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O amante

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Um dia se conheceram e ela pensou ter sido por acaso.

Ele apareceu na hora certa. Quando ela mais precisava de algo diferente na vida. Com aquele jeito, aquelas palavras, a paixão foi fulminante. Era tudo novo. Ela nunca tinha escutado aquelas coisas antes. Ele sabia o que ela queria. Mais do que ela mesma.

Não demorou muito, ele ganhou alguns privilégios. Eles se viam várias vezes, se deliciavam juntos. Conheceram uma vida de prazer.

Então ela soube que ele não podia se dedicar à ela exclusivamente. Ele tinha outros compromissos. Não podia falar muito sobre isso. Mas faria o impossível para agradá-la. Ele disse. Ela se assustou. Mas confiou. Ele falava o que ela queria escutar. E ali, bastavam palavras.

Com o tempo e as dificuldades, ela entendeu. Ele precisava de mais poder. Precisava que ela o seguisse, que ela o ajudasse.

Alguns dias, ele chegava sorrateiro, chorava. Dizia que tudo iria mudar. Dizia que só queria ser diferente, que só precisava de tempo. Que seu amor era o maior do mundo.

Nesses dias, para ela, era como se seu coração respirasse aliviado. Eles se amavam onde estivessem. Ele gostava de vê-la ir à loucura. Arrancava sua respiração, arrancava gritos em seus devaneios. Era lindo, era surreal de bom estar perto dele. Ninguém mais poderia entender. Que homem, meu Deus, que homem !

Quando a questionavam sobre suas promessas vazias, ela dizia que tinham inveja, que eram ignorantes, que tinham medo dele. Explicava que tinha exemplos de seu amor. Mostrava alguns presentes. Algumas declarações, alguns feitos. Feitos que eram bonitos, válidos, mas sempre esporádicos. Parecia um projeto de escravidão. Ele servia pequenos sonhos e colhia sua servidão. Mas, não, claro que não. Ele queria o seu bem. Sempre quis!

Ela o defendia com unhas e dentes. Ninguém mais era como ele. Ela queria e precisava amá-lo. Ninguém mais a merecia. Sabia que lá fora, ninguém mais prestava e ela tinha certa razão nisso. Mas ele sim? Sim, sim, ele sim.

Em sua carência, ela se cegou. Muitas vezes, sentia que estava ajudando a construir algo. Que seriam mais fortes juntos. Mas ele a manipulava. Não cumpria as promessas. Não aparecia quando combinavam. Mas foi para isso que ela aprendeu a perdoar. Quando se encontravam, tudo era perfeito.

De tanto ser usada, ela perdia forças, energias, e a própria razão. Mas seu amor vingava. Era uma chama que ardia quente.

Na sua oratória, ele a conquistava como a viuva negra dá o bote em suas presas. Ser refém, para ela, havia virado um mérito. Ela não percebia o tempo passando, as oportunidades partindo, sua vida ruindo. Ele voltaria. Ele ajudaria. Ele iria salvá-la. Que parem com esse discurso absurdo! Ele era bom. Vejam só, ele é único !

Então um dia, ela ficou mal. Muito mal. Em seus delírios apaixonados, clamava pelo seu amor. Precisava dele, precisava de mais que suas palavras. Precisava de suas ações, de suas promessas em concreto. De sua vontade. De seu esforço.

Naquele dia, ele chegou propositadamente atrasado. E não se ocupou de pedir desculpas. Apenas se certificou do seu estado. Ela já não poderia mais dar prazer.

Então se foi enquanto ela agonizava.

E de longe, o populista ouviu a população flagelada gritar por seu nome. “Quando estiver melhor, eu volto”, explicou numa mensagem enviada mais tarde.

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Ps. Dedico este texto a todos os povos que sofrem com a hipocrisia de seus líderes e a todos que tentam escapar disso pacificamente. Que não seja este texto usado para espalhar ódio ou cinismo. Que sirva de metáfora para ponderarmos em relação a tantas circunstâncias abusivas da vida. Entendo que amar vai muito além de defender o que alguém está fazendo de errado. É também guiá-lo e cobrá-lo pelos acertos de forma severa, mas sensata.

 

 

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Minha vida com os árabes

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Da novela o Clone até pouco tempo antes de passar um período no Canadá, meu conhecimento sobre o mundo árabe manteve-se mais ou menos reduzido à comida com grão de bico, dança do ventre, algumas mulheres de véu, alguns homens barbudos, religião monoteísta, música dodecafônica. Vez ou outra a televisão me lembrava que alguém, teoricamente em nome de uma parcela muçulmana, executava ações terroristas. E minha cultura árabe parava por aí.

No Canadá conheci muitos árabes, inclusive um dos filhos do rei da Arábia Saudita (que passou um reveillon lá em casa). Eles eram todos gentis, divertidos, inteligentes e ricos. Algumas ideias absurdas que eu podia fazer sobre essas pessoas foram se esfarelando. Fiquei com a seguinte impressão : Árabes são ótimos e ricos. Beleza.

Vim morar na França. Os árabes daqui não têm o mesmo padrão de vida do Canadá. Mas não mesmo. Aqui eles eram mais gente como a gente. E, em alguns momentos, mais gente que a gente.

Foi assim que conheci Nadia, minha amiga marroquina do mestrado. A única que entendeu que eu estava boiando no sistema daqui. Me ajudou do início ao fim e foi a única a fazer esforço para manter contato comigo depois que formamos.

Foi assim que conheci Skandal, um amigo sírio. Uma pessoa que se ouvir você falar que não está tomando leite, ele vai descobrir uma receita vegana de creme de amendoim e fazer um pote pra você no dia seguinte. Quando Skandal soube que meu pai estava aqui me visitando, cruzou a cidade no meio da semana de provas finais com um temperinho sírio. Disse que era para meu pai levar pro Brasil « alguma coisa da Síria ».

Um dia a argelina que trabalha no mercado onde compro legumes me reconheceu na rua. Perguntou como estava a vida (eu tinha emagrecido 10 kgs) e, preocupada, passou-me o telefone da casa dela. Falou que quando eu precisasse, ela estaria aqui de carro e eu poderia ficar na casa dela o quanto fosse necessário. Repito : Essa é apenas a mulher que me vendia legumes.

