Assinatura RSS

Arquivo da tag: Turismo

Oslo!

Publicado em

Passei seis dias em Oslo. Capital da Noruega. Nunca pensei na vida que um dia colocaria os pés na Noruega. Tinha uma boa impressão do país, principalmente em relação às ideias da Escandinávia e aos hidratantes labiais mas nada muito além disso.

Quando a oportunidade apareceu fui em frente. E lá estava, num dos poucos lugares onde eu poderia me considerar morena demais!

Muito embora seja pequena, Oslo tem problemas e soluções de cidade grande. Oslo tem metrô, trem e um sistema de ônibus que funciona impecavelmente. Todo mundo fala norueguês e inglês. Oslo tem restaurantes e lojas com um serviço razoável, mas poucas coisas artesanais, o que foi uma pena. Mas tem um porto e casas feitas de containeres, o que é genial! Para a lista de lamentações Oslo ainda tem muitos mendigos (uma surpresa, pois vimos que eles cogitavam inclusive proibir a mendicância – situação que gerou um estudo entre amigos!) e pessoas completamente dopadas pelas ruas. Nada do que citei é exclusividade de Oslo, mas são características que chamam atenção na cidade. Sobre a arquitetura, eu diria que é uma mistura da inglesa, com holandesa, com a contemporânea mundial. Mas não sou especialista, lembre-se!

Tive alguns pontos altos neste passeio. Um deles foi conhecer o navio do explorador dos Pólos, Roald Amundsem. Seu navio que chegou ao pólo Sul, chamado Fram, está inteiro dentro de um museu e lá podemos entrar dentro dele. É muito impressionante e bonito e impressionante de novo! Como alguém consegue convencer outros bons profissionais e viajarem com ele, colocando em risco suas vidas, seus casamentos e suas fortunas para ir pra onde? Pra um lugar cheio de neve, frio, gelo e ursos que comem gente!!!!! Bravo, Amundsen! Isso não é para qualquer um. Scott, o inglês que tentava o mesmo feito também quase conseguiu, mas a escolha de pôneis para puxar charretes no gelo foi menos acertada que a escolha de cachorros (como fez o norueguês).

Outro ponto alto da viagem foi conhecer o City Hall de Oslo, onde todo ano é entregue o prêmio Nobel da Paz. Um lugar magnífico. Como diria o prefeito da cidade, um lugar que por fora pode ter uma beleza questionável, mas por dentro deixa o que discutir. É maravilhoso! E tão especial…

Foi lá dentro que conheci pessoas nada menos que sensacionais, e que nos dias subsequentes nos acompanharam em mais turismo. Destas pessoas tirei algumas boas regras de como seriam as (minhas) companhias ideais para viagem. Características essas que todas reuniam, além de muita empatia!  1) Elas não eram “afetadas” com jeitos irritantes (pra mim) de falar ou manias de compras, 2) Tinham casos engraçados e/ou enriquecedores, 3) Sabiam ouvir também, 4) Tinham fome na mesma hora que eu, 5) Tinham soluções divertidas para problemas inusitados, 6) Tinham o caminhar na mesma velocidade média que o meu 7) Não ficavam xingando o Brasil a cada coisa boa que observam no outro país. Adorei!

Por último, três excelentes passeios foram no Vigeland Park, um parque cheio de estátuas feitas pelo senhor Vigeland; o Munch Museu, para conhecer o quadro grito e as noites estreladas de Van Gogh, infelizmente um museu ainda com a mania chata de proibir – inutilmente – fotos no local (talvez por trauma dos dois sequestros que o quadro de Munch já sofreu) e uma fazenda perdida nos arredores de Oslo, para onde fui sozinha apenas pra dar bom dia aos cavalos e as vacas. Que retribuiram!

Oslo é uma cidade cara, mas não é preciso gastar muito. Andar nas ruas é um evento, com lugares e gente bonita e simpática para apreciar. Pudemos aproveitar que no verão não anoitece por esses cantos. O que alterou completamente o nosso sono, mas foi divertido!

Não sei se um dia voltarei pra esse país. Mas é mais uma estrelinha no meu globo! E mais um coraçãozinho na memória. Noruega, sua linda!

