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Festa na lancha

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“Festa na lancha”, uma expressão que embora pareça divertida pode chegar a ser dramática.

Aprendi com meus amigos da Comunicação. Imagine você estar numa festa numa lancha. Imaginou uma coisa legal, né?! Mas visualize que você não esteja se divertindo. Como é que você sai ? Ou você pula da lancha e sai nadando, correndo todos os riscos naturais e sociais que isso possa acarretar. É muito complicado.

A festa na lancha é a situação que a gente se coloca (ou se deixar colocar) socialmente de difícil escapatória. Geralmente, essas festas estão revestidas de fachadas muito divertidas, mas no fundo podem ser um pesadelo. Situações em que a gente pensa que está no lugar errado, na hora errada e não consegue mudar isso tão cedo. Que angústia desnecessária.

Eis alguns exemplos e dicas que são baseados na única coisa sobre a qual eu poderia me basear, a minha vida:

  • Aceitar pegar (ou dar) carona para algum evento e ter que ficar amarrado a uma pessoa que nitidamente não quer ir embora na mesma hora que você.

Comentário: Eu sou absolutamente a favor da carona. Isso resolveria inclusive muitos problemas ambientais. Acho que sempre que pudermos, a gente deve oferecer. Mas para não ser tão comprometedora, em caso de caronas para eventos, se você for o que oferece, diga que não pode confirmar pra ninguém a hora de voltar e que você irá decidir na hora, de acordo com o seu sono, sua animação e sua vontade de dirigir. Se você for a pessoa que pega a carona, tente arrumar mais de uma para voltar e sempre explique para o primeiro caroneiro que você também não tem muita hora. Se tiver alguém saindo mais cedo, peça a carona. Dependendo, até ofereça pagar pela gasolina.

  • Fim de semana no sítio.

Comentário : O campo é maravilhoso! Tanta coisa bonita, o cheiro de mato, os bichinhos, o barulho da água, a comida fresquinha. Eu amo! Mas nem todo mundo vai pra sítio pelos mesmos motivos que eu. Já me envolvi em cada festa na lancha por causa de fim de semana em sítio que passei a recusar a maioria dos convites. Era música sem sintonia com o lugar, era gritaria de jogo, era assunto de futebol e cerveja (sem contar o terceiro assunto dessa tríade), era ostentação de barriga sarada, sapato de marca e coisas do gênero que preferi não me envolver muito mais. Caso você caia nessa e não tenha muito como sair mais cedo e nem um bom livro pra ler, sugiro que use seu celular para tirar fotos de joaninhas e abelhas no canteiro. Se não tiver celular, use um papel e vire desenhista das flores e passarinhos. Mas você também pode sempre tentar interagir mais com a galera (respira fundo e vai). Que tal uma caça ao tesouro, um jogo de mímica ou aquela brincadeira ótima em que a gente come alguma coisa de olhos vendados e tem que descobrir o que é ? Por que ninguém faz isso mais nos sítios, gente?! De repente, numa dessas, o povo até troca a música, ou te inclui numa conversa mais amiga.

  • Churrasco

Comentário: Amo a ideia de encontrar os amigos para comer. Mas Churrasco só com churrasco não dá. Nunca gostei de comer carne e agora cortei ( #2015semcarne)! Com relação a churrascos, as soluções são muito parecidas com as soluções citadas para o fim de semana no sítio, a única diferença é que se você for vegetarian@ ou vegan@ o seu sofrimento pode aumentar se não tiver previsto levar nada pra comer. Fique de olho no vinagrete e no pão com alho. Em último caso, simule um desmaio. Mas levante rápido e faça todo mundo rir até te alimentarem com coisas boas!

  • Cinema ou Teatro.

Comentário: Dois amores que podem se tornar grandes tormentos. No caso do cinema, já não tenho tantos pudores. Se o filme me parece ruim, ou com cena de tortura, levanto e vou embora e depois explico que estava me fazendo mal. É importante que seja num lugar com transporte público acessível. Já o teatro, por respeito ao ator que está lá contando comigo, eu fico até o final mesmo quando é ruim. Mas se for um teatro muito chocante, passo o resto do espetáculo de olhos fechados. Dormindo, de preferência. Já tive muita experiência complicada com isso. De chamar chefe, avós e colegas para filmes e/ou peças que não eram nada do que a gente esperava. Hoje prefiro convidar para tomar um café ou ir num parque.