No dia que caí de bicicleta sobre vários cacos de vidro, eu estava até bem ousada. Um shortinho, uma blusinha fina, sozinha numa avenida de rota rápida. Um árabe parou o carro. Perguntou se eu estava bem, desentortou minha bicicleta, falou pra eu lavar o machucado e foi embora.

Quando vou no kebab comer meu falafel (#goveggie, guys), que é uma das coisas mais baratas que dá pra comer por aqui, é comum que o pessoal de lá ofereça a sobremesa ou fritas extras sem cobrar.

Quando Hikmat, outra amiga árabe, veio me visitar pela primeira vez, ela trouxe uma pulseira de presente para agradecer a minha hospitalidade de 20 minutos para uma xícara de chá. Eles adoram presentear ! Fairouz , outra amigona que ama chá, comprou um kit de banho pra mim porque uma vez elogiei o que ela tinha na pia. E tantas vezes mais, ela me salvou de enrascadas, essa gênia!

“Zulikha, por que você usa véu e se cobre toda ?”, perguntei para uma amiga da Argélia que fez essa escolha. Ela contou sobre uma experiência muito próxima da morte que a fez querer estudar mais o mundo do além. O lugar que foi buscar as respostas era o livro que sua família considerava sagrado. Aliado a isso, embora este livro não determinasse nada específico sobre o uso de roupa completamente coberta, ela entendeu que desta forma se sentiria melhor.

Durante o debate da semana que definiria o vencedor das eleições primárias da esquerda moderada francesa, Benoit Hamon (hoje o candidato oficial) discutia a questão : « Se a mulher usa porque quer, eu defenderei seu direito. Se usa por imposição, eu defenderei sua liberdade ». Lembrei de Zulikha dizendo « meu marido não dá a mínima pra essas coisas ».

Uma vez fizemos um aniversário surpresa para Ahmed, um amigo marroquino, na minha casa. Vieram pessoas do mundo inteiro. Isso porque é Ahmed o único entre nosso grupo que se ocupa de manter viva a idéia de acolher estrangeiros nos encontros couchsurfing de todas as quarta-feiras. As vezes ele vai e fica sozinho. Outras, ele arruma papo com um alemão de 70 anos, ou com um casal de koreanos. Mas ele está sempre lá, depois do trabalho, disposto a falar todas as línguas, porque sabe que alguém pode precisar. Como um dia eu precisei e ele também. É a pessoa mais aberta que existe. E a única que realmente memorizou todas capitais do mundo inteiro. Mas não deixe ele virar o DJ da sua festa. Ele escolhe músicas de 10 minutos cada. Esses árabes !

Hoje, voltando pra casa de noite, encontrei mais um amigo das arábias. Podia ter sido o advogado tunisiano que faz doutorado aqui, podia ter sido o engenheiro libanês que prepara a festa da primavera. Podia ter sido o agricultor iraniano que toca piano como mestre (os iranianos nem são árabes). Mas foi um matemático marroquino. Ele me disse que sua mãe estava aqui para visitá-lo e ficou feliz de ver como ele tem se alimentado bem. Árabes ! , pensei. Pessoas de um coração enorme. É assim que percebo agora, esse grupo tão vasto e diverso.

Que sorte a minha encontrá-los.

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 “Es por el signo de la amistad por el que se unen los hombres, los pueblos y las razas, y es bajo sus auspicios que ha de haber paz en la tierra.” Da Logosofia

  • Este texto foi escrito ao som de : El Arbi, Fatamorgana e Baile de los Pobres – músicas que sempre embalam nossas festas !

50 nuncas de 2016 e obrigada por não perguntar

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50 nuncas de 2016 e obrigada por não perguntar

Quantos anos você viveu neste ano?

Foi muita água por debaixo da ponte. E o mais engraçado que é não foi só comigo. Parece que todo mundo viveu uma revolução coletiva. Mas daquelas revoluções descabeladas mesmo!

Em março eu estava me mudando da França para o Brasil. E mudei mesmo. Fiz festa de despedida. Chorei. Todo mundo chorou. Foram despedir no aeroporto, levei minha gatinha Azzuca, muitas lembranças, muita saudade e aterrissei no Brasil pré-impeachment.

MANO!

Corta para seis semanas depois, eu trocando todas as milhas por uma passagem só de ida para a França de novo.

Achei que teria que passar a vida explicando para as pessoas no Brasil e na França porque eu fiz isso. Mas, ao contrário, quase não perguntaram nada. Todo mundo parecia entender. Então, gente, obrigada de coração!

E aqui vamos seguir a tradição deste blog e fazer uma lista de nuncas positivos em 2016. Esta foi difícil de editar, viu?!

Meu amores, um 2017 muito melhor pra todo mundo! Sobrevivemos!

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  1. Conheci a Irlanda!

Cork, Dublin e Galway. E tudo deu certo! Mesmo quando sumiram com minha mala e computador no hostel, meu escândalo permitiu que encontrar uma turma ótima que me fez companhia o resto do tempo, além de reencontrar minhas coisas. Foi em Dublin, sozinha, que conheci as pessoas mais amigáveis e queridas! Revi Livia e Katerina!!! Foi perfeito! Sério! Perfeito!

2. Fui ao show da Adele!

Em Dublin! Havia descoberto uma semana antes, comprado um ingresso baratíssimo e fiquei colada no palco, tanto que ela passou cumprimentando todos da frente e adivinha: peguei na mão inglesa da diva! Aposto que até hoje Adele ainda não lavou a mão (contei essa piadinha o ano inteiro!).

3. Conheci Budapeste.

Esta viagem me custou conseguir. Mas valeu! Na companhia da minha colega desde a época da Comunicação, eu e Julinha frequentamos um karaokê todas as noites para soltarmos a voz. Todos os caminhos levavam ao nosso hostel e tudo era bem mais barato que na França.