IMG_5397

IMG_5355

 

IMG_5364

IMG_5308

IMG_5266

IMG_5518

 

Ps. Este post faz parte da sequência de textos do meu projeto “33 textos antes dos 33 anos”. O texto também foi publicado no meu blog sobre serviços/turismo e boas impressões. Minha tia disse que não aguenta acompanhar todas as páginas que eu crio na internet. Então não vou nem comentar que em breve devo fazer um vídeo no canal do youtube sobre observações de Oslo!

O que você poderia saber sobre Avignon antes de vir pra cá

Publicado em

Quando cheguei em Avignon, há dois anos e meio, não sabia muita coisa. Achava que sabia! Mas nãaaa… Muita coisa que eu entendia como universal, não funcionava para a vida aqui. Muita coisa que eu não sabia que existia, passou a fazer parte da minha vida. Foi assim que, aos poucos, fui conhecendo e tentando entender melhor não só Avignon, mas também a França e, por mais incrível que pareça, também o Brasil e minha cidade, Belo Horizonte.

O tema Cidades é o meu preferido. Peter Smith do Guidebook da Vida Urbana disse algo do tipo “Quero estudar as cidades para entender a história da gentileza”.

Então, para quem está vindo a turismo ou para morar, deixo aqui algumas lições que aprendi na prática. Espero ajudar!

IMG_2312

  • Avignon é uma cidade em julho e outra nos outros meses.

Por isso, vou falar praticamente da cidade dos outros meses. Porque em julho tem o maior festival de teatro do mundo aqui e tudo vira festa! E é muito muito muito bom!

  • Você não achará táxi com facilidade.

Não é comum pedir táxi aqui. Eu mesma nem sei telefone de tele-táxi e quase não vejo taxi na cidade. Não sei se eles aceitariam fazer corridas por valores muito baixos… Só andei uma vez num táxi que encontrei por sorte na estação de trem mais distante e foi por causa do frio.

  • Programa no shopping é uma ideia que não existe.

Eu não tenho nada contra shopping. Acho até agradável andar em shopping quando não está lotado e desde que não seja a única opção de programa pros dias livres. Mas aqui essa ideia não é nem considerada. Os shoppings e centros comerciais até existem, mas eles nem tem praça de alimentação, nem são feitos para a gente reencontrar amigos. É apenas chegar, comprar e ir embora.

  • É mais fácil andar de bicicleta que de carro.

A cidade tem duas partes. A parte medieval, dentro dos muros e a parte industrial e residencial fora dos muros. Dentro dos muros os carros não cabem mais, mas eles entram. E ficam congestionados, as vezes até entalados mesmo nas ruas muito estreitas. Fora dos muros, ainda é possível fazer muita coisa de bicicleta e transporte público. Os carros fazem falta principalmente para viajar ou para grandes compras e mudanças. Mas se você pode dar preferência para a bicicleta, por que não?!

IMG_9280

  • Nem tudo é acessível para cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê.

Simplesmente não sei como as pessoas que precisam de acessibilidade poderiam fazer para viver aqui. Não estou falando de órgãos administrativos, nem dos grandes teatros. Estou falando de entrar em restaurantes, visitar amigos e as vezes até andar nas ruas fininhas que nem calçada têm. A cidade é medieval e muitas coisas continuam com a mesma estrutura. Elevador é um conceito pouco visto na cidade.

  • Feiras! Muitas feiras!

Se você não gosta de feiras, Avignon é o lugar ideal para começar a gostar. Se já gosta, vai se esbaldar! Feiras de objetos usados, feiras de produtos naturais. Feiras de produtores que não destroem o planeta para ganhar dinheiro. Obrigada, França, por me fazer apaixonar (ainda mais) por essa ideia!

IMG_9661

  • Não é comum comer em restaurante todos os dias.

Comer fora aqui é muito caro. No Brasil, pode ser caro e pode não ser caro. Não adianta me dizer que é sempre caro. Quando eu trabalhava na Savassi, almoçava fora todos os dias, pratos deliciosos e não chegava nem perto dos preços daqui. Aqui, ou você compra um congelado, ou você aprende a cozinhar. Comer em restaurante todos os dias, mesmo para um turista, é uma coisa que pode ficar muito pesada.

  • Todo o comércio fecha depois das 19h. E nada abre domingo.

Isso está para mudar. Mas ainda não mudou. Depois das 19h só tem restaurantes. E mesmo restaurantes não recebem muita gente depois de 21h30. Se quiser chegar mais tarde, reserve antes. Se quiser comprar coisas depois de 19h, alguns mercadinhos árabes ficam abertos. Mas o que era aqui perto da minha casa já fechou…

  • Quando alguém te convida para jantar, não necessariamente será um jantar chique.