  • Museus ou Exposições

Comentário: Você quer ficar duas horas na frente de um quadro e seu amigo não. Ou vice-versa. Entrem juntos e combinem de encontrar no café da saída. Cada um tem um tempo em relação à arte/ciência/história/entretenimento. Anote seus comentários fofinhos em relação às obras que mais te inspiraram para falar depois. Se nada inspirou, tenha dinheiro suficiente para dois cafés e um croissant e leve um livro. Talvez você tenha que esperar muito lá na porta.

  • Festas de amigos/família.

Comentário : Dizem que a vida social é uma forma de escravidão. É muito por conta desta vida que a gente faz e deixa de fazer muitas coisas. As festas de amigos/família são sim obrigações sociais. Em 80% das vezes que estou lá, estou porque quero, porque gosto, porque me faz bem. 20% nem tanto. 20% é meio festa na lancha. Estou lá porque quero agradar, mas não estou tão bem. Acontece! A dica para esses momentos é saber piadas prontas, ter notícias legais para contar ou apenas comentar sobre alguma comida, o clima ou a moda. Tente levar na paz. Fique amiga do gato ou do cachorro da casa. Ajude a lavar algum copo. Mas se estiver mal mesmo, invente uma desculpa e chame um taxi (ou não vá). Ninguém é obrigado a aguentar gente mal humorada em festa.

  •  Viagens com amigos

Comentário: São tantas as variáveis que é difícil definir o que deve o que não deve ser feito para evitar os constrangimentos. É quase certo que viagem em grupo gerará algum tipo de incômodo uma hora ou outra, mas eles não podem ser duradouros ou muito frequentes. Viajar em grupo é exercitar a tolerância e a arte de relevar pequenos inconvenientes. Poxa, eu queria tirar uma foto daquela ponte, mas o grupo já tá lá na frente, nem me esperou… Poxa, eu queria comer no Restaurante X, mas todo mundo é doido com o restaurante Y que não tem graça nenhuma… mas tudo bem! Afinal, meu caro, viajar é uma das melhores coisas que você pode fazer com a sua vida. Cultivar amizades é outra. Se você unir os dois, forçosamente terá boas condições de sair de uma festa na lancha, sem ter que sair da lancha! Mas pode usar as dicas do fim de semana no sítio de novo aqui! E da festa de amigos também!

  • Pegar avião/ônibus/trem/ bondinho demorado/ congestionamento.

Comentário: Você vai passar longos tempos em deslocamento, mas com pouca mobilidade gestual. Está aí uma boa oportunidade para resolver problemas mentalmente. Aprendi isso com a Logosofia. De forma geral consiste em usar o tempo em que você estará sentado para raciocinar sobre coisas que podem acontecer na sua vida. Momentos em que você precisará ter reações mais ou menos inteligentes e de forma mais ou menos rápida: reuniões de trabalho; conversas com gente importante; como se portar diante de assaltos; como sugerir uma melhor solução pro vazamento na garagem; como salvar alguém em caso de intoxicação etc. Proponha-se um problema (isso é o que não falta) e depois tente trabalhar na sua mente uma solução (isso é o que falta) com os conhecimentos que você tem ou o que você precisa buscar. Anote no celular o que for mais relevante pra não esquecer. Guarde pensamentos pensados e suas longas horas de espera serão muito mais úteis! Ivete Sangalo uma vez disse numa entrevista que ela tem muita energia porque só guarda pensamento bom. Concordo mil por cento!

E por fim, deixo aqui as minhas sugestões (sempre muito pessoais e nada baseadas em estatísticas) dos melhores programas do mundo com menos perigos (!): tomar um café/suco com alguém e/ou fazer uma caminhada conjunta. Programas bons, gostosos, baratos, de curto prazo e risco bem calculado! Fora isso, sempre haverá um risco, tanto de ser ruim, quanto de ser muito, mas muito bom!!!!

Vai lá, pra ver!

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Ps. Vai rolar a festa! Amanhã é o dia da festa da música no mundo inteiro! Não deixe de celebrar.

Ps2. Este post faz parte da sequência de textos do meu projeto “33 textos antes dos 33 anos”! Um beijo pra Cacau que me avisou hoje que está acompanhando!

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O casamento grego

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No início do ano fomos convidados para o casamento de uma amiga na Grécia que se daria no final de Agosto.