 

4.  Fui ao Sziget! Um dos grandes festivais de música da Europa.

Foi assim que no último dia, depois que Julia já tinha partido, consegui um ingresso a bom preço pra viver essa experiência. De novo sozinha, me encontrei com Manu Chao, Bastille e fiz aquelas amizades que duram poucas horas, mas são boas. Continuo sem saber falar Húngaro…

5. Mudei de casa muitas, muitas vezes.

As vezes minha conta dá 9 vezes, outras 7. Mas isso foi apenas até agosto. Me mudei de casa, de país, de continente e fiz tudo de novo quando voltei. Minha coluna se retorceu completamente nessas idas e vindas. A cada vez que morei com um amigo, amiga ou sozinha tive que me adaptar com uma coisa nova, uma mania, uma proibição, um barulho e um cheiro diferente. Algumas noites eu acordava e não tinha noção de onde estava, de quem eu era. É o tipo da experiência que te faz rever um tanto de coisa, principalmente o que a gente precisa mesmo carregar. E olha que fiz tudo por escolha própria. Mas foi difícil. Obrigada a todas as pessoas que me ajudaram nessa vida meio de cigana.

6. Consegui a primeira página do jornal.

Duas vezes com matérias minhas, outra vez com uma informação em primeira mão que consegui correndo atrás da polícia!

7. Viajei com um gato no avião da França pro Brasil.

Hoje Azzuca vive no Brasil e eu voltei. Mas ela e meu pai criaram laços!

8. Mais de mil seguidores no Youtube.

Ao mesmo tempo que tenho vergonha de mostrar meu canal para meus amigos, adoro quando chega mais gente. Difícil explicar.

9. Menos 10 Kg

Passei a vida meio desagradada com meu peso. Um lado era pela cultura da magreza mesmo, outro por minha conta e minhas curiosidades. Eu queria saber como era ser mais magra. Um ano com tantas mudanças de casa, tanta falta de estabilidade, tantas decepções acabou ajudando nisso. Mas teve a questão de eu tentar comer menos açúcar e variar mais do gluten (mas não cortei nada além da carne). Além disso, houve uma fase em que trabalhei todos os dias, sem descanço semanal. E aqui em Avignon é possível fazer tudo à pé ou de bicicleta. Em BH eu também tentei, mas teve um dia que tive que negociar com o ladrão para ele só levar 7 reais… O que importa é que finalmente olho para o espelho e falo “ah, tá bom”! E vou me concentrar em outras batalhas. Tomara que consiga manter essa colheita.

10. Virei família de acolhimento de gato.

Uma espécie de abrigo para gatinhos sem casa, em parceria com a Associação de proteção animal. Foi assim que Harry veio parar na minha vida. E ele é igual à Azzuca, o que causa muita confusão nas pessoas!

11. Teve polícia e ambulância na minha festa de aniversário

Mas está tudo bem. E foi maravilhoso!

12. Pode ser estranho, mas este foi o primeiro ano que eu mesma abri minha garrafa de vinho.

Posso abrir a sua também! 😉

13. Comecei a fazer a própria unha do pé e da mão e aceitar como razoável.

E rápido!

14.Convenci um homem a mudar sua atitude com relação ao seu cachorro.

Aí vai a história: Enquanto eu ia para o supermercado, vi um filhotinho estava com muito medo de andar na coleira e o rapaz ia perdendo a paciência e estapeando o cachorro quando decidi agir. “Que lindo seu cachorrinho!”. “Ele é filhote e não quer sair na coleira”, “Ah, o tempo de adaptação, dizem que precisa de muito carinho e atenção para adaptar mais rápido”, “É?”, “Cara, você tem muita sorte, ele vai ser um grande amigo ”. Ele começou a coçar a cabecinha do bicho, acariciar as orelhinhas! Na saída do supermercado o cachorro já estava lambendo o rosto do moço que acenava pra mim! Quero acreditar que deu tudo certo.

15. Batata doce. Uma paixão revelada este ano.

16. Passei o dia dos namorados tanto brasileiro quanto francês oferecendo flores para estranhos na rua e recebendo todo tipo de reação em retorno. Inclusive péssimas e lindas respostas. Perdôo vocês, seus rabugentos.

17. Descobri que meu ascendente é escorpião ao invés de capricórnio. Não que isso mude alguma coisa.

18.Descobri o que é a síndrome do regresso. E entendi muita coisa.

19. Conheci Strassburgo. A cidade da epidemia de dança!

20. Vi a super lua. Com os amigos.

21.Fiz amizade com uma trupe de teatro no meio da rua apenas porque começamos a dançar juntos. Depois eles vieram na minha festa de aniversário (aquela mesma da polícia e da ambulância).

22. Baixei, usei e deletei o Snapchat.

23. Aconteceu uma coisa maravilhosa! Uma das minhas cantoras preferidas de Belo Horizonte virou minha amiga. De verdade!

24. Fui em dois cafés com gatos. Um conceito que ainda não vi aparecer em Belo Horizonte. Mas tem para todo lado no mundo.

25. Meu quarto, no último apartamento em que morei, virou uma pista de dança. Agora a sala é lugar de comer e logo ao lado, descobriram que este lugar é um ótimo lugar para dançar. Um sonho tornado realidade!

26. Passei uma tarde saltando num pula-pula! E em ótima companhia. Outro sonho tornado realidade.

27. Fui num desfile de moda com credencial de jornalista francesa.

28. Consegui respeito da polícia francesa porque falei que era advogada. Porque enquanto eu era só uma imigrante…

29. Finalmente assisti a um TEDX e foi maravilhoso.

30. E na semana seguinte, cruzamos com um dos palestrantes num restaurante. Cumprimentamos! Ele sentou na nossa mesa, ofereceu vinho pra todo mundo e falou até!

