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Quero chamar atenção

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A França é uma delícia. E é também o lugar perfeito para fazer um tanto de coisa que não me atrai, como comer carne semi-crua, fumar, cozinhar uma lagosta, fumar, caçar animais na floresta, fumar, jogar poker, fumar, e outras coisas lícitas e ilícitas que eu particularmente morro de dó.

2012-11-16 12.35.43

No outro lado dessa salada completamente parcial, há algumas coisas que deveriam chamar mais atenção dos franceses e, no entanto, não atraem tantos. O chocolate é uma delas. São sempre os mesmos… Pentear o cabelo é outra. E o mais intrigante: a atenção, por exemplo, é um valor pouco cultivado. “Atenção” no sentido de “prestar atenção”e não de “dedicar uma atenção”, que é outra história!

Sem querer citar nomes, existe uma pessoa que eu conheço que adora cozinhar, mas esquece sempre o fogão ligado com o fogo baixo esquentando o nada e o forno, que deveria estar funcionando, desligado. Uma outra pessoa que eu também não vou citar o nome, se avacalhou com os presentes de fim de ano e deu um brinquedo escolar para o amigo adulto e um isqueiro superpotente para a filha do chefe (de oito anos). Outra pessoa, também inominada, esqueceu de olhar a estação correta do trem, mesmo após duas confirmações, e perdeu a caríssima passagem para Paris. E, por último, ainda tem uma outra pessoa, que me ligou quinhentas vezes para confirmar uma ida no cinema, quando o filme já tinha começado há meia hora. Ah, e claro, tem duas pessoas, que insistem em esquecer a porta da nossa casa completamente aberta. Certa vez acordei, passei em frente e não acreditei. Estava lá a porta escancarada, após uma noite inteira, convidando todo o mundo para entrar. Que alegórico!

Alguns franceses não se dão conta de algumas coisas de primeira necessidade como fechar gavetas. Mas a falta do clique também vale para outras nacionalidades, que não vou dizer quais. Só digo que confundiram o horário de inverno da França, com o horário de verão do Brasil e ao invés de atrasarem o relógio uma hora, adiantaram uma hora. O resultado foi que chamaram atenção do funcionário que teria “chegado fora da hora”, e chegaram uma hora antes no almoço da turma, estranhando como os outros puderam se fazer tão atrasados…

Vocês aí que são desse jeito! Beijo para vocês. Adoro-los!

A atenção é sim um acessório importante para a vida. Veja só, imagine uma mãe que esquece de buscar o filho na escolinha. Ou um engenheiro que deixa uma chave ligada na hora da manutenção. Diria que é essencial! Mas eu, sem desculpas, não estou livre de perdê-la por várias algumas vezes. Sempre chamo a Vanessa de Fernanda e a Fernanda de Vanessa e confundo todas as palavras em todas as línguas que deveria saber. Na primeira prova do semestre passado, ao invés de escrever que era uma sonhadora, escrevi que era uma “deleitadora” ou “orgia”, dependendo da tradução. O mais recente é que eu confundo “lenço de papel” (mouchoirs) com a palavra “mentira” (mensonge) e digo em alto e bom som que preciso de mais mentiras.

Não preciso.

Quem precisa delas?

Essas pessoas que gostam de jogar poker!

ps. A foto que ilustra o texto é de minha autoria durante a festa do vinho e só está aí para chamar atenção!