Antes disso, tivemos a visita das duas famílias na nossa casa. A minha, vinda de mais longe, veio para tudo mudar! Dizem que família de italiano é assim, arruma a casa inteira, pinta as paredes, costura as roupas rasgadas e, quando saem, deixam um rastro de saudade. Foi duro despedir. A nossa geladeira ficou repleta de amor, mas o vazio passou para dentro do coração.

Que consolo? Vamos para a Grécia!

Ah, a Grécia. Sinceramente, nunca tinha dedicado muito tempo mental para refletir sobre a Grécia atual não. Ela se resumia aos trabalhos de Hércules, ao Deus da Comunicação (Hermes), à Deusa da Justiça (Themis) e àquelas esculturas peladas, todas em forma, para dar inveja aos pobres mortais cheios de celulite. Não, a Grécia atual não estava nos meus planos. Ela estava em crise. Dizem que sofria com a corrupção. Me parecia um cenário já conhecido.

E foi aí minha surpresa.

A Grécia é sim um cenário conhecido, mas é também exuberante, surpreendente, um dos lugares mais lindos que já conheci!

Do lado conhecido, a Grécia tem gente como a gente! Gente que sorri, que dá bom dia com gosto, gente acolhedora, que cozinha com um tanto de gordura, que morre de calor, que arrasta o chinelo na cozinha e que trata o cliente como o rei do mundo.

Do lado exuberante, a Grécia é a definição que eu tinha de paraíso. Tudo é bonito! Para cima, para baixo, para todos os lado. Tudo é fotogênico. Lá vi a maior concentração de pessoas bonitas da minha vida (fisicamente falando). Os gregos são monumentais em todos os sentidos! Vi o sol se pondo como poesia. As águas mais generosas do mar estão lá, transparentes, chamando para um mergulho! E o suco de laranja… O sabor da felicidade!

Tive a ventura de contar com a companhia da minha tia para o casamento grego! Eu nunca consegui terminar de assistir o filme homônimo porque tenho um problema de televisãolepsia (não sei se existe essa palavra, provavelmente não porque o word está fazendo aquele riscadinho vermelho, que aliás, ele também fez para a palavra “word”).

Kleio foi a noiva. Kleio é uma pessoa muito animada! Um pouco como as minhas amigas brasileiras! Ela nos deu a maior atenção no dia em que chegamos na Ilha de Évia, onde seria a cerimônia e nos apresentou ainda duas outras francesas de Avignon que para lá foram também pra ver o tão falado casamento grego.

Kleio nos contou que haveria uma cerimônia religiosa ortodoxa (religião predominante na Grécia, e ortodoxo o word reconhece, né?!) e depois uma festa para 557 convidados. Na hora que ela falou isso, Alexis e eu caímos para trás! QUINHENTOS E CINQUENTA E SETE PESSOAS! Calma, dizem que casamento grego é com todo mundo mesmo. A ilha inteira estaria presente! E mais um pouco. E a gente, de novo, pensou, como é possível com a crise? É possível!

Fomos pra tal cerimônia religiosa. Mas não entramos. A cerimônia foi numa capela, no alto de uma montanha, com vista para o mar. Na capela cabiam umas 20 pessoas. Imagino que umas 50 se amontoaram lá. Do lado de fora, ficaram umas 300 (porque muita gente pula a parte religiosa, né?!). Dessas 300, duzentas e noventa estavam fofocando, falando sobre as roupas dos outros (dá de tudo!), falando sobre a crise, sobre a Europa, sobre a Syria, sobre os EUA, sobre comida, sobre bebida e sobre outras coisas que não eram o casamento. As 10 restantes, estavam blasfemando o fato de ninguém estar prestando atenção nos dizeres do padre, que eram cantados num grego antigo que nem a noiva entendia. Mas diz a noiva que o padre nem pergunta se eles se aceitam mutuamente para amar e respeitar, na saúde e na doença… Segundo ela, se você está lá pra casar, é porque já aceitou o fardo. É.

Então ela saiu da igreja, molhada de suor, ainda fazia dia, embora já fossem 8h da noite. Tocaram o sino, todo mundo carregou todo mundo, todo mundo brindou, tirou foto, pulou, assistiu o pôr-do-sol no mar e se foi pra festa.

