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Postcard from Italy

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Uma das características mais fofas que notei nos europeus é o hábito de enviar cartões postais. Eu não tenho esse hábito, embora me esforce de vez em quando para isso. Para os europeus é natural. Sempre recebemos na nossa caixa de correio postais de amigos, colegas de trabalho, até de chefes que viajam o planeta inteiro e lembram da gente. Silvinha, minha amiga, embora brasileira, também mantém esse hábito e me enche de alegria. Luciana, outra amiga brasileira, fez uma linda coletânea de cartões postais para sua avó durante uma volta ao mundo e espalhou essa beleza pelo instagram. Eu acho uma graça.

O que me acontece não é nada disso. Normalmente compro os postais pensando num tanto de gente e os guardo comigo, voltando de viagem sem ter enviado.

Aconteceu de novo. Comprei vários postais, mas não enviei nenhum. Descobri que não comprei o suficiente e que seria muito difícil escolher para quem enviar. Então é bem possível que eles continuem armazenados numa gaveta por algum tempo.

Agora, pensando bem, o que eu teria para dizer a todos, seria mais ou menos a mesma coisa sobre a Itália. Se fosse enviar para você, meu caro amigo, um cartão postal da minha passagem por aqui nestes dias, eu diria o seguinte:

A Itália é linda. O italiano é esquentatinho, é chorão e respondão. Mas é também um povo feliz, sempre com fome de comida e sede de arte. Sempre apaixonado e cantante. Aqui ganhei abraços e beijos de desconhecidos. Me senti mais bonita que o normal. Ri muito. Nesta terra encontrei gente que parecia conhecer e conheci gente que é sangue do meu sangue. A Itália me ofereceu o sol e o calor humano que o Brasil ofereceu para meus tataravós italianos quando eles lá se refugiaram. Fui muito feliz nesse chão. E por aqui deixo também um pedaço, um grande pedaço, do meu coração.

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Fotos tiradas de Milão, Verona, Veneza, Porto Tolle e Florença (fora dessa ordem).

 

Mais:

“Postcards from Italy”, música do Beirut que meu cachorro adora!

Para vovó Zu, projeto da Lu de cartões postais para a avó e o mundo!

Jammo, jammo ‘ncoppa jammo ja, Funiculi, funicula, Funiculi, funiculaaaaaaa!!!

 

 

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Conclusões antecipadas

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Estava na fila do caixa quando a senhora que esperava atrás de mim comentou « mas se é pra passar só uma garrafa d’água, você pode passar na frente de todo mundo ». Ri e respondi que não precisava. Passados trinta segundos o rapaz da minha frente falou « por favor, pode passar, assim eu deixo todo mundo feliz ». Agradeci e passei. Ainda tinha uma moça antes de mim. Sem problemas. Mas a senhora lá de traz gritou « ei, moça, deixa essa daí passar na sua frente, ela só tem uma garrafa d’água pra pagar ». Falei que não precisava de novo. E a moça gentilmente me colocou na frente. Olhei pra trás e a senhora dava uma risadinha e um sinal de jóia!

Isso aconteceu hoje, aqui em Milão. Já é a segunda história fofa que tenho para contar de fila de caixa. A primeira foi há dois dias, quando um homem, depois de passar e pagar suas mercadorias, retornou, e disse ao homem do caixa que estava com 20 euros a mais de troco.

Quando furtaram a mala da minha prima depois do check in no aeroporto de Milão (depois a mala foi encontrada aberta na rua por uma mulher que achou o meu telefone lá dentro e me ligou) fiquei com a má impressão de que as pessoas daqui só queriam levar vantagem (salvo a mulher que achou a mala). Mas desde que cheguei (há apenas 4 dias) tenho tido a experiência contrária.

Internet gratuita, preços baixos, bom atendimento, tudo isso me faz repensar as estranhas conclusões que a gente tira baseadas em poucas experiências. Mas claro que tudo pode mudar. Ainda é  pouco tempo vivido aqui para saber dizer o que penso dos italianos. Nas primeiras semanas na França eu dizia que o atendimento em restaurantes era ótimo. Hoje já tenho uma visão bem diferente. Meu próprio Brasil e a minha querida Belo Horizonte também costumam me fazer repensar muitas frases prontas.

Estou deixando a Itália me surpreender positivamente. Por enquanto, tem funcionado!

 

Ps. Este é o centésimo post deste blog! E é mais um post da saga “33 textos antes dos 33 anos”!