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Arquivo da categoria: Eu

A regra é clara : onde não puderes amar, não te demores 

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Essa moça, a Frida Kahlo, você pode não gostar das pinturas dela. Pode achar colorido demais, surrealista demais, doloroso demais, mexicano demais, oye ! Mas chamo sua atenção pra uma frase da artista : Onde não puderes amar, não te demores. Pois é, é a mesma que está no título.

Leia isso com o sotaque que quiser, o importante é que a gente perceba a grandeza dessa ideia. E vou usar exemplos pessoais para ilustrar.

Trabalhava eu num escritório muito grande. Melhor hora do dia era a hora do almoço. Chamava a galera toda pra comermos juntos porque sou dessas! A gente praticamente fechava o restaurante à quilo da rua. Fazíamos piadinha com as cenouras, contávamos os casos do fim de semana, reclamávamos do sistema do escritório, do sistema judiciário, ríamos de novo, experimentávamos as comidas uns dos outros, sugeríamos soluções pros problemas do mundo. E assim foi até que os sócios se separaram e com isso o clima do escritório mudou muito. Todos se dividiram. Muita gente saiu. Clientes saíram. O ambiente ficou bem pesado. Quem tinha um plano B foi pro plano B e eu me encontrei almoçando sozinha. Por dias. Tentei resolver de todas as maneiras que pude. Continuei sozinha. O trabalho tinha virado só trabalho. Morro de dó de quem trabalha apenas por dinheiro. E ficava com dó de mim mesma comendo naquela mesa de restaurante sozinha. Eu, uma pessoa que gosta da companhia de outras pessoas (mas não de todas!). Quando a vida me deu a oportunidade de sair, saí.

Em relacionamentos é igual. Vivi alguns pra contar. Inícios lindos, você não tenha dúvida. Se é pra começar alguma coisa, que comece bem. Hoje não sei nem mais descrever, porque a sensação já se apagou mesmo. Só lembro de ter achado na época que era bom. E ter vivido todas as milhares de rupturas como pequenas mortes, pequenos lutos. Dores insuportáveis que hoje também não me lembro mais da sensação. A gente esquece do bom e do ruim. Mas uma coisa não esqueço. Tentar resolver problemas, conflitos e crises vale a pena e deve ser feito. Mas forçar a barra com quem não te quer não vale. Primeiro que a chance de funcionar é mínima, e se funcionar, a chance de virar um relacionamento abusivo é enorme. Logo, não vale a pena ! Isso faz muita gente adoecer.

Frida tinha calo nessa história: não demore num amor não correspondido. Mas mesmo para ela era difícil. A melhor dica que já ouvi pra segurar essa barra é doar todo esse amor para seus projetos, sua família (a parte que te ama) e pra natureza (animais e plantas). A chance de ser correspondido é bem maior e isso vai te devolvendo a energia perdida. Olha o case Adele! Também acho digno escutar uns sertanejos !

(adoro pagar de bem resolvida enquanto escrevo com um olho no teclado e outro no celular!)

Amizades igualmente merecem uma revisão. Ela é sua amiga por quê mesmo ? Quando foi que vocês puderam contar uns com os outros ? Você convida pra tudo e eles não te convidam pra nada ? Cadê correspondência ?

Outro dia, conversando com uns artistas, perguntei o que era « amar » e ouvi « doar sem esperar de volta ». Ah, os artistas… Isso pra mim é muito bonito, mas me serve apenas como a descrição do amor materno/paterno na fase da primeira infância. Mesmo os pais, imagino, esperam algum retorno positivo dos filhos depois de mais velhos. Não necessariamente na mesma moeda. Não necessariamente no mesmo nível de entrega, mas num certo reconhecimento, uma certa atenção. Uma reciprocidade.

Reciprocidade, meu irmão, é uma palavra que faz sentido na hora de falar de amor, de cuidado, de espera e até de ambiente de trabalho. As pessoas precisam ser bem recebidas. As pessoas precisam de retorno. Até planta precisa de luz!

Uma amiga e eu fazíamos a relação com o girassol. Essa flor que não perde tempo com o que é sombra. Ela vai em busca do que dá energia e brilha de volta. Nessa onda, atrai ainda mais coisa boa (abelhas, borboletas, polinizadores em geral).

Um pouquinho de força todo mundo tem dentro de si. E pode ser multiplicada. Melhor que se multiplique.

Vou ali preparar meu jantar pra comer sozinha, de novo, nesta cidade onde já tive tantas histórias, tantos amigos e tantos amores. Tem acontecido assim, apesar dos meus esforços em contrário. Isso não pode e nem vai durar muito tempo. A regra é clara.

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Mais:

Conheça Frida Kahlo

50 nuncas de 2015

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Ah, 2015. Este ano pregou muitas peças na minha vida, e imagino que na sua também. As vezes o balanço é até doloroso. Entre crise, terrorismo, discurso de ódio, racismo, intolerância, gente estranha e gente falsa… parece não ter sobrado espaço para coisas boas. Mas sobrou, gente. Cada um tem na vida bons frutos a recolher, tenho certeza.