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Estávamos famintos quando chegamos na festa que era no mesmo hotel em que ficamos (por 20 euros a diária, com piscina, quarto enorme, tudo limpo, mas recepcionista que só fala grego, embora simpática). Na mesa em que ficamos, encontramos um pão para cada prato. Pegamos um pedacinho do pão pra matar a fome. Não deu certo. Tiramos mais um pedacinho. Ai, que fome. Mais um pedacinho. E os salgadinhos que não chegam? Eu e minha tia começamos a fantasiar que ia aparecer uma coxinha com catupiry, uma empadinha de camarão, um bolinho de queijo… E lá se foi o pão inteiro. E não era pequeno. Mas fome, né?! A gente tem que respeitar.

No que terminamos de comer o pão, começamos a pensar em pegar o pão que estava sobre os outros pratos da mesa, já que não tinham outras pessoas para se sentarem lá. Até que chegaram outras pessoas. Primeiro duas donzelas gregas. Com vestidos tomara-que-caia, elas estavam morrendo de frio (de noite estava mais ou menos uns 19 graus). Depois chegou um moço e ficou conversando com ela. Ainda faltavam dois pratos, com dois pães, quando chegaram eles. Eles! Não os noivos, os noivos ficaram duas horas tirando fotos antes de aparecerem na festa (que agonia que eu tenho disso), mas chegaram Helení e Dimitri! Dois gregos também!

Pronto, perdemos a oportunidade de pegar mais pão… Como que a gente vai conversar com esse povo? A gente fala grego? Eles falam francês? Não. Português? Não. Inglês? “Yes! I can speak English!”, disse Helení com um tom sério. Não me lembro muito bem como começamos a conversa. Talvez eu tenha insinuado para ela que queria mais pão, mas sei que, no fim das contas, ela estava fazendo a gente dar gargalhadas de tudo que ela falava!

Helení era advogada na Grécia! Que espelho! Falava do lado bom e ruim da profissão, mas falava com leveza! No fundo, acho que ela nasceu pro teatro (como todo grego). Dimitri, seu noivo (eles se casariam em cinco dias), era escultor! Você já conheceu um escultor na sua vida? Tenho certeza que conheci a definição de escultor naquele dia. Era um homem grande, de cabelos volumosos, barba, sorriso largo, forte e muito bem humorado! Dizia não falar muito inglês, mas que compreendia tudo. Uma simpatia! Helení era magrinha, mas ocupava todos os espaços. Falava que iria nos ensinar a dançar, explicava a letra das músicas, contava o que sabia sobre o Brasil, sobre a Grécia, sobre suas idéias. Gente, que vontade de ser amiga dela! Toda vez que ela falava alguma coisa que nos fazia rir, Dimitri a pegava pela cintura e lhe tascava um beijo na bochecha, como quem diz “Que orgulho de estar ao seu lado!”. Fofo! No casamento dos outros, eles mostravam sua própria história de amor, sem indelicadezas!

Finalmente os noivos chegaram! E a música começou. Seria uma hora de danças típicas. Quando começou, era apenas Kleio e sua mãe, numa ciranda doce! Helení nos traduziu a música que apresentava o eu-lírico de uma mãe que se despede da filha que vai se casar. A mãe diz que sentirá saudades e que é para o marido a fazer feliz e orgulhosa dele. Feliz e orgulhosa dele. Que lindo!

Depois uma roda. Não sei bem em que hora aconteceu a valsa de marido com esposa, pai com filha, filha com avô, essas coisas, mas teve uma roda. Dessa eu me lembro! De repente, 557 convidados se levantam e vão pra roda de braços dados. É de arrepiar.

Lembra que a gente só tinha comido pão? Pois bem, nessa hora a comida começou a chegar. Chegou um prato de batatas e a gente traçou ele todo. Um prato de macarrão (esse estava meio super cozido, mas a gente comeu). Aí começou a chegar salada, empanadas de queijo, uma carne amarrada no papel laminado e eu já estava satisfeita. Pra que fui comer o pão inteiro???? Não parava de chegar comida depois.

Helení pegou nossa mão e nos levou pro meio da roda. Um passo pra frente, outro pra trás na diagonal, dá uma balançada e passa o outro pé… Parecia fácil, mas a minha coordenação motora não estava muito refinada. A do Alexis, então, era completamente oposta ao que eles faziam. Minha tia dançava, e ria, e filmava, e ria, e dançava, e comia alguma coisa… até que…

Até que começou a chegar uma bebida grega que chama Tsipuro (é assim que escreve? Aposto que não, word não está reconhecendo). Muito bem! Essa bebida é tomada em shots, pois é forte como a Vodka!