Acho legal que as pessoas convidem para jantares normais, sem grande ostentação. Mas geralmente a gente leva ou uma garrafa de vinho ou uma sobremesa (de preferência feita em casa). Eu adoro jantar na casa das pessoas, mas, cá entre nós, falando de brasileiro pra brasileiro : come uma banana antes de ir.

  • Não espere muita gentileza e civilidade urbana. Mas espere um pouco.

Aqui tem de tudo. Não é porque conseguiram se colocar no posto de « país de primeiro mundo » que já nascem educados e fofinhos. Por isso, quando vejo alguém falando mal do Brasil, penso que talvez essa pessoa devesse viajar mais. Aqui tem os mesmos problemas do Brasil, mas com mais dinheiro. Muitos jogam lixo na rua e a rua é suja. Muitos furam fila e acham que é normal. Muitos se recusam a prestar pequenos favores ou a dar informação. Muitas motos passam arrancando nossos tímpanos. A sorte é que não são todos. Muitos ainda são boas pessoas mesmo com estranhos!

IMG_9803

  • Não use salto em Avignon. Simplesmente.

Para andar na cidade o salto é muito desagradável porque há muita pedra e fenda nas ruas. Mesmo em ambientes fechados, não é muito comum ver gente de salto. Nas nossas festas, todo mundo que veio de salto teve que pedir chinelo emprestado. Porque pra dançar no taco daqui, sapato baixo era muito melhor. Mas isso não é uma regra absoluta, claro que para ocasiões especiais, tudo é possível.

  • Não confie nas pessoas da rua. Por enquanto.

Avignon já foi considerada a cidade mais delinquente da França. Descobri isso outro dia e fiquei muito assustada. Mas calma! Hoje ela é apenas a 14a mais pobre da França e diminuiu o nível de delinquência. Mesmo assim, além de ter muita gente na rua que até te segue para pedir dinheiro, com as mulheres ainda acontecem situações mais chatas. Existem, por exemplo, os « convidadores para sair » que costumam ser homens com aparência de educados que passam o dia na rua chamando as mulheres para beber algo com eles. Eles estão sempre na rua e chamam uma a cada cinco mulheres que passam pra sair com eles. Não sei o que acontece depois. Mas não recomendo confiar. Fora isso, os homens mexem com as mulheres tanto ou mais que no Brasil na rua. Outro dia, em uma hora de caminhada no centro de Avignon, contei cinco comentários hostis e um semi-simpático. É tanto abuso masculino que isso desencoraja as mulheres a saírem de casa. Nas ruas acaba havendo um desequilíbrio entre gêneros (e, aff, não só nas ruas).

  • O vento!

O vento aqui tem nome. Ele se chama Mistral. Isso porque ele vai entrar na sua vida e na sua casa e vai se fazer notar. No verão, ele é um bálsamo para o calor de 40 graus que enfrentamos. No inverno, ele testará as suas forças. Entrará dentro do seu casaco e congelará o seu sangue. Não há um ser vivo que resista a esse vento sem proteção. Por isso, no último inverno, acolhemos o máximo de gatos possíveis, que felizmente foram adotados. Luvas, cachecóis e gorros. Você vai precisar. E minha avó aceita encomendas, eu acho!

ventoAvignon

  •  Programas ao ar livre em dia de sol!

As pessoas amam sair para sentar na grama quando o dia está ensolarado. E isso eu amo mais que tudo!!! Amigos e uma cesta de piquenique fazem meu dia mais feliz. Queira isso. Sempre! Na sua cidade também!

IMG_9775

  • Avignon não é uma pequena Paris.

A maioria das pessoas dessa região não é muito fã dos parisienses… Então não adianta fazer o discurso de que ama a França e falar de Paris. Eles podem entender mal. Em troca, Avignon tem lindos jardins e está numa região maravilhosa de produção de azeite, lavandas, mar de girassóis. Esteja preparado para ver coisas muito bonitas completamente diferentes de Paris. Mas é maravilhoso. Van Gogh se apaixonou pela Provence. Dê ouvidos à ele!

IMG_6369

  • Os restaurantes turísticos das praças mais turísticas: Evite.