31. Ganhei terceiro lugar num concurso de fotografias no instagram. Viva Instamission!

32. E por falar em foto, vi meus amigos mudarem de foto no facebook quando parti de Avignon. Tão lindo o filtro-Didi. Eles não esperavam mesmo que eu voltasse! Haha

33. Comecei a escrever para a página Razões para Acreditar! Amo.

34. Conheci um grupo em Belo Horizonte de pessoas que saem para praticar o Inglês. Muito legal!

35. Vi um tanto de chefões do Brasil serem presos. Com a mesma surpresa!

36. Decidi começar a falar para a gente em geral quando a atitude deles me desagrada muito. É tipo uma crítica construtiva. Mas nem sempre funciona. E tem que ver se não estão armados antes. Sigo tentando. Acho a ideia positiva.

37. Comecei a fazer compostagem.

38. Descobri Calle 13. Com meu amigo libanês que me acolheu um mês! Que lástima que não nos descobrimos antes!

39. Conheci o Museu da Civilização Mediterrânea em Marseille

40. Conheci o Museu de miniaturas de cinema em Lyon. Que lindo!

41. Conheci Roma. Que lugar!

42. Conheci o Vaticano. E vi a Capela Sistina.

43. Em Roma, tive a oportunidade de despedir de um amigo, sentada no alto da praça, de madrugada, dividindo uma garrafa de vinho e filosofando sobre a vida! Todas as despedidas deveriam ser assim.

44. Conseguimos correr atrás de um assaltante em Nimes e recuperar um celular. Não recomendo fazer isso no Brasil porque geralmente estão armados.

45. Conheci uma poeta premiada de Haiku.

46. Conheci um super urbanista francês!

47. Conheci Ina, que interpreta Solange, e é minha youtuber preferida na França.

48. Passei uma tarde fazendo fotos e também posando para elas na frente da torre Eiffel.

49. Virei doadora de plasma!

50. Reuni Peter e Azzuca! Meu cachorro e minha gata. Com as duas melhores pessoas que conheço: meus pais.

Além disso, 2016 foi um ano realmente difícil. Felizmente o organismo aguenta uns trancos! E a vida continua valendo a pena.

Vou passar o réveillon entre amigos e família, mas tinha imaginado outra coisa. Fantasiei que eu podia chegar à meia noite andando por uma rua deserta e gelada e deixando o ano para trás. De repente, começa a tocar aquele inicinho legal de Bitter Sweet Symphony e eu continuo andando e despedindo do ano até que percebo que este é o som do despertador. Acordo. Tenho 15 anos e 2016 não passou de um pesadelo daqueles que acontecem quando a gente dorme demais!

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Atualização! Lembrei de um nunca muito importante! Fui na formatura de um ex-aluno que há 12 anos estudou comigo. Gustavo virou engenheiro e muitos outros viraram profissionais e até colegas de profissão. Um dos meus passados mais gloriosos foi ser professora. Espero um dia retomar essa prática!

Aproveito pra deixar mais umas fotos!

 

 

 

Crises e epidemias… que hora boa pra voltar pro Brasil

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Era um jantar entre amigos e fomos perguntar pros espanhóis sobre a monarquia no país deles. Pra quê? A coisa ficou quente. Sendo um país com inúmeros movimentos separatistas e muita revolta efervescente no seu povo, achamos melhor mudar de assunto. A americana não queria comentar sobre a possibilidade de ter um Trump pra chamar de presidente. Os italianos queriam esquecer o passado recente e o sírio preferia nem começar. Foi quando olharam pra mim. Fala do Brasil, Diorela. Como será a volta pro seu país?

Então senta que lá vem a história!

Meu país é muitos. E é muito rico. Existe uma diversidade e um encanto no Brasil que eu ainda não reconheci em outros lugares. Temos cores, temos espaço, temos terra que tudo dá, uma criatividade que brilha, belezas naturais e artificiais, o povo mais divertido que já conheci, uma constituição da república muito respeitável, um mar enorme pra chamar de nosso, florestas, pântanos, montanhas, todo tipo de alimento. Temos música pra falar de tudo. Um cinema de aplaudir de pé. Trabalhamos o dia inteiro e estudamos de noite. O sol põe todo mundo pra fora da cama. Somos sorridentes, amamos dançar e temos uma forma de ver a vida que devia ser patrimônio da Unesco. Apesar de tudo, estamos nos perdendo. Não saímos mais para praças e parques. Nossos programas são ir para o shopping ou ver a televisão que é sempre o centro da casa. Nos acostumamos a subir dois andares de elevador. Comemos porcarias demais. Ainda não pensamos muito em separar o lixo. E o pior de tudo, estamos desaprendendo a nos amar.

No meu país tem faltado água, tem faltado investimento em coisas básicas. Os hospitais estão sem antibiótico. As escolas, sem merenda. Muitos bebês tem nascido sem um pedaço do cérebro e a gente não sabe o motivo. Os mosquitos voam doenças sobre os brasileiros e viramos um bingo de epidemias. Minha Minas Gerais está morrendo porque só sabia viver de minas. E as minas nos cortaram inteiros. O Rio Doce ficou amargo. No governo, não há governo. Temo um jogo sujo e alguns ministérios de brinde. Na televisão daqui, já somos piada para os portugueses, quem diria. E as pessoas não sabem mais quem defender, quem acusar. Descobrimos que só temos santos em feriados. Mas ainda não temos feriado bom. Está difícil andar tranquilo nas ruas. Com a economia tão mal, a violência tem aumentado. E com ela o ódio à diferença. Muitos de nós seremos substituídos por máquinas, mas isso é no mundo inteiro. O trabalho já não será como antes, e eu não queria me entregar a quem ganha para destruir. É do fundo do poço que a gente vai ter que criar um impulso mesmo.

