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Meu primeiro fim de semana em Avignon

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Dois dias de frango e um dia de ouriço. Esse foi meu primeiro fim de semana em Avignon. Dias repletos de eventos sociais.

Na sexta e no sábado, teve jantar aqui na casa de Avignon. Sexta só entre roommates, sábado com mais gente. Nos dois dias o cardápio foi frango com um molho delicioso e arroz. Adorei o arroz e o molho de creme de coco, mas o frango, em si, eu como só por educação (e pra não morrer de fome) porque já tive uma galinha de estimação… e tenho uma tendência muito grande ao vegetarianismo… enfim…

Aqueles eventos cumpriram com o objetivo de me apresentar uma das formas preferidas dos europeus se divertirem. Bem diferente do que meu sonho de eventos sociais, mas bem próximo do que eu já imaginava. Menção honrosa para a apresentação da Grole (ou algo como isso), que é um jeito estranho de tomar um chá italiano, mas é divertida a flambada inicial.

Ontem foi um domingo ensolarado e fomos para a praia. Eu ouvi o nome da cidade quinze vezes, mas não sei se decorei. O nome era tipo Calanques, Calango, Cancan, sei lá… fica perto de Marseille (uma cidade que eu achei meio suja e estranha na primeira vez que visitei). Desta praia eu gostei! Escondida entre pequenos morros e casarões da elite européia, a praia mediterrânea não era contemplada por areia branca como nosso lindo litoral brasileiro, e sim por pedregulhos muito complicados de caminhar sobre.

Para compensar, a água é limpinha e transparente e ontem não acolhia nenhuma água viva.

Fui nadar e chamei o Alexis. Ele pulou na água e teve uma ideia: “Vamos nadar até aquela ilha ali?”. Aquela ilha, em alto-mar, sem nenhuma atração específica… Eu não entendo os homens… sempre querendo nadar até uma ilha, subir no topo de uma montanha, congelar no gelo do inverno mais rigoroso, correr de bicicleta e dar um pulo… e pra quê? Eu não entendo esses propósitos despropositados típicos da figura masculina, em que eles expõem a vida deles a uns riscos desnecessários e muitas vezes morrem por bobagens…

Mas a água estava tão gostosa  e o mar tão calmo que fui nadando e quando vi já estávamos na metade do caminho para a ilha. De fato, não parecia perigoso, mas eu tenho um medo muito grande, um dos maiores medos da minha vida, que carrego desde a infância. Esse medo se chama Tubarão. Talvez por culpa do Spielberg, eu nunca consiga olhar pra baixo quando estou nadando no mar. E claro que o Alexis fez questão de beliscar meu pé para me assustar umas três ou quatro vezes.

Minha relação com Deus é a seguinte: eu tento ser uma pessoa legal, boa e procuro melhorar em diversos aspectos. Não sigo nenhuma religião e essa é a minha oração. Mas vez ou outra, estabeleço um diálogo com Ela.

E estava ontem, em alto-mar, a dizer que era muito nova para morrer, que eu tinha várias ideias para o Universo e que poderia ser muito útil ainda. Então o Alexis chegou pra mim e falou que tudo bem, que eu poderia ficar tranquila que ele não me deixaria morrer. Mas, ei, eu estou falando com Deus e não com você… que pretensioso… Esse povo meio grego tem mania de grandeza!

De volta da ilha deserta que dava vista para os iates recheados de velhas peladas, ficamos cuidando das mochilas enquanto os amigos italianos foram caçavam ouriços para o nosso jantar.

Ao mesmo tempo, eu me transformava numa lagosta vermelha, uma vez que não trouxe filtro-solar para a Europa. Ora, eu sou brasileira! E como típica-brasileira, descobri que era a pessoa mais branca da praia.

Aqui em Avignon jantamos espaguete ao molho de ouriço. Uma refeição trabalhosa e com um gostinho diferente. Mas eu fico sentida pelo ouriço… preferia apenas um molho de tomate…. Aliás, combinaria com a minha cor atual.

Vou pra aula. Beijo.

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