Como há alguns anos tenho feito a lista de 50 coisas que nunca tinha feito antes e que fiz naquele ano, pensei em fazer um esforço para encontrar mais 50 nuncas pra este 2015. No início foi difícil, porque tenho por meta só colocar coisas boas na lista a ser relembrada. Depois consegui até passar de 50 e tive que editar pra ficar bonitinho. Caso seja do seu interesse, dê uma olhada na minha lista. Pode ser que ela te lembre do lado bom do seu ano também.

  • Aceitei couchsurfers pela primeira vez (sim, só temos nuncas nesta lista !). E recebi pessoas da Alemanha e da Áustria muito simpáticas, mas que estranhamente não conheciam The Sound of Music ! O.o
  • Conheci a Escandinávia, que é ponto central do grupo de estudos criado com uma amiga (Idéias da Escandinávia). Na verdade apenas Oslo, na Noruega ! Mas adorei. Quem quiser participar do grupo de estudos, deixe o contato nos comentários.

IMG_5347(Oslo, Noruega)

 

  • Encontrei Livinha em Avignon, que chegou bem no dia meu aniversário, pulando de alegria!
  • Encontrei Silvinha em Avignon e fui com ela à super prisão do Conde de Monte Cristo em Marseille e do homem da máscara de ferro.
  • Encontrei Luísa em Avignon e descobri como fazer malas à vácuo e fotos de uma pessoa ruiva!
  • Comecei a trabalhar com moda, para a By My Hands Fashion, e descobri um outro mundo da confecção que pode ser feita com ética. Além disso, adorei poder trabalhar de novo com a Pati, minha ex-chefe advogada. Participamos do Fashion Revolution Day e mudamos muito nossa forma de consumir também.

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  • Comecei a escrever para um jornal francês e ralei muito para conseguir publicar em outra língua.
  • Fiz uma doação para a wikipedia e para o crowdfounding de um projeto importante. Aprendizado que recebi da minha mãe. Se é importante pra gente, e podemos contribuir, tentemos!
  • Vivi quase um mês em Milão, na Itália, com minha família amada que só andava pela casa dançando e cantarolando! Antes disso, aprendi a falar o básico do italiano com uma amiga muito querida.

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(pomba posando pra mim na praça principal de Milão, a mulher logo atrás também fez pose)

  • Virei colunista de um site de slow lifestyle ( Review) e me senti ainda mais próxima de um estilo de vida minimalista e cuidadoso que me atrai muito.
  • Participei de um capítulo de um livro espanhol sobre a judicialização da saúde no Brasil.
  • Conheci o interior de São Paulo (Itu, Sorocaba, Brotas e São Carlos).
  • Aproveitei uma tirolesa gigante em Brotas! E conheci as chamadas « areias que cantam ». Brotas é uma cidade incrível, que vale a pena.

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  • Morei meses com uma peruana (Pamelita!) e comemos muito arroz com batata juntas para desespero dos franceses!
  • Fiz uma grande viagem de milhas, o que me permitiu passar na Inglaterra só para jantar.
  • Trabalhei no mercado de Avignon durante o festival de teatro e entendi o que era ser invisível.
  • Conheci Veneza, a primeira cidade capitalista do mundo ocidental. Florença, a cidade de Da Vinci e Galileu. E Verona, a cidade de Romeu e Julieta. Morri de amores pela Itália.

  • Cozinhei um quiche com leite azedo tido como perdido e ele ficou ótimo.
  • Ganhei um desenho de um garotinho da Tanzânia que conheci no trem. Ele não tinha lugar para sentar, e se apertou com a gente nas cadeiras. A mãe dele me lembrava muito diversas mães brasileiras, que apesar de extremamente pobres, só espalhavam amor.
  • Descobri que franceses dão espaço entre as palavras e os pontos de exclamação e interrogação e finalmente entendi porque o meu Word faz assim !
  • Passei todo o ano sem comer carne. E não foi tão difícil assim. Cumpri meu projeto #2015semcarne! E vou continuar.
  • Produzi o VEDA ( Vlog Everyday April) para o canal do youtube Direito é Legal.

