou a evitar esse assunto comigo e pronto, fiquei sem assunto de novo. Tenho uma vizinha que até hoje me evita… e eu não tenho certeza que é por causa da Copa do Mundo ou por ela me achar estranha mesmo (estranha onde???). Fato é que ela não me recebe casa dela nem quando eu estou com um embrulho de presente batendo na porta e vendo que ela está na sala assistindo televisão. Nesse nível!

Encontrar amigos em Avignon foi realmente uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Sem amigos, eu costumava ver vídeos na internet para ouvir alguém falando comigo (olha que depressão) e as vezes pensava « nossa, que legal essa pessoa com tanta audiência! Ela nunca deve se sentir sozinha ! » (olha que depressão!!!).

Aí comecei a frequentar esse grupo de amigos de amigos que faziam couchsurfing. Comecei a aceitar couchsurfers também. E a fazer pão de queijo pra galera, brigadeiro, ser gentil por ser gentil. Passei a fazer o que a vida inteira me ensinaram a não fazer: conversar com estrahos! Mas estranhos com uma loucura que parece um pouco com a minha, Falcão! Chamar pra festas que tocam Macarena e Balão Mágico. E funcionou! Não com todos, mas com uma quantidade boa de gente com quem eu me identifico.

Hoje, na hora que eu quiser, tenho alguém para ligar, pra conversar, pra me dar conselho e até pra corrigir meus textos em idiomas não identificados.

Ainda por cima (amo essa expressão!), descobri grupos no whatsapp que aceitam estranhos e que se abrem para todo tipo de estranhos! Com gente do Brasil inteiro. A qualquer hora do dia ou da noite o povo tá lá no maior papo !

Mas é estranho! Ainda acho. Não ter companhias imediatas como vizinhos ou parentes. Mas beleza, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição, Amarante!

Lembrei que mini-solidões não são tão novas assim. Era normal quando eu mudava de escola, por exemplo. Teve uma vez que mandei um e-mail tão depressivo para minha amiga da escola anterior, falando da falta de amigos, que até hoje ela está escolhendo as palavras para responder.

Ou quando entrei pra faculdade de Direito, e depois pra outra faculdade de Direito. Mas no fim das contas, em todos esses lugares, fiz ótimos amigos depois de algumas semanas, quase todos rendem até hoje! Mesmo à distância.

O período de teste em Avignon foi o maior. E mais atípico. Era o lugar onde as pessoas torciam mais o nariz pra mim. E hoje eu mando tchauzinho pra elas quando começam a me julgar demais no restaurante! Ainda tenho momentos de solidão, mesmo com uma gatinha supercarinhosa e amigos muito presentes. Acontece! É por isso que sempre inventamos jantares vegetarianos juntos, noite de seriados, saídas para teatros, para ver eclipse, para caminhar, nadar nos rios, visitar museus, fazer aula de dança e doar roupas velhas. Descobrir os amigos que descobri em Avignon compensou os mais de 400 dias que passei na cidade, no bloco do eu sozinha, sem ter muita companhia. Eu convido você, futuro professor, a vir filosofar um pouco mais com a gente!

 

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OBS: Este texto faz parte do projeto 33 textos antes dos 33 anos!

Para ver vídeos que faço para um outro blog, clique aqui!

Sobre as fotos: A foto na mesa, embora não pareça, é sobre a chegada da primavera do ano passado, quando pudemos finalmente fazer algo ao ar livre sem morrer de frio! A foto das fantasias é sobre uma festa que na verdade não era à fantasia, mas três pessoas entenderam errado e foram fantasiadas, para não morrerem de vergonha todo mundo se fantasiou lá mesmo! A foto do coração é uma iniciativa linda da Sabrina Abreu ( #s2fragil ), e quem clicou foi a Livia Alen!