Tinha um garçom pra se ocupar de cada mesa. E a gente começou a ser servido daquilo. E tudo que a gente falava que era bom, a gente bebia um shot para comemorar. A noiva foi cumprimentar a mesa e todo mundo com seu shot! A música estava boa? Viva! Mais um shot! Antes de dançar, um shot, depois de dançar, outro shot!

A  música grega é tão linda! Tem tanta influência oriental… fica com uma sonoridade diferente, vibrante! Foge do tom-tom-semitom-tom-tom-tom-semitom!

Mas a música grega acabou… e aí o DJ começou aquele repertório básico internacional que toca em 100% das festas com mais de 200 pessoas (YMCA, La Bamba,  tudo do Bee Gees, Twist and Shout, Raining Men etc). E lá fomos com as duas francesas, a minha tia e Helení dançar!

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A noiva tirou meu Alexis para uma dança. E ele foi todo engraçado! Fazendo caras e bocas que renderam boas fotos (embora com definição à desejar).

Tocaram também algumas músicas brasileiras! Tchecheretchetche-tche-tche! Nessa hora,  já deviam ser umas duas da manhã, o garçom veio até a nossa mesa, com umas duas ou três novas garrafas de Tsipuro, puxou uma cadeira, sentou, serviu o meu copo, serviu um copo pra ele, brindou e bebeu!

Foi a deixa. Depois disso, ele trouxe tanta sobremesa pra gente, que até hoje eu fico me perguntando por quê  não comi mais (pensamento de gorda). E toda hora ele vinha tomar um shot com a gente. Eu já estava ficando preocupada.

Helení dançava. Kleio dançava. O noivo foi jogado na piscina e seguido por todos os seus amigos. Dimitri bebia e ria pra Alexis que bebia e ria pro garçom, que bebia, servia nossos copos e trazia sobremesa. E eu e minha tia na sobremesa. As duas francesas riam, comiam sobremesa e bebiam a tal da água que passarinho não pode de jeito nenhum!

Quatro horas da manhã decidimos ir pro quarto pegar as havaianas, essa coisa de classe que toda mulher faz em fim de festa, né?! Ficar de chinelo. Mas minha tia teve uma ideia melhor! Ela trocou a roupa inteira, por outra roupa ainda mais bonita! Só uma diva para fazer isso. Minha tia perdeu alguns quilos nos últimos anos e se tornou uma das mulheres mais vistosas que conheço! Ela com o vestido azul marinho estava ganhando de Kate Middleton na elegância. Sério!

Então voltamos pra festa. Eu de havaianas e minha tia de vestido azul (antes era pêssego).  Passamos pelo noivo de camiseta e bermuda e sentamos na mesa. Conversamos um pouco com o garçom. Ouvimos a música. Dançamos um pouquinho e depois de 30 minutos minha tia decidiu que queria dormir! Haha! Nos abraçamos e ela se foi.

Mais trinta minutos. Dançamos um pouco mais.  Um pouquinho mais de Tsipuro. Muita água para compensar. Muito doce para não ter gastrite e dali música, dali dança. As francesas foram dormir.

Eu, Alexis, Dimitri e Helení resistimos. Os dois últimos, mais que a gente. Eles ainda estavam dançando, se abraçando. Eu e Alexis, sentados na mesa, meio zumbis, de chinelo…

Decidimos despedir. Antes ele colocou uma garrafa de Tsipuro separada. O que é isso que você está fazendo? “Vou levar de lembrança”, ele disse. Avisou pro Garçom! Avisou pra Kleio! Despedimos dela! E depois despedimos do outro casal. Tão simpáticos… será que nos veremos novamente?

Duas horas depois de ter apagado no quarto, abri os olhos e ainda se ouvia a música. Muita música! Muitas risadas… Bateu um arrependimento de ter ido embora. Mas que forças eu teria para ficar até depois de 6h da manhã?

No dia seguinte, refleti sobre essa festa. Estranho, não estava com dor de cabeça. Foi uma festa legal! Muito animada, principalmente, com pessoas interessadas em participar de uma festa animada (porque não basta um bom DJ se ninguém quiser dançar, ou rir, ou conversar). Mas concluí uma coisa, o casamento tradicional brasileiro tem mais ou menos o mesmo tanto de gente do casamento tradicional grego, só que a gente não conta e não dançamos de braços unidos. Deveríamos começar!

Eu deixo o meu conselho: Se um dia você tiver a oportunidade de presenciar um casamento grego, não perca. É incrível!

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Ps. As fotos com data foram tiradas pela amiga francesa Colette Guerido!