  • Fiz o projeto s2 Frágil em Madrid e Avignon, um projeto de levar mais consideração ao coração alheio, criado pela jornalista e amiga Sabrina Abreu.IMG_5400
  • Fui num congresso de Economia Criativa em Madrid
  • Consegui ver o quadro O Grito! em Oslo e o Nascimento da Vênus em Florença. Dois sonhos !
  • Fui apresentada ao Fram, o navio dos conquistadores do Pólo Sul. « Pólo Sul » é um dos livros preferidos do meu pai. E como eu gostaria que ele estivesse comigo nesse dia.
  • Participei de uma passeata pela paz na França. Logo depois do primeiro atentado em janeiro. Foram milhões de pessoas. Emocionante. Mas vimos que é preciso mais, muito mais que isso.
  • Dei uma festa à fantasia. Duas, na verdade, considerando que a primeira era normal, até que chegaram umas pessoas fantasiadas porque entenderam errado o convite e aí todos nos fantasiamos para eles não ficarem sem graça! Eu amo essa turma.
  • Conheci Clermont Ferrand, Sisteron e Orleans, na França. Três cidades lindas.

  • Passei um domingo inteiro num café conversando e fazendo projetos com uma amiga! Um domingo inteiro ! Num café! Conversando!
  • Escrevi para a presidente (do Brasil) dando algumas sugestões – sempre de forma cordial e respeitosa –  e para a prefeita (de Avignon) também dando outras sugestões. Nenhuma das duas me acolheu. Mas não desistirei.
  • Conheci uma pessoa que conhece uma pessoa que conhece a atriz que fez Amelie Poulain! Estou chegando perto do meu sonho.
  • Fui chamada pela Flavia Calina (vlogger sobre educação infantil) para um café com ela (mas não pude ir) ! Convite via e-mail. Foi outro sonho. Que infelizmente ficou distante.
  • Reencontrei meus alunos 10 anos depois do fim das aulas! E foi maravilhoso! Maravilhoso!
  • Fui fotógrafa do casamento de uma amiga em Nimes, na França. Ela se casou vestida de By My Hands e foi a nossa noiva modelo!

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  • Reencontrei o lado perdido da minha família na Itália. E vivi um dos dias mais gloriosos da minha vida ! Eles nos receberam de braços abertos, como se nunca tivéssemos separado. Sangue do meu sangue!
  • Pela primeira vez deixei um bilhete para o lixeiro. E alguém deixou presentes pra mim na porta de casa. Não nessa ordem.
  • Fizemos um jantar totalmente vegano lá em casa com excelente adesão. Em outro dia, produzimos um enorme encontro de thanksgiving onde cada um dos 26 convidados levou pelo menos uma notícia boa. E finalmente, fizemos outro jantar com gente do mundo inteiro, onde cada um contou sobre o que amava em seu país. A vida faz muito mais sentido pra mim quando esses encontros acontecem.
  • Assisti a um evento pelo skype, graças a minha prima querida que ficou segurando o telefone enquanto eu via o resto da família participar.
  • Aceitei um convite para tomar um chá com estranhos que conheci na rua, num domingo de tarde (eram um casal). E como não senti que a situação era forçada, aceitei. Foi ótimo!
  • Conheci a sala Minas Gerais em Belo Horizonte com uma orquestra sensacional e bati palma até parar de sentir as mãos !
  • Aprendi a fazer sabão e fiz ! Valorize o seu sabonete artesanal, viu?!
  • Perdi um avião (por culpa da companhia) e conheci uma turma muito legal com quem passei quase 24h conversando!
  • Escrevi 33 textos no projeto « 33 textos antes dos 33 anos » em 33 dias. Estão todos aqui no blog, ou com links para eles. Criei a página escrevo.me onde coloco alguns textos e projetos para ficar com uma cara profissional!
  • Aderi ao Low Poo (uso reduzido de shampoo) e gostei do resultado! A gente se faz mal achando que estamos fazendo bem. Não precisamos esfregar tanta coisa no couro cabeludo para ele ficar limpo. Sério.
  • Tive uma reunião profissional em Paris, o que me fez sentir extremamente feliz ! E mais adulta do que nunca!
  • Fui almoçar na casa da moça que trabalhou por anos na casa da minha avó e aprendi muita coisa com a simplicidade da cozinha dela que deixa a comida no ponto certo (pro meu paladar!).
  • Gravei um podcast com as minhas amigas ! Agora estamos esperando o aparelho em que foi gravado ajudar para conseguirmos publicar.
  • Presenciei um casamento lindo de pessoas de mais de sessenta anos se casando pela primeira vez !
  • Participei de um flashmob, pela semana da gentileza. Finalmente! Fazia tempo que eu queria viver esse nunca.

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Feliz 2016, amigos! Sejamos maiores que os nossos problemas.

Um canal no youtube pro Saída à Francesa

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Minha admiração pelo youtube só cresce. Me lembro que a primeira vez que tomei contato com essa ideia, fiquei muito assustada. Eram cenas de violência, escatologia, só coisa repulsiva Cheguei a ficar muito desconfiada de tudo que vinha do youtube. Dá pra acreditar que isso foi há apenas dez anos?

Depois, ao longo do tempo, fomos nos conhecendo melhor. Aprendi que podia contar com o youtube como uma ferramenta de aprendizado para cozinhar, para limpar coisas difíceis, para esconder as olheiras, para estudar Direito, para ver patinação no gelo, para rir, para chorar, para ver documentários, relembrar cenas de filmes, ouvir música e aí! Descobri uma nova função: para conhecer pessoas.