Mas não posso reclamar. O Brasil sempre me recebeu bem. Mesmo pra uma não religiosa é bonita a imagem do redentor de braços abertos acolhendo o horizonte. O povo brasileiro é, em sua grande maioria, formado por uma gente maravilhosa. Somos corajosos, trabalhadores, interessados, criativos. Nossa força está nisso e teremos que nos reinventar. Alguns grandes começaram a ver o sol nascer quadrado e aos poucos talvez serão muitos outros, de forma multipartidária, também irão. A justiça ainda é muito estranha no meu país, mas com as redes que temos feito, se a gente se importar em abrir um pouquinho a cabeça pra quem pensa diferente, talvez consigamos uma verdadeira revolução. A forma de ganhar e viver com dinheiro terá que mudar e estamos começando a entender isso também. Talvez seja a hora de aprendermos que somos nossos próprios redentores. E ninguém nos representa mais. Com aqueles mesmos braços que abraçam tão bem (no que a gente chama aqui na França de « carinho brasileiro »), podemos trabalhar e unir forças para reconstruir e nos ajudarmos como nação. Tive muita sorte de poder aprender algumas coisas que talvez sejam úteis nessa hora. Adoraria poder colaborar quando voltar pra minha terra.

Alguém quer sobremesa?

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Ps. “Faut rêver” pode ser traduzido como “é preciso sonhar”!

Um ano sem carne

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No final de 2014, conversei com meus amigos sobre um possível projeto #2015semcarne. Muitos acharam que seria impossível. Mas eu queria tentar! E agora que consegui, venho aqui falar deste projeto.

A motivação para isso surgiu de muitos e variados pontos. Permita-me explicá-los aqui :

A primeira questão era por piedade com os animais mesmo. Eu não sentia que era preciso sacrificar tantos animais se poderia substituir a carne tão facilmente.

A segunda questão é que nunca gostei muito de carne. Entendo que podem ter sabores deliciosos, mas ainda acho que estão mais ligados ao molho e ao tempero que à própria carne. Costumo dizer que eu sempre fui vegetariana e só depois dos 30 tive coragem de dizer isso pra sociedade.

A terceira questão foi com a cultura da França (país onde moro atualmente) de comer pratos apenas com carne (uma carne toda decorada no centro do prato e nenhum acompanhamento que sustenta, como arroz, massa ou batatas). Comendo apenas carne, meu cérebro não entendia que eu tinha comido. E continuava pedindo comida (leia-se carboidratos, ou pelo menos uma salada cheia) o que me causava certo stress.

A quarta questão era uma dificuldade na comunicação da minha forma de alimentação. Era complicado recusar os pratos oferecidos na casa de alguns amigos franceses onde a única opção era um coelho, um pombo, uma lagosta que morreu gritando dentro da panela. Além de ser muito diferente da minha cultura o contato com esses pratos, era muito difícil explicar que não me despertavam interesse gástrico e ao mesmo tempo dizer que não era vegetariana, só não queria comer aquelas carnes. É estranho até para escrever isso agora!

A quinta e última motivação veio de uma gatinha que peguei na rua, e que precisou ser operada. Tive muita dificuldade para achar uma família para adotá-la. E até encontrar a família perfeita para ela, gastei muito tempo, dinheiro e energia para que ela ficasse bem. Tudo porque ela me inspirava compaixão. Nessa experiência pensei que não faria sentido chegar em casa e comer um hambúrguer, tendo me esforçado tanto para salvar um animal.

Explicados esses pontos, aproveito para ressalvar que estes comentários não se aplicam a situações extremas de muita fome ou de grande necessidade. Em situações de desespero muitos dos nossos conceitos e padrões mudam. Nada aqui se aplica a casos limite.

Tendo em vista essas considerações, decidi no dia 31 de dezembro de 2014 que em 2015 não seria consumidora de carne. Junto a essa decisão, resolvi outras coisas: Não compraria nada que tinha carne (lembrando que peixe é carne), molho de carne, tutano (como gelatina e aquelas balinhas molengas) e ou qualquer coisa do tipo que fosse substituível por algo mais sustentável no meu consumo (incluindo cosméticos muito duvidosos e roupas e acessórios de couro ou peles substituíveis – continuei usando o que de couro eu já tinha).

Os temperos sabor carne que já existiam na minha despensa, não joguei fora. Usei normalmente para não perdê-los, afinal o estrago já estava feito e eu não iria desconsumir uma coisa. Achei que a forma mais respeitosa com relação à morte daquele animal, naquele momento, seria pelo menos terminar de usar o que ainda existia no armário e não comprar mais.

Outra coisa, se em alguma refeição, oferecida por amigos, a comida vegetariana tivesse tido contato com a carne, eu iria comer assim mesmo para não criar uma repulsa à ideia do vegetarianismo. O importante era a pessoa respeitar e deixar sempre uma opção vegetariana para quem não queria carne. Muitas vezes, quem convidada já fazia um prato só, somente vegetariano. E isso era lindo. Também passei a convidar muita gente pra minha casa, oferecendo sempre alguma receita que não levasse carne como risotos, lasanhas de beringela, quiches. Até a minha chefe do restaurante, que fazia tortas cheias de bacon, lançou a semana Vegana e Vegetariana com sabores diferentes que fizeram o maior sucesso.

Percebi que depois que anunciei a minha escolha como « Sou vegetariana » tudo ficou mais fácil para as pessoas entenderem. Embora muitos ainda achem que eu coma peixe ou camarão. Mas não como não, viu.

Uma decisão que acho importante, e até política é de perguntar em todos os restaurantes por opções vegetarianas, mesmo se eu quiser comer apenas a sobremesa. No Mac Donald’s eu já sabia que não tinha a opção de sanduíche vegetariano, mas perguntei assim mesmo só pra saber a resposta do gerente. E o gerente na França me disse que achava que isso não atrairia muito o público. Que não era uma questão da atualidade. Por isso recomendo que quem quer ser vegetariano, passe a perguntar no Mac Donald’s também e em todos os outros restaurantes e lanchonetes, só para eles saberem que existe o interesse. #cadeopcaovegetariana

Quando em algum restaurante não tinha nada vegetariano, eu não gritava, nem fazia escândalo. Só falava « que pena », agradecia e saía. Quando era obrigada a ficar, pedia um suco ou café.

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(mercadinho de Oslo com deliciosas opções pra uma refeição perfeita e sem carne. Não sou eu na foto, só bati!)