Eles podem ser os piores possíveis, com a pior comida e o pior atendimento do mundo. Isso gera alguns traumas. Mas os outros são bons! Alguns dos meus preferidos são restaurantes de estrangeiros como caribenhos, vietnamitas, italianos, indianos, árabes, chineses e até ingleses. Os franceses também podem ser muito bons como o Offset (excelente o prato vegetariano), o Ginette e Marcel (para café), o Chapelier Toqué (comandado por um moço de Gana), todos os restaurantes vegetarianos, os dois kebabs da place de Corps Saint (que vendem kebabs vegetarianos e ganharam troféu Didi melhores Kebabs de Avignon), o sucão da rua De la Republique e todas as creperias e muitos mais!

  • Avignon não é uma cidade para fazer compras.

Se você vem a turismo, não escolha Avignon para fazer compras. Além de não ter tanta opção como muitas outras cidades, Avignon não é tão barata assim. Porém, tem lojas o suficiente para você, que vive aqui, poder se bastar sem ter que sair da cidade.

  • Muitos aluguéis em Avignon não contam o mês de julho.

Em média, por 450 euros mensais você consegue um quarto ou um estúdio ok em Avignon. As vezes, até com água, eletricidade e internet inclusos. Mas em julho os preços de aluguéis aumentam muito por causa do festival de teatro. Tente negociar antes de fechar o negócio. Alguns amigos conversaram com os proprietários dizendo que só aceitariam o aluguel se pudessem ficar pelo mesmo preço no estúdio ou quarto em julho. E conseguiram!

  • Quanto menos industrializado, mais apreciado.

Embora possa parecer um exagero algumas vezes, esse é um ponto que reconheço cada vez mais como certo. No mundo de hoje, a cada vez que você compra uma garrafa de leite normal, você está contribuindo para uma indústria nojenta que desrespeita a vida e a natureza ao máximo. Além disso, o que é feito apenas pensando no lucro, nem sempre leva em consideração a saúde do consumidor. Mas os abusos não ficam apenas na indústria alimentícia do discurso francês. Indústrias têxteis, farmacêuticas, cosmética, de entretenimento, da construção e até de eletrodomésticos também jogam (MUITO) sujo. Reflita!

compotesIMG_9207

  • Nem todos os passeios para turistas aqui valem a pena.

Mas, bom, é você que sabe. Eu ia até enumerar alguns, mas pra quê, né ?! Você é que sabe mesmo! Fora que eu tenho amigos que são guias e são uns fofos! Se estiver de bom humor e em boa companhia, tudo vale a pena na verdade. Vou apagar esse tópico. Não, não vou não. Apenas leve em consideração!

  • Se você vem para estudar, a faculdade é linda, tem coisas muito legais, esportes e atividades variadas, mas tem suas peculiaridades também.

Vai com calma. Respire fundo. Se precisar, estou aqui.

IMG_7705

  • Avignon tem uma vida cultural muito legal!

Você pode ter coisas legais para fazer todos os dias! Aulas de dança gratuitas, restaurantes em que você paga o quanto quiser, shows de todo tipo de música, teatros, cinemas não comerciais e maravilhosos, exposições, festivais, encontros de amigos, tardes de tricot, rodas e conversas sobre temas sugeridos, patinação pela cidade, grupos de jogos, e até noites de forró. Basta procurar em sites como Le Bon Plans d’Avignon, eventos de Facebook ou mesmo o meu recém-nascido Découvrons Avignon!  Apesar disso, grande parte da população vive uma vida meio reclusa, só no videogame, seriado e fast food. É uma contradição. Até com o próprio clichê francês! Mas que existe para todo lado.

  • Os horários para comer são mais estritos.

Se você tiver que comer fora, é bom almoçar entre 12h e 13h20 da tarde. Depois fica arriscado não encontrar mais restaurante (francês) aberto em Avignon. Não é comum comer entre as refeições, por isso não é tão fácil encontrar lugares para lanchinhos na parte da tarde. Não existem pequenos sanduíches. Todos são grandes porque são feitos para substituir uma refeição. Logo, não existe nada pequenininho como uma empadinha, coxinha, juscelino, enrolado, charuto, pão de queijo, bolinho… Que saudade do Brasil!

  • Disputas políticas e tensão no ar.