Vivendo em outro país, senti muita necessidade de conhecer a experiência de outras pessoas que, assim como eu, viviam em países diferentes. Conheci o Canal da Cintia Disse que vivia no Canadá, da Flávia Calina, que vive nos EUA, da Gisele Dal Pai que vive em Londres, da Cacau que vive na Suíça e tantos outros. Depois disso conheci outros canais, sobre temas que me interessavam muito também: Educação, Economia, Direito, Biologia, Vegetarianos, Universo da mulher, Consumo Inteligente, Conflitos políticos, etc etc. Conheci canais franceses, americanos, italianos, espanhóis. Gente do mundo todo que, de alguma forma, coincidia ou me acrescentava em algo. A solidão de não ter muitos amigos presentes aqui na França era compensada pela companhia dos youtubers que, generosamente, ensinavam o que sabiam (sim, porque são raros os que podem viver disso, a maioria faz por gosto de compartilhar mesmo). E mesmo após encontrar amigos, era uma alegria descobrir que apreciávamos os mesmos canais. Televisão virou raridade na minha vida. O que as pessoas reais tinham para ensinar parecia mais especial, e mais real (alguns enganam bem, mas acredito que a maioria seja sincera ainda!).

E eu, com minha mania de blogs, pensei que talvez pudesse ampliar isso, vencer um pouco mais esse medo e tentar contar e mostrar as coisas que julgo importantes de outra forma.

Foi aí que criei o canal do meu outro blog, Direito é Legal, e agora crio o deste blog Saída à Francesa, com cenas feitas do celular ou máquina, edição linear ou não.

Espero que goste, mas mesmo se não gostar, espero que possa aprender alguma coisa. Que seja uma pequena porção de bem para o seu dia, como tantos outros canais o são para mim!

Aí vai.

O canal!

O último vídeo:

Quando eu fui invisível

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Em julho deste ano, eu voltava da Itália e queria ver a Pam, minha amiga peruana que mora no andar de baixo da nossa casa. Ela me mandou uma mensagem dizendo que estaria no mercado até o início da tarde. Passei lá. Andei o mercado inteiro e não achei a garota. Até que olhei melhor e vi que ela estava trabalhando numa tenda de patisserie. Cheguei rindo dizendo que tinha passado direto por ela e não tinha reconhecido. Ela não riu.

Alguns segundos depois, recebo o convite « você está procurando um trabalho para esse verão ? »(Na França, julho é verão e em Avignon ainda é o grande Festival de Teatro). Sem pestanejar respondi que sim. Desde que me formei estou condicionada a aceitar os trabalhos que me aparecem. Nem sempre são a melhor opção e eu tenho que aprender a selecionar mais. Não foi o caso.

No dia seguinte comecei. Ao chegar lá, com o currículo na mão, fui em direção à chefe para entregar o papel e ela me cortou. Disse que estava ocupada, que não tinha tempo. Que era para deixar em algum lugar. Deixei sobre uma mesa. Algumas horas depois, ela me chamou atenção dizendo que eu tinha que ter guardado o papel na gaveta. Tudo bem.

Pamela me ensinou a usar a máquina registradora, a embalar as pizzas, a arrumar os suspiros, a saber os igredientes dos bolinhos, a limpar as bordas das tortas. Mas era tanta coisa para aprender, que a cada hora eu perguntava onde estava mais alguma coisa, e ouvia a mulher resmungando « Não te ensinaram nada? ».

Na frente da vitrine a gente era ensinada a dar bom dia para todos os clientes com um grande sorriso. Todas as pessoas que passavam, independentemente de comprarem ou olharem pra gente, ouviam nossa saudação. Certa vez, mexi no pescoço para colocar o cabelo pra trás. Minha chefe não gostou. Disse que era proibido encostar na pele enquanto estivesse na frente dos clientes. Questão de higiene.

Para cada transeunte, um bom dia. Quase nunca eles respondiam de volta. Muitos ainda ouviam, olhavam pra gente e saíam sem falar nada. Se querem o superpoder da invisibilidade, posso dizer que não tem o efeito esperado.

Eu ficava lá, sem poder encostar na minha testa coçando, para agradar pessoas que nem percebiam a minha existência. « É um exercício de humildade », pensava.

E era. Passaram uns americanos. Pediram pizzas, alguns macarrons. Provaram o biscoito de lavanda. No final, o troco era de 70 centavos. Registrei, peguei o troco e o moço negou. « Fica pra você ! É uma gorjeta ». Com aquelas moedas na mão, me emocionei ! E pensei no quanto já tinha sido contra dar gorjetas na vida. Ainda sou, para quem distrata cliente.