A minha escolha foi ser vegetariana e não vegana. No meu entendimento atual, acho que não é necessário maltratar um animal à morte para termos queijos, leite, ovos. Eu sei que o mundo ainda é muito cruel com todos eles e que a indústria é a mesma. O leite que você bebe era para ser dado ao bezerro que virou o vitelo do restaurante da esquina. A vaca leiteira, depois de velha, também vira bife. A galinha que bota o ovo também vai pro prato. Eu sei disso. E acho horrível. Mas ainda acho que a minha opção alimentar não implicaria necessariamente nessa covardia. Ela existe porque ainda não nos organizamos de forma a comprar apenas de produtores éticos. Coisa que tentei com muito custo fazer na França. Para os ovos é mais fácil porque lá existe uma lei que te permite comprar ovos de acordo com a qualidade de vida das galinhas (vem informado nas caixas). Mas para o leite, o único lugar que descobri que tinha uma produção respeitosa de leite era muito longe, e os produtos não chegavam até onde eu precisava. O que fiz foi reduzir o consumo. Mas não cortei.

Feitas essas considerações, não tive grandes dificuldades durante o ano. Não passei fome, nem emagreci, nem engordei. De alguma forma, senti muito mais energia durante o ano, mas não tenho como provar que foi por conta da minha dieta.

Substituí a carne por várias coisas, uma delas era o champignon de Paris quando eu estava na França. Esses champignons são extremamente suculentos e valorizam bem o prato. Não deixando nada a desejar.

Já no Brasil, morro de amores pelos bifinhos de soja, típicos da casa da minha avó. Mas também adoro pratos com berinjelas, bifes de aveia, batatas recheadas, tomates com manjericão e muito azeite!

Não adoeci em 2015. Mesmo tendo passado por circunstâncias de baixa imunidade. Na minha cidade, consultei uma naturopata (espécie de nutricionista que analisa a sua alimentação e saúde em relação ao seu emocional e seus hábitos) e ela disse que minha alimentação estava ótima, que era perfeita para o meu tipo físico e o tipo de vida que eu levava!

Meu maior problema com a dieta veio do cinismo de algumas pessoas, dos comentários desnecessários de outras e até da intolerância de outras. E é impressionante a reação que a intolerância causa. Quanto mais as pessoas criticavam a minha escolha de não comer carne, mais eu queria não comer carne (compare isso com outras coisas para as quais somos tão intolerantes também!). Então, o projeto que era só para 2015, agora vai continuar…

Comer menos carne é uma necessidade do ser humano se quiser preservar o meio ambiente. Para produzir um quilo de carne é necessário produzir muitos quilos mais de outros alimentos. Isso cria uma conta que não fecha se você considerar o número de pessoas que existem no planeta. Nem estou falando para todo mundo virar vegetariano (ideia até muito simpática, mas nem estou falando disso). Na China, por exemplo, eles comem carne, mas é bem pouquinho, porque são muitas bocas para alimentar. Então são pedacinhos do tamanho de um dado, jogados sobre um macarrão ou um arroz. Na Inglaterra, o projeto Meat Free Monday (segunda sem carne) de Sir. Paul McCartney ganhou grande popularidade e lá, qualquer lanchonete, por menor que seja, tem no menu um prato para vegetarianos.

De uma forma geral, existe tanta opção de coisa gostosa pra gente colocar na panela que me parece falta de criatividade termos que comer carne em toda refeição. Não estou falando de casos extremos de quem não encontrou outra alternativa, ou de quem precisa de uma dieta específica com carne. Estou falando de gente que pode escolher ser diferente. Que pode escolher comer menos carne, fazer um equilíbrio na dieta entre seus gostos e o que entende que pode ser melhor pra própria saúde e pro planeta. O Brasil nem é um país frio pra gente se empanturrar tanto com tanta gordura animal como fazemos. Vamos pensar nisso !

Por último, e não menos importante, eu mantive como propósito não ser considerada muito chata como vegetariana. Um pouco, tudo bem! Neste texto escrevo o que esperei um ano para contar. Tento, na medida do possível, não ficar pregando para as pessoas sobre o vegetarianismo, porque cada um tem seu tempo e não adianta tentar convencer ninguém que não quiser mudar. O meu tempo foi em 2015. E me fez muito bem. O seu pode ser em 2016. Mas isso é uma coisa que só você pode saber!

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(oi!)

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Utilize também as tags durante o seu ano:

#2016semcarne

#menoscarne2016

#meatfree2016

#cadeopcaovegetariana

#goveggie

IMG_4136(mesa montada para uma noite vegana entre amigos)

50 nuncas de 2015

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Ah, 2015. Este ano pregou muitas peças na minha vida, e imagino que na sua também. As vezes o balanço é até doloroso. Entre crise, terrorismo, discurso de ódio, racismo, intolerância, gente estranha e gente falsa… parece não ter sobrado espaço para coisas boas. Mas sobrou, gente. Cada um tem na vida bons frutos a recolher, tenho certeza.

Como há alguns anos tenho feito a lista de 50 coisas que nunca tinha feito antes e que fiz naquele ano, pensei em fazer um esforço para encontrar mais 50 nuncas pra este 2015. No início foi difícil, porque tenho por meta só colocar coisas boas na lista a ser relembrada. Depois consegui até passar de 50 e tive que editar pra ficar bonitinho. Caso seja do seu interesse, dê uma olhada na minha lista. Pode ser que ela te lembre do lado bom do seu ano também.

  • Aceitei couchsurfers pela primeira vez (sim, só temos nuncas nesta lista !). E recebi pessoas da Alemanha e da Áustria muito simpáticas, mas que estranhamente não conheciam The Sound of Music ! O.o
  • Conheci a Escandinávia, que é ponto central do grupo de estudos criado com uma amiga (Idéias da Escandinávia). Na verdade apenas Oslo, na Noruega ! Mas adorei. Quem quiser participar do grupo de estudos, deixe o contato nos comentários.