Há uma grande rivalidade entre direita e esquerda atualmente (nossa, que país diferente!). Nem todos os moradores daqui gostam de estrangeiros. E nem todos os estrangeiros que moram aqui gostam do pessoal de Avignon. Há um clima tenso no ar. E muito delicado. Enquanto algumas pessoas picham palavras de ódio nas paredes, outras  fazem intervenções urbanas para falar com humor da situação crítica. Por isso, se você vier (ou mesmo se não vier), apesar de todos os problemas que encontrar, tente trazer um pouquinho mais de amor, de tolerância e de paciência, ok?!

IMG_7908(amigos do grupo de Couchsurfers, que se reune todas as quartas em Avignon, experimentando pão de queijo)

 

IMG_9455(minha gatinha e as flores do canteiro!)

uma forma de conhecer lugares

Publicado em

Uma das coisas que mais gosto de fazer, e acredito que 90% das pessoas do mundo também é descobrir lugares diferentes. Embora também conheça muita gente que prefira repetir mil vezes o mesmo lugar a conhecer uma coisa nova, ainda acho que o ser humano tem dentro dele uma voz que incita a conhecer coisas diferentes. Ora, e como já usamos essa voz como desculpa para fazermos tantas bobagens, não?! Pois bem, eu gosto tanto de prestigiar os bons lugares já conhecidos, como dar uma chance para os lugares novos. Isso vale para tudo, desde restaurantes, marcas novas, filmes diferentes, bandas e até cidades e países. Foi assim que descobri o delicioso almoço do Sete Cumes em BH, foi assim que descobri lindos cadernos artesanais, foi assim também que realizei o projeto de experimentar todos os pães de queijo da Savassi!!!

Eu tenho um cartão que me dá direito a comprar passagens de trem mais baratas. Se compro 10 passagens, posso ter até 65% de desconto para o mesmo percurso. Então comprei 10 passagens para a cidade do aeroporto (Vitrolles, perto de Marseille), mas elas tem validade só até Abril e eu não preciso ir para essa cidade tantas vezes. Então, mesmo tendo já valido a pena a compra, decidi pegar o trem e descer em qualquer estação que pare antes de Vitrolles! E aí, me dar o direito de passar um dia numa cidade desconhecida.

As idéias bem praticadas de urbanismo e descentralização permitem que as pessoas transitem com mais facilidade. Em Vancouver, como o ticket de ônibus era mensal e dava direito à qualquer quantidade e percurso desejado, muitas vezes pegávamos o trem ou o ônibus só para descermos aleatoriamente num bairro novo e conhecê-lo. Como todos faziam isso, cada vez que um descobria uma loja ou um teatro interessante, avisava todos os outros e assim o comércio e a cultura não precisavam ficar concentrados só no centro da cidade, mas estavam em toda parte, fazendo os passeios muito mais ricos e dinâmicos. Vida urbana pra mim é isso: é ter liberdade de movimentos e boas surpresas e encontros.

E hoje foi assim. Como normalmente meus horários de aula são malucos, ao mesmo tempo que podemos ter 9h de curso em um dia, também podemos ter dias livres. O que aconteceu nessa segunda-feira.

Desci na cidade de Gadagne  (Chateauneuf de Gadagne para os mais elitistas) e me senti completamente isolada quando desci do trem. A estação ficava no meio do nada, mas ao mesmo tempo que estava um pouco perdida, também senti muita alegria de ter todos os elementos necessários para fazer tudo que eu queria. E foi assim que fui caminhando num dia lindo de primavera até encontrar a cidade igualmente linda e deliciosa para uma tarde de estudos. Gadagne tem muitas áreas verdes e de interação, além de manter uma arquitetura medieval na sua cidade velha e uma fofura típica das pequenas cidades da França. 100% das pessoas que passaram por mim me cumprimentaram. Uma velhinha inclusive abriu a porta da sua casa, mas eu só acenei pra ela. Os morangos estavam mais baratos em Gadagne que em Avignon. Sorte minha.

Abaixo, deixo fotos e um vídeo que tentei fazer com o vento no rosto. Ui, vento no rosto!

A primeira foto é da estação do trem.

GadagneEstacaodetrem

 

 

 

Gadagne6

 

Gadagne4

GadagneMorango

GadagnePatio

Gadagne3

Gadagne1

Gadagne5

 

“Vai diminuindo a cidade, vai aumentando a simpatia.

Quanto menor a casinha, mais sincero o “bom dia”. ” Pato Fu