No fim do expediente, a vitrine tinha que ser arrumada, limpa. Todos os macarrons deveriam ir pra geladeira. Os bolos para os potes. Os biscoitos emplastificados. Arranquei um pedaço do meu dedo na lâmina do plástico. Mas tudo bem. O chão deveria ser esfregado e era nessa hora que as baratas brincavam na nossa frente. Ai de você se pegasse o pano menos macio para limpar o vidro. E não adiantava justificar que os panos eram quase idênticos. Não adianta.

Depois de passar mais de 7 horas em pé e sem comer, finalmente a gente podia descansar. Eu, com mais de trinta anos, chegava em casa com dor nas pernas e precisava trabalhar (pela internet) com os pés pra cima. Pamela, quatro anos mais jovem, pegava o segundo turno e ia trabalhar em uma loja de roupas ou com jornais. Que fôlego!

Na internet eu lia comentários como « tá fácil pra você que não mora no Brasil ». Olhava pro meu joelho latejando e ria.

Entreguei todos os meus documentos para ser declarada naquele trabalho. A chefe passou a me elogiar muito, mas nunca me oficializou. Situação muito parecida com o que já vivi inúmeras vezes também no meu Brasil. Esse calo nem dói mais.

No dia do pagamento, sendo ele feito por hora de serviço, recebemos dois euros a menos por hora. Reclamamos. Ela disse que esse era o preço correto para quem não tinha experiência. Na verdade eu já tinha experiência em trabalhos parecidos tanto na França quanto no Canadá. Mas não contava. Imigrante não sabe de nada. Poderíamos ter entrado na justiça. Mas invisíveis como éramos, e por um trabalho de verão, decidimos apenas atualizar nossos currículos.foto (2)

Daquela experiência invisível guardamos algumas boas lembranças. Como das duas senhorinhas que passavam todos os dias para comprar tortas e um belo dia, pararam na minha frente e falaram « a gente ama você »! Pena que não é bem visto chorar no trabalho…

Ou dos grupos de japoneses que batiam palma quando a gente entregava alguma coisa com as duas mãos. Uma forma de reverência para passar algo de você para eles. Tão rica essa cultura!

Ou dos outros estrangeiros que achavam incrível as nossas buscas de vocabulário em todas as línguas. Mesmo que a única palavra que eu fale em polonês seja « soluço » e em holandês seja « durma bem »!

Ou mesmo dos atores do festival que passavam entre uma apresentação e outra e contavam sobre suas peças, com o coração nas palavras, e toda a emoção de um artista. Como eu amo Teatro!

Até da chefe. Tadinha! Ainda tão sem noção em sua forma de liderar. Ela conseguiu nos ouvir e atender quando falamos do crescimento do filão vegetariano/bio/vegano. E fez opções deliciosas. Consigo ver direitinho o que falta pra ela ganhar muito mais dinheiro. Quem sabe um dia.

De tanto fugir de mim, acabei criando uma relação com a barata pequenininha. Um dado momento, encontrando-a virada, fui lá e desvirei. Onde tem comida fora da geladeira, tem barata! É mais vitamina B12 pra sua dieta. Fique tranquilo.

Sempre procurei ser atenciosa com as pessoas, mas hoje ainda minha forma de ver os profissionais tem mudado bastante. Não tenho tanto dinheiro, mas meu bom dia é de graça e vai pra quem quiser ouvir. Aprecio as coisas feitas com carinho e a pessoa que está se esforçando. Dou like no youtube, comento nos blogs, deixo bilhetinhos de agradecimento nos hotéis e o troco para o empacotador.

A vida não pode ser acelerada a ponto de nem mais cumprimentarmos o frentista, o porteiro, o motorista do ônibus, o advogado do outro lado do e-mail, a atendente da empresa aérea, a enfermeira da troca do soro, a faxineira do corredor, o caixa do banco, a recepcionista do tribunal, o professor que entra na sala, a garçonete que tira o prato, o coveiro que tira o chapéu, o menino do xerox.

Para ver melhor não é preciso ficar invisível. Mas se você for invisível, tenha certeza que é temporário. E se é visível, mas não quer enxergar, tenha também a mesma certeza.

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Esse meu pai

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Enquanto a areia da praia marcava nossas pegadas de pés achatados de Hobbit, eu e meu pai sublinhávamos a costa do Brasil com um olhar sobre o mar se perdendo junto ao céu e as nuvens. Foi quando ele me perguntou algo do tipo: “Quando você olha para o mar, para o céu e para a Terra, não te dá vontade de descobrir mais sobre a vida e o universo?”.

Daquela pergunta veio uma conversa sobre querer aprender, querer entender, querer buscar e também sentir o mundo, suas belezas, suas forças e fraquezas e deixar por aqui uma parte do que podemos passar do nosso mundo.  Eu era tão pequena…

Não importava meu tamanho.  Papai sempre tinha as conversas mais profundas comigo. Quando eu fazia bagunça, ele me colocava sentada na sua escrivaninha, para falar comigo como gente grande, olho no olho, o que eu deveria entender.