IMG_5347(Oslo, Noruega)

 

  • Encontrei Livinha em Avignon, que chegou bem no dia meu aniversário, pulando de alegria!
  • Encontrei Silvinha em Avignon e fui com ela à super prisão do Conde de Monte Cristo em Marseille e do homem da máscara de ferro.
  • Encontrei Luísa em Avignon e descobri como fazer malas à vácuo e fotos de uma pessoa ruiva!
  • Comecei a trabalhar com moda, para a By My Hands Fashion, e descobri um outro mundo da confecção que pode ser feita com ética. Além disso, adorei poder trabalhar de novo com a Pati, minha ex-chefe advogada. Participamos do Fashion Revolution Day e mudamos muito nossa forma de consumir também.

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  • Comecei a escrever para um jornal francês e ralei muito para conseguir publicar em outra língua.
  • Fiz uma doação para a wikipedia e para o crowdfounding de um projeto importante. Aprendizado que recebi da minha mãe. Se é importante pra gente, e podemos contribuir, tentemos!
  • Vivi quase um mês em Milão, na Itália, com minha família amada que só andava pela casa dançando e cantarolando! Antes disso, aprendi a falar o básico do italiano com uma amiga muito querida.

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(pomba posando pra mim na praça principal de Milão, a mulher logo atrás também fez pose)

  • Virei colunista de um site de slow lifestyle ( Review) e me senti ainda mais próxima de um estilo de vida minimalista e cuidadoso que me atrai muito.
  • Participei de um capítulo de um livro espanhol sobre a judicialização da saúde no Brasil.
  • Conheci o interior de São Paulo (Itu, Sorocaba, Brotas e São Carlos).
  • Aproveitei uma tirolesa gigante em Brotas! E conheci as chamadas « areias que cantam ». Brotas é uma cidade incrível, que vale a pena.

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  • Morei meses com uma peruana (Pamelita!) e comemos muito arroz com batata juntas para desespero dos franceses!
  • Fiz uma grande viagem de milhas, o que me permitiu passar na Inglaterra só para jantar.
  • Trabalhei no mercado de Avignon durante o festival de teatro e entendi o que era ser invisível.
  • Conheci Veneza, a primeira cidade capitalista do mundo ocidental. Florença, a cidade de Da Vinci e Galileu. E Verona, a cidade de Romeu e Julieta. Morri de amores pela Itália.

  • Cozinhei um quiche com leite azedo tido como perdido e ele ficou ótimo.
  • Ganhei um desenho de um garotinho da Tanzânia que conheci no trem. Ele não tinha lugar para sentar, e se apertou com a gente nas cadeiras. A mãe dele me lembrava muito diversas mães brasileiras, que apesar de extremamente pobres, só espalhavam amor.
  • Descobri que franceses dão espaço entre as palavras e os pontos de exclamação e interrogação e finalmente entendi porque o meu Word faz assim !
  • Passei todo o ano sem comer carne. E não foi tão difícil assim. Cumpri meu projeto #2015semcarne! E vou continuar.
  • Produzi o VEDA ( Vlog Everyday April) para o canal do youtube Direito é Legal.

  • Fiz o projeto s2 Frágil em Madrid e Avignon, um projeto de levar mais consideração ao coração alheio, criado pela jornalista e amiga Sabrina Abreu.IMG_5400
  • Fui num congresso de Economia Criativa em Madrid
  • Consegui ver o quadro O Grito! em Oslo e o Nascimento da Vênus em Florença. Dois sonhos !
  • Fui apresentada ao Fram, o navio dos conquistadores do Pólo Sul. « Pólo Sul » é um dos livros preferidos do meu pai. E como eu gostaria que ele estivesse comigo nesse dia.
  • Participei de uma passeata pela paz na França. Logo depois do primeiro atentado em janeiro. Foram milhões de pessoas. Emocionante. Mas vimos que é preciso mais, muito mais que isso.
  • Dei uma festa à fantasia. Duas, na verdade, considerando que a primeira era normal, até que chegaram umas pessoas fantasiadas porque entenderam errado o convite e aí todos nos fantasiamos para eles não ficarem sem graça! Eu amo essa turma.
  • Conheci Clermont Ferrand, Sisteron e Orleans, na França. Três cidades lindas.

  • Passei um domingo inteiro num café conversando e fazendo projetos com uma amiga! Um domingo inteiro ! Num café! Conversando!
  • Escrevi para a presidente (do Brasil) dando algumas sugestões – sempre de forma cordial e respeitosa –  e para a prefeita (de Avignon) também dando outras sugestões. Nenhuma das duas me acolheu. Mas não desistirei.
  • Conheci uma pessoa que conhece uma pessoa que conhece a atriz que fez Amelie Poulain! Estou chegando perto do meu sonho.
  • Fui chamada pela Flavia Calina (vlogger sobre educação infantil) para um café com ela (mas não pude ir) ! Convite via e-mail. Foi outro sonho. Que infelizmente ficou distante.
  • Reencontrei meus alunos 10 anos depois do fim das aulas! E foi maravilhoso! Maravilhoso!
  • Fui fotógrafa do casamento de uma amiga em Nimes, na França. Ela se casou vestida de By My Hands e foi a nossa noiva modelo!