Aliás, foi meu pai que me ensinou que o melhor jeito de conversar era olhando nos olhos. Que o jeito mais honesto de conseguir alguma coisa era tentando. E que um salário pode ser bom para uma jornada de 8h/dia, mas nunca o suficiente para 24h de trabalho/dia.

Pode parecer bobagem, mas uma das coisas mais eficazes que meu pai me ensinou foi que se eu quiser acordar com raiva todos os dias, terei motivos, mas que se quiser me levantar feliz com a mesma frequência, também terei argumentos!

Ele é um cabeção!

Em toda prova de vestibular e/ou concurso que fiz na vida, meu pensamento era constante: “se meu pai estivesse sentado aqui, ele saberia a resposta”! E não era só eu. Quando o sogro do meu tio comprou a revista do Show do Milhão quem ele inscreveu para ser sorteado? Meu pai! Quando meus primos precisavam de reforço em qualquer matéria exata ou História, quem eles procuravam? Meu pai! No dia que eu quis saber como eram feitos os detergentes? Foi meu pai que passou o almoço explicando. E a queda do muro de Berlim? Era emocionante!

Papai tem uma cicatriz na testa. De um acidente que sofreu na infância. Na época, triste com o corte profundo, foi consolado pelo seu pai, meu avô. “Filho, as mulheres gostam de homens marcados pela vida”! Haha. Quando virou pai de menina, não se intimidou. Usou a mesma técnica. “Minha filha, mulher bonita é também marcada pela vida”! E como não?!

Do meu avô ele também puxou a resposta para escândalos por machucados insignificantes. “Não se preocupe, querida. Começa assim, depois sai as tripas”. Que remédio!

A verdade é que na cabeça do papai, tenho a impressão que além da cicatriz, existe um mundo mais incrível que o normal.

Já disse que ele é um cabeção? Adora números, Carl Sagan, cubo mágico, estatística, mitologia grega, Karajan, xadrez, computação, odisseias, história do Egito, expedição ao pólo sul, física, falar alemão, biografias, histórias de cavalos, coisas que não sei o nome para fazerem outras coisas que não sei o nome, química, teoremas de Pitágoras e de outros ilustres e tudo que há de mais complicado, complexo e entremeado numa lógica evoluída e maravilhosa.

Acho que e ele tem tantas raízes quadradas e gráficos na mente, que as vezes o mundo comum parece comum demais para ele. E com isso surgem algumas pérolas no cotidiano.

Foi assim que ele não reconheceu um primo nosso porque o bendito estava sem a franja! Foi assim que ele nunca acertou num presente pra mamãe e nem nunca combinou a meia com o sapato. Nunca se inibiu com a moda anti-pochete. E insiste em levar pra casa o bolo do único sabor que pedimos para ele não levar. Foi nessa mesma vida seinfieldiana que ele ficou de papo com a moça do telemarketing para provar pra ela que não valia a pena assinar o jornal que estava oferecendo, porque ele iria se sentir obrigado a ler todo dia uma informação da mesma fonte. Foi uma forma involuntária de ter o telefone riscado da lista de promoções.

Meu papai cabeção!

Embora imperfeito, é o melhor pai que eu conheço! E conheço muitos pais bons. Mas este aqui é meu e é muito especial! É também um dos pais preferidos entre os meus amigos. É aquele que explica o mecanismo da bomba atômica começando a história a partir do homem primitivo. É o que vai almoçar com minha turma e pergunta tudo do universo da pessoa. É o que fala portunhol com todo mundo que é estrangeiro e que vira super-herói na história de seus alunos! É o que senta para falar de geometria com a mesma empolgação que meus colegas falam de Pink Floyd. É o que estuda Logosofia com a mesma ênfase que estuda Matemática.  E o que não reclama de trabalho, de acordar cedo e nem de nenhuma doença. Também não reclama de tomar remédio, mas resmunga se a gente demora pra aparecer quando ele engasga! Ai, papai! Ele  presta a maior atenção em todos os nossos casos, mas tende a dormir de vez em quando no meio da conversa. O meu pai é o cara da covinha na bochecha, óculos que afunda no nariz, coração amolecido pelo nosso vira-lata e, claro, rosto marcado pela vida.

Desse pacote de amor, não é fácil viver longe. Lembro dos meus sábados na infância quando ele me levava na livraria Status e comprava revistinha pra mim. Lembro das nossas leituras na cozinha, eu já crescida, sobre os mitos da alimentação.

E, agora, papai, como fazer nos domingos de manhã sem o possante Pavarotti que você colocava pra acordar a casa com “Nessun dorma”?

Você do outro lado do oceano e eu daqui vendo o traço entre o céu e o mar se esmaecendo. Essa Terra redonda e essa linha do horizonte que me traz de volta aquela nossa conversa de décadas atrás. Quanta coisa ainda temos pra descobrir no Universo! Obrigada por se manter do meu lado. Você conta que eu era tão pequena ao nascer que podia me segurar pela palma da mão. E aí eu penso, papai, com muita gratidão, que apesar de tão miúda e bem acanhada para esse mundo, você me ensinou que posso ser grande.

 

Papai e Peter pequenininho

 

 

Papai e Peter. Um abraço apertado também a todos os pais queridos e inspiradores. Em especial ao meu vovô Henrique, meu vovô Zico, tios de sangue e tios emprestados. ❤

D de Dior

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Desde que comecei a trabalhar para uma marca de roupas, o mundo fashion tem me chamado mais a atenção. E sim, é nessa ordem mesmo. Primeiro eu comecei a trabalhar para uma marca e depois a história da moda me atraiu.

Difícil admitir e fácil de observar, mas nunca fui muito ligada à moda. Tinha a impressão que isso estaria diretamente ligado a pessoas a)falsas b)chatas c)fúteis. Ignorava quase que por obrigação moral. Vestia-me com o que era possível. E ainda me visto. Mas tinha a ilusão que este mundo era mal frequentado. E, como todos os mundos, é um mundo que tem de tudo. Então eu gostava de algumas coisas, mas não buscava saber mais sobre. E me contentava com isso.

Das coisas que eu gostava, muitas encaminhava para a pessoa que conhecia do assunto, minha ex-chefe advogada, Patricia, que criou uma marca própria de roupas depois de se mudar para Dubai. De tanto mandar ideias e sugestões do que eu pensava que ficaria legal numa coleção, ela me chamou para trabalhar com ela, ajudar na comunicação e nas ideias. E que bom.

Diante deste novo desafio, algumas amarras tiveram que ser… desfeitas. E a busca por mais conhecimento sobre moda e história da moda me levou a um velho conhecido.

Dior. Sim, meu velho conhecido.

Dior não podia ser novidade na minha vida. Alguém que se chama Diorela não ousaria ignorar a existência de um perfume quase homônimo (na versão 2 Ls) da Christian Dior que, por mais forte e dor de cabeçudo que seja, ainda é um frasco que eu tento conservar na minha prateleira apesar de todo meu esforço e interesse pelo minimalismo.

Dentro do meu curso de História da Moda aprendi que foi Dior que retomou a cintura marcada ao foco da moda depois do livramento que Mademoiselle Chanel ofereceu para as mulheres do mundo com seus cortes retos.

Daí para frente, o universo conheceu uma feminilidade diferente que até hoje aceita críticas, mas ainda se delicia com suspiros e elogios de quem vê no design dos vestidos e roupas Dior algo a mais.

“Desenhei as mulheres flores”, dizia Dior no filme que hoje me levou ao cinema. Lá, sozinha, na última cadeira da platéia, me encantei com o sistema de produção da alta costura da marca.

Do designer italiano às costureiras de Paris, unidos ao estilista Raf Simons da Bélgica e seu braço direito, Peter, o filme mostrava o melhor dos mundos. E principalmente, os pequenos detalhes da criação que tanto fazem diferença no resultado final.

Detalhes como deixar que cada costureiro escolha o croquis que gosta mais para executar, pois isso faria com que trabalhassem melhor. O cuidado e atenção com o cliente. A simpatia e boa convivência entre a equipe. A busca pela estampa única, mas que também não deixe a roupa parecendo uma enorme melancia (cena do filme!). E o detalhe para o desfile: a escolha do cenário florido, nada mais conveniente para uma atmosfera Dior.

Dia e noite de trabalho intenso, sob a vigília do fantasma de Christian, que segundo os costureiros, nunca abandonou o atelier. É o que mantém a marca renomada no mundo da alta costura por mais de 50 anos.

Dirigir um filme que começa puro glamour e termina, atenção para o spoiler, entregando o lado humano de cada saia rodada da passarela não deve ter sido fácil. Saber medir a distância da câmera para a cena da reunião com advertências, para a produtora que tenta encontrar alternativas aos mandos do patrão diante de um telefone sem voz, para a assessoria de imprensa que corre, e o costureiro que apaga a última luz do atelier, é uma arte. O diretor Frédéric Tcheng teve um olhar que me atraiu muito, apesar de uma escolha musical inicialmente bem desconfortável, com o passar do filme, conseguiu me embalar melhor!

De mais a mais a realidade tem me atraído e tirado minha atenção da ficção.

Daí que de tempos em tempos eu até volte para o universo da fantasia, onde encontro metáforas, referências e as vezes até conforto. Mas por pouco tempo. Logo sinto saudade do que o mundo dos documentários, das pessoas reais e das biografias tem para ensinar ou oferecer. Na verdade, penso que se completam. E teimo em pensar até que se fizermos um esforço, veremos que são o mesmo.

Do lado do mundo real, vejo o esforço e o suor dos costureiros Florence, Monique, HongBo Li, Stephanie, Lilly, e tantos outros. O corte certeiro, a dor nas costas, a escolha da modelo, a adaptação do tecido, o vestido saindo do papel com muitas noites mal dormidas. Do lado fantástico, vemos as modelos girando, o batom laranja neon, as flores azuis em contraste com o vestido vermelho, o balanço das saias, os fotógrafos, as celebridades, o puro glamour. Não teria um se não fosse o outro.

Dior et Moi é um filme atraente. E que reconcilia com o universo da moda, mesmo sem nos convidar a dele participar. Me explicou muita coisa. Mostrou como amor ao trabalho faz toda a diferença apesar do stress. Esse filme me encheu de ideias. Uma delas, a de fazer um texto inteiro só com parágrafos começados com D. Essa letra tão linda, de Dança, Democracia, Deus, Dia, Doces, Delicadeza, Doar, Dormir. D de Dior.

Di-or.

“Aquilo que se faz com gosto todos o estimam” da Logosofia

33

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Foram 33 textos. Na verdade até um pouco mais se contar as pequenas chamadas feitas. Mas no fundo, achei que foram menos, porque nem todas as redações estavam na estrutura que eu gostaria. Mas existiram. E o principal foi conseguir escrever todos os dias alguma coisa que fizesse (mesmo que pouco) algum sentido.

« Escrevo porque não sei não escrever », disse uma vez minha amiga Liliane Prata. E que lindo pensar a vida através das letras. Quando não estou escrevendo, estou sempre pensando em escrever. Mas quando tenho que escrever, nem sempre lembro o que pensei. Acontece com você também?

33 textos nos 33 dias antes do meu aniversário de 33 anos. Que ideia! A gente assume uns projetos toda empolgada, mas esquece que eles devem ser concluídos. E aí no meio dessa história teve dia que eu não tinha tomada para ligar o computador, dia que eu não tinha inspiração nenhuma, dia em que eu não tinha energia nenhuma para escrever porque a minha vida não parou para a execução desse projeto. Pelo contrário, minha vida me fez distanciar um pouco mais do computador esses dias, mas foi por boas razões.

Finalmente, hoje chega ao fim. Amanhã (ou hoje, no horário francês) é meu aniversário de 33 anos. E eu sei as duas coisas que você está pensando sobre isso! A primeira é que é a idade de Cristo. Todo mundo já me veio com essa. Não sou religiosa, mas diria que Cristo tem na verdade 2015 anos.

Alguns artigos demográficos (pedi as fontes para um demógrafo que ficou de me enviar) indicam que há uma demonstração de que 33 seja a idade da força. A idade em que somos mais capazes de produzir (na média). Com grande capacidade intelectual (ui!) e física (ui ui!). Isso ainda me lembra um outro dado (dessa vez não lembro a fonte mesmo) que diz que 31 anos é a idade mais bonita da mulher. Um pouco questionável no que diz respeito ao conceito de beleza da mulher, concordo. Mas que compara do mesmo jeito a evolução intelectual com a física.

Será que essa média se aplicaria a mim? Ainda pretendo ser tão mais produtiva…

Se 33 é a idade de maior força na média do ser humano hoje, será que era também assim a.C? Pode ser. Faz sentido que toda a história bíblica seja contada dessa forma. Mas a última coisa que quero é discutir esse assunto no dia do meu aniversário. Mentira, a última coisa que eu quero é guerra, violência, crueldade no mundo. A discussão é só a penúltima coisa que eu quero!

Mas você ainda tem mais um comentário sobre os meus 33 anos, não tem? Deve estar aí calculando… « Ela não vai ter filhos não?! ».

A verdade é que as mulheres tem um período fértil definido, mas não tão curto quanto parece. Então ainda estou em tempo porque sim, adoraria ter essa oportunidade, apesar de as vezes me questionar um pouco sobre até onde vai a nossa vontade e onde começa uma certa imposição da sociedade.

Fora isso, adoro crianças, bebês e sobretudo adolescentes!!! Seria bom ter filhos cedo o suficiente para ter tempo e energia de me interessar pelas mesmas séries e bandas que meus pequenos. Para ensiná-los alguns passinhos de dança, algumas brincadeiras diferentes e vencê-los em todos os esportes como minha mãe sempre fez sem dó. Mas se eu não tiver filhos (nunca se sabe!) certeza que Helena, Rita, Catarina, Dudu e todos os outros sobrinhos emprestados terão que aguentar a tia Didi colada neles, cheia de amor, falando das conclusões sobre a vida.

Afinal, maturidade é uma fase. Que pode durar ou não. Adolescência é pra sempre!

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Obrigada por terem acompanhado o projeto até aqui! Principalmente Aline, Livinha e Pipocacrua! Beijão