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  • Reencontrei o lado perdido da minha família na Itália. E vivi um dos dias mais gloriosos da minha vida ! Eles nos receberam de braços abertos, como se nunca tivéssemos separado. Sangue do meu sangue!
  • Pela primeira vez deixei um bilhete para o lixeiro. E alguém deixou presentes pra mim na porta de casa. Não nessa ordem.
  • Fizemos um jantar totalmente vegano lá em casa com excelente adesão. Em outro dia, produzimos um enorme encontro de thanksgiving onde cada um dos 26 convidados levou pelo menos uma notícia boa. E finalmente, fizemos outro jantar com gente do mundo inteiro, onde cada um contou sobre o que amava em seu país. A vida faz muito mais sentido pra mim quando esses encontros acontecem.
  • Assisti a um evento pelo skype, graças a minha prima querida que ficou segurando o telefone enquanto eu via o resto da família participar.
  • Aceitei um convite para tomar um chá com estranhos que conheci na rua, num domingo de tarde (eram um casal). E como não senti que a situação era forçada, aceitei. Foi ótimo!
  • Conheci a sala Minas Gerais em Belo Horizonte com uma orquestra sensacional e bati palma até parar de sentir as mãos !
  • Aprendi a fazer sabão e fiz ! Valorize o seu sabonete artesanal, viu?!
  • Perdi um avião (por culpa da companhia) e conheci uma turma muito legal com quem passei quase 24h conversando!
  • Escrevi 33 textos no projeto « 33 textos antes dos 33 anos » em 33 dias. Estão todos aqui no blog, ou com links para eles. Criei a página escrevo.me onde coloco alguns textos e projetos para ficar com uma cara profissional!
  • Aderi ao Low Poo (uso reduzido de shampoo) e gostei do resultado! A gente se faz mal achando que estamos fazendo bem. Não precisamos esfregar tanta coisa no couro cabeludo para ele ficar limpo. Sério.
  • Tive uma reunião profissional em Paris, o que me fez sentir extremamente feliz ! E mais adulta do que nunca!
  • Fui almoçar na casa da moça que trabalhou por anos na casa da minha avó e aprendi muita coisa com a simplicidade da cozinha dela que deixa a comida no ponto certo (pro meu paladar!).
  • Gravei um podcast com as minhas amigas ! Agora estamos esperando o aparelho em que foi gravado ajudar para conseguirmos publicar.
  • Presenciei um casamento lindo de pessoas de mais de sessenta anos se casando pela primeira vez !
  • Participei de um flashmob, pela semana da gentileza. Finalmente! Fazia tempo que eu queria viver esse nunca.

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Feliz 2016, amigos! Sejamos maiores que os nossos problemas.

Não somos hamsters: a amizade com o sexo oposto

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Quando eu era pequena, sempre que pedia um cachorro pra minha mãe, ganhava um passarinho, um coelho, um girino, uma cobra, um pato, uma galinha, uma chinchila, uma codorna, tudo, menos um cachorro.

Certa vez, ganhei dois hamsters. E esperta que era, escolhi um macho e uma fêmea, para ficarem amigos.48csv

Fomos lá naquele espaço asqueroso do Mercado Central de BH, que hoje é investigado pela CPI dos maus tratos, e compramos um casal. Naturalmente, eles desenvolveram uma relação muito mais estreita que uma amizade e em um mês a gente tinha 24 hamsters. A nossa casa parecia um laboratório de cosméticos, com a diferença que a gente tratava bem dos bichinhos e não lucrava com eles. Todos os meus amigos ganharam hamsters de presente. E aprendemos uma lição: Hamsters são lindos, fofos e inteligentes, mas não são como os humanos. E por que isso?

Porque se você coloca um macho e uma fêmea juntos, os feromônios dos hamsters serão mais fortes que qualquer outra coisa e eles vão se reproduzir. Muito! Com seres humanos normais a situação pode ser diferente.

Minha prima tem um grande amigo há mais de dez anos. Eles são tão amigos que se apresentam como irmãos. Durante anos, eles aguentaram perguntas sobre a honestidade daquela amizade. Ontem, na hora do almoço, estavam explicando que finalmente estão namorando pessoas que entendem a diferença de amizade para paquera.

Tem limites? Tem. Mas a amizade entre homem e mulher (ambos heteros) é possível. E é muito enriquecedora! Por que eles não namoram? Porque não querem. Porque estão apaixonados por outras pessoas, porque a relação deles é de amizade e ficou por isso mesmo. Ou simplesmente, porque não estamos falando de hamsters!

Minha tia avó estava almoçando com a gente também. Ela viveu anos casada com meu tio que era uma pessoa adorável, mas ainda com dificuldades de entender sobre relacionamentos. Não deixava ela sair sem ele, não deixava ela viajar, não gostava nem de convidar muita gente pra casa deles. Manias dele e de uma época, mas que influenciavam muito na vida dela. Depois que ela ficou viúva, apesar da saudade imensa, ela conheceu um outro lado da vida. Andou de avião pela primeira vez, foi para a Italia, mudou sua forma de vestir, de fazer projetos pra vida e até de andar.

Durante a conversa do almoço ela pediu para falar. Disse que realmente, não via nenhum problema nessas relações. Contou que tem um vizinho que é viúvo também e que eles se cumprimentam na rua e trocam algumas palavras de vez em quando. Bastou isso para uma vizinha patrulheira vir falar com ela que as pessoas poderiam interpretar mal aquela história. Ora… quando foi que perdemos o direito à amizade?

Uma pessoa viúva com certeza precisa de muitos amigos para superar esse momento. É cruel querer que ela fique sozinha, vivendo de memórias, quando poderia se apoiar em tanta gente, dos dois sexos, até com problemas parecidos, para vencer essa dor.

Em Belo Horizonte não tenho muitos amigos homens (héteros). Tenho um ou outro, que desaparecem quando começam a namorar. Não sei se por medo das namoradas ou de outros patrulheiros. Mas desaparecem (o que me dá certa preguiça, apesar de já ter feito isso também quando tive um energúmeno como namorado, mas passou).

Em Avignon, dei sorte de ter muitos amigos (homens e mulheres). Tomo o cuidado de sempre demonstrar a maior consideração com as namoradas dos amigos. Procuro sempre mandar um abraço pra elas quando envio alguma mensagem pro celular deles. Se tem festa, ou algum evento, convido os dois. Converso com os dois, sou gentil com os dois e não fico encostando muito em nenhum deles! Hehe! Na verdade, acho ótimo poder agregar as namoradas e namorados na turma. Vejo que isso conta muitos pontos pra alegria de um casal, em qualquer parte do mundo. E a gente só tem a ganhar.

Aceitar que é possível uma amizade entre sexos opostos pode ser muito construtivo pra sociedade. E é claro, tem casos e casos. Algumas pessoas abusam? Abusam. Algumas pessoas não são confiáveis? De fato. Tem gente que podendo ser gente, escolhe ser hamster. E nessa hora, minha amiga, o meu faro é de albatroz.

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Mais:

Foto meramente ilustrativa retirada daqui

Investigação do Mercado Central na CPI dos maus tratos de animais em BH 

A indústria cosmética e